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O Samba-canção dissecado

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Falando de cátedra, o produtor musical, escritor e crítico Zuza Homem de Melo nos presenteia com Copacabana – a trajetória do samba-canção (1929-1958), um portentoso trabalho que chega para fechar o ciclo sobre a história de uma dos mais ricos e marcantes gêneros musicais brasileiros. A primeira obra de vulto sobre o samba-canção foi  A noite do meu bem, de Rui Castro, lançado anos atrás.
Dessa vez, o samba mais lento, sincopado, ideal para dançar e eternizar pela música os romances atribulados e, na maioria das vezes,  rompidos, tem a sua história ligada fortemente ao charmoso bairro de Copacabana, que fervilhava nos anos 30, 40 e 50 e que também foi berço da bossa-nova, sucedâneo quase natural do samba-canção.
Tive o privilégio de participar, no dia 26 de maio último, do lançamento do livro no Teatro SESC 24 de maio, em São Paulo, que foi precedido por  um show especial com uma seleção das músicas mais destacadas dessa nostálgica fase da MPB,  e a presença no  palco do próprio autor. Com alegria, irreverencia e charme, mesmo aos 85, Zuza Homem de Melo, protagonista daquele cenário carioca, que o fez amigo de músicos e compositores importantes do período, exibiu uma  performance cativante no espetáculo de quase duas horas de duração, com comentários pertinentes sobre as músicas, chamando ao palco intercaladamente os cantores Joanna, Luciana Alves e Zé Luiz Mazziotti, que interpretaram pérolas da MPB, como Linda Flor, Negue, Risque, Copacabana, As rosas não falam, O Mundo é um moinho, O “x” do problema, Castigo, Fim de caso, Não tem solução, Ouça, Segredo, Vingança, entre outras do mesmo quilate.
Algumas questões polêmicas foram tratadas pelo escritor com humor e delicadeza, como o imbróglio prolongado entre o casal Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, que produziu, fora as baixarias, algumas pérolas da MPB.  Os locais emblemáticos  são destacados também por Zuza como o Copacabana Pálace, os cassinos, templo maior dos teatros de revista, os cantores, entre eles, Dick Farney e Lúcio Alves, as vozes das rádios e os programas de auditório com suas resenhas musicais, o café society , as damas e as divas, destacando Dalva de Oliveira, a maior delas, Nora Ney,  Emilinha Borba, Dóris Monteiro, Elizete Cardoso, Maysa e Dolores Duran.
Muito mais pode ser apreciado em Copacabana – a trajetória do samba-canção ( Editora 34, 512 páginas – 1ª edição ), um amplo estudo, profundo, rico em ilustrações, que por certo se tornará em obra de referência dentro dos estudos musicais brasileiros. Recomendo.

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