Carta ao mar do amor que se foi

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Procuramos nesses dias de luto entender onde foi que erramos. Ficamos distantes. Reconheçamos nossa estupidez. Admitamos a incoerência do relacionamento. Quiçá não sabíamos o quanto nos amávamos. Nos deixamos soltos.

Saiba que o sofrimento é imenso. Fechamos os olhos e nos vemos em pensamentos. Por incrível que apareça sentimos o cheiro um do outro. Ouvimos nossas vozes a cada instante. Nos gretamos. Quanto amor! Amor este que não reconhecíamos pelo excesso de trabalho, pela impulsividade de apenas nos acordarmos e não nos olharmos. Quanta tortura!

Perdoemos-nos por sermos evasivos! Absolvamo-nos pela nossa possessividade! Isentemo-nos das noites que nos fizemos sofrer! Fomos por diversas vezes cruéis, mas é algo que nos arrependemos profundamente. Exculpemo-nos pelo luto, pois somos homem e mulher – serenos, belos, amáveis, honestos, etc. Indultemo-nos dos nossos erros – inúmeros erros! Relevamo-nos de todo mal que nos fizemos passar, principalmente nos últimos anos. Remitimo-nos de todas as tristezas. Quanto agonia!

Sei que nossas feridas estão a sangrar. Ambos machucados por instantes impensados que poderíamos ter resolvido d’outra maneira – menos agressiva. Nos afastamos um do outro como um barco que se solta do cais e é levado pela correnteza sem que o marinheiro perceba. Esse (s) marinheiro (s) somos nós. Pessoas confiantes do mar, fortes e outros tantos adjetivos incapazes de perceber que a força do mar teria levado o barco pelo nosso excesso de confiança. Quanto dor!

A correnteza nos leva para longe e nós e já não conseguimos nadar em busca do barco – amor. Respiremos, respiremos, respiremos e continuemos a nadar em direções opostas. Os embargos nos afastam. Quanto padecimento!

Devemos procurar ser mais tementes a Deus. Precisamos nos confessar. Ir a igreja pelo menos duas vezes na semana. Rezar com os filhos. Evitarmos expor nossas vidas. Mas a tristeza que nos toma conta pelos erros cometidos, nos fazem mais longe do nosso barquinho – amor. Quanto remorso!

Com mais que todos os “bons” que nos rodeiam neste momento digam que ainda não é nossa hora acreditemos que sim. Somos fracos! Sabemos disso! Sabemos da possibilidade de não mais estarmos juntos. Isso nos destrói, mas devemos a aceitar esta situação. Evitar até olhar para os olhos delas – nossas filhas – é um exercício que nos deixa enfraquecidos e sem forças para nadar atrás do barquinho – amor – que a correnteza está levando, levando e levando. Reflitamos! Vamos nos dar uma chance. Independente de quem quer que seja. Vamos nos concentrar em nosso núcleo familiar. Vamos viver nossas vidas como família. Vamos nos reinventar e deixem falar.

 

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