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Maio: 34 anos da descoberta do HIV

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Foi em 20 de maio de 1983 que o cientista Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França, isolou pela primeira vez o HIV, vírus causador da AIDS. No ano de 2.008, o cientista francês e sua colega Françoise Barre-Sinoussi, receberam o prêmio do Nobel de Medicina, pela importante descoberta.

De sentença de morte, a AIDS evoluiu para uma doença controlável por medicamento, adquirindo status de crônica. Três décadas após o isolamento do HIV, a doença segue trazendo desafios para a saúde pública.

Uma velha tendência, por exemplo, que se julgava minimizada entre o fim da década de 1900 até o início dos anos 2000, está preocupando novamente. A cara da epidemia mudou as pessoas não morrem tanto como antigamente, mas a principal população a ser afetada voltou a ser a de homens que fazem sexo com homens. Não é mais uma questão de se falar em grupo de risco – como ocorreu no começo da epidemia e criou estigmas até hoje dolorosos -, mas entender quem está mais vulnerável. Alguns dados de pesquisas no Brasil mostraram que homens que fazem sexo com homens aparecem como de maior vulnerabilidade: 10,5% estão infectados. Na população em geral, a incidência é de menos de 0,5%.

Percepção do Risco diminuiu

É indiscutível, como se avançou muito no controle da doença nos últimos anos, a ponto de que uma pessoa que tome rigorosamente sua medicação tenha uma expectativa de vida semelhante à de quem não tem HIV, porém houve certa redução da percepção do risco, deixando principalmente os jovens menos cautelosos e, portanto, usando menos o preservativo, apesar da grande disponibilidade do importante insumo de prevenção, não só nas unidades básicas de saúde, como também em outros locais, facilitando cada vez mais o seu acesso.

Fora da agenda

Outro efeito colateral desse avanço no tratamento é o risco de que a AIDS saia da agenda. Apesar de em Sergipe, o tema “AIDS” ser frequentemente divulgado pela mídia espontânea, percebemos que, pelo menos a nível nacional, o tema deixou de ser prioridade na grande mídia. Mas não deveria, porque o problema ainda existe. A taxa de novos casos se mantém constante. É preciso focar também a epidemia nas mulheres e, em alguns locais, até em crianças que estão nascendo infectadas.

A Sociedade e gestores precisam se envolver mais

A epidemia do HIV está cada vez mais chegando às pessoas que vivem em situação de pobreza e isso precisa ser lembrado à sociedade e aos gestores. Programas sociais precisam incluir mais os soropositivos, e mais entidades não governamentais precisam acolher as pessoas que vivem com HIV/AIDS e estão em situação de pobreza. Várias ações de solidariedade que realizamos em Sergipe, nem sempre são realizadas em outros locais, dando a entender que a epidemia acabou e que não existem pessoas pobres vivendo com o HIV. Apesar de já passados 34 anos da descoberta do HIV, infelizmente, a causa da “AIDS” continua sendo abraçada apenas por algumas pessoas. 

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