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Coxinhas, mortadelas, carreteiros e muitos marreteiros

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Estamos em pleno lugar comum, vivendo, como sempre, um período muito difícil na vida nacional.

Eis que a greve dos caminhoneiros paralisou o país de uma forma nunca vista por mim, sem alarde, nos meus setenta anos de vida.

O noticiário falava de um protesto de caminhões que pararam suas viagens, motivado por insatisfação com os inexplicáveis e abusivos aumentos de preço dos combustíveis.

O governo Temer que se gabava de estar saneando a economia pátria vê agora o que nunca quisera aceitar; o engano da sua política dita austera.

Austeridade é rotineira palavra mágica para a solução macroeconômica. Devemos viver aquém e nunca além dos limites orçamentários. É o que todos dizem, sobretudo os que desejam bem gerir o capital que não lhes pertence.

Para estes, o orçamento é peça intocável e todo sacrifício é necessário para o saneamento das finanças perdulárias.

Por que comer três grãos de feijão se dois bem mastigados podem ser saciar sobremodo?

Não é assim que pensa o estatístico orgulhoso com seu operador matemático que divide, redivide, em provas reais e dos “noves-fora-zero”, igual as contas que aprendi num tempo em que as calculadoras eram sonhos alfanuméricos.

Divisão quimérica que não distribui com equidade geral, nem retribui à real e individual necessidade.

Um paraíso para o pensamento dos economistas sempre dispostos a receitar e preceituar soluções salvacionistas.

Soluções que sempre satisfazem os seus cálculos em ábacos impenetráveis.

Todavia, por algaravia ruidosa ou ruinosa orgia, as filas de carros começaram a surgir nos postos de gasolina.

Era o comum consumidor aplicando a notável lição brasileira, tão resistente ao individual sacrifício: “Em farinha pouca, meu pirão primeiro”.

E foi aí que eu sobrei.

Quando eu comecei a ver as filas nos postos de gasolina, imaginei que se tratava de um protesto de seus proprietários que iriam naquele dia vender gasolina bancando a cobrança do imposto.

Pensei ser uma espécie de promoção de venda de gasolina, para denunciar a abusiva cobrança dos impostos embutidos no combustível.

Ledo engano!

As filas dos automóveis estavam ali porque já existia uma suspeita de que iria faltar o combustível.

Filas que se tornaram longuíssimas, intermináveis, e não acabavam nunca.

Eram filas tão gulosas e insaciáveis que acabaram a gasolina armazenada nos postos, deixando-me à beira da necessidade, afinal não me abasteci como deveria; gulosamente também, enchendo o tanque, e quiçá armazenando bombonas do combustível que se tornou um bem mais precioso que necessário.

Preciosidades à parte é preciso dizer, que esta política de preços dos combustíveis é uma estupidez.

Estupidez é bom repetir, sobretudo porque embute e máscara a cobrança de impostos estaduais: o ICMS e outro cuja sigla não sei de tão sinistro e funesto, que juntos perfazem aproximadamente 45% do preço pago pelo consumidor, reajustado quando o petróleo sobe de preço em nível internacional e também quando cresce a cotação local do dólar.

Sabe-se, todavia, que o imposto sobre o consumo é o mais sonegado.

Que o digam as vendas realizadas sem emissão de nota fiscal, quando o comerciante se sente autorizado a assim fazê-lo, porque entende que o Estado não merece partilhar do seu esforço mercantil.

E não merece mesmo, afinal melhor seria que a tributação fosse distribuída sobre a circulação do dinheiro, cada vez mais virtual, via “famigerada CPMF” e sobre o lucro líquido real, em alíquotas majoradas do imposto de renda, podando distributivamente os grandes salários, sem falar que a informática com seus Hard Core não mais em toscos Terabytes (1012 Byites), mas em Yottabytes (1024 Bytes) a desafiar sonegadores, quando a cibernética dispensaria a figura do fiscal e sua casta bem remunerada.

Como, ao que parece, a sonegação se faz menor no posto e na bomba de gasolina, eis os impostos estaduais geometricamente ampliados a todo aumento do preço internacional do barril de petróleo, absurda variação a maior, majorada ainda pela cotação do dólar.

Ou seja, o barril de óleo sobe na entrada da refinaria ditado pelas oscilações do mercado internacional e toma outro impulso na cotação crescente da moeda americana frente ao real. Mesmo que este viva no momento uma enaltecida estabilidade inflacionária.

E nesta ampla conquista usurária, o consumidor de hidrocarboneto, e o caminhoneiro em particular são sufocados por um Estado que nunca faz suas contenções de despesa. Nunca se sente o algoz fomentador das revoluções.

Por que a cotação diária do dólar e o preço internacional do combustível devem espicaçar o imposto estadual?

Temos, portanto, um imposto paroquial aferido por índices internacionais.

Estaria tal imposto ditado por Trump e seu “America First”?

A política exitosa do yankee deve inflar o nosso fisco local?

Sem a “derrama” dos inconfidentes de Joaquim Xavier, o Tiradentes, os caminhoneiros sentaram à pua e o país está indo prás cucuias; com o aplauso geral por expressiva maioria popular.

Diz a grande imprensa de São Paulo e Rio, reverberada país afora por responso corifeu, vassalagem acrítica, que a política econômica da troika Temer-Meireles-Parente estava e está corretíssima ainda.

E se há necessidade de correção de rumos, que se retire de nós, o povo, esta “besta-quadrada”, que não raciocina nem voga.

Para esta junta econômica em novos tempos de austeridade, no orçamento o povo não cabe, restou um ônus assaz pesado, tão cheio de benefícios perdulários, incompatíveis com a nossa árida economia.

Nesse contexto, o Estado sem poder edificar câmaras maciças de extermínio por estes brasis, deve apertar vis garrotes, e rumar o relho no consumidor, o contribuinte impatriótico da desigualdade nacional.

Foi aí que os carreteiros se rebelaram, sem algaravias nem orgias de mortadelas e coxinhas, para riso e choro dos eternos marreteiros em postura de patriota.

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