“A Arte de Amar”, por Yara Belchior

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Inúmeras vezes vemos pessoas de beleza plástica com padrão social imposto e aceitável pela sociedade, desprovidas de companhia. Pessoas que defendem com garras a beleza do corpo, a imprescindível “malhação diária”, mas vazias por dentro. Impõem as regras do que consideram correto, fazem a mídia fazer e acontecer em padrões de beleza e estética, mas o que é mesmo importante para ser amado?! Em primeiro lugar, ensina Ovídio, “para ser amado, seja amável”. Não basta exigir o amor para si de maneira possessiva e impositora, fazendo de maneira agressiva tudo o que imagina que o outro quer, esquecendo-se contudo de mostrar a si mesmo(a) o que deseja na relação: a posse total. Em nome da posse total “tudo” faz, mas esquece do respeito ao outro e a si mesmo, o direito de ser e existir livremente, com idéias, pensamentos, ações e companhias que também lhe permitam uma vida extra, fora o aprisionamento a dois, que ocorre quando o casamento ou união não permite nada além daqueles dois, muitas vezes um não deixando o outro se expressar. E é importante permitir que o outro se expresse e possa ser o que realmente é. Uma outra questão é a tirania social que a sociedade e algumas pessoas impõem de não permitir que após o casamento um sim possa acontecer para um amigo, uma amiga, uma pessoa de confiança ou quem quer que seja para uma reunião, almoço ou bate-papo no início ou durante a semana. E se ocorre, normalmente nas sociedades menos adiantadas, não é a mulher que pode protagonizar o papel de também poder sair e ter amigos. Será possível viver e apenas viver sem poder expressar-se, brilhar também para os outros?! Um outro ponto é o reconhecimento e enaltecimento das qualidades do outro. A arte de amar inclui saber valorizar e enaltecer o que o outro tem de bom, sempre, conversando com cautela sobre o que não parece conveniente até que se possa conversar e esperar acertos, pois há uma hora em que esperar não adianta mais. Expressar os sentimentos também é muito imprescindível, sejam eles quais forem. Não se constrói uma relação a dois sem amizade e confiança íntimas, que ultrapassa e muito a confiança do que se considera como traição sexual. Nas lutas da vida vence sempre aquele que manifesta os seus verdadeiros sentimentos e propósitos, sejam eles de amor, ódio ou indiferença. A sinceridade é algo que fortalece as pessoas. A sinceridade é na verdade a mais necessária e sublime forma de amor entre os homens, bem longe daquela sinceridade rala que se exige e que na verdade só faz magoar as pessoas sobre o que não interessa ou que não importa saber, por não se saber lidar com o que ouvirá. A maior honestidade é a dos propósitos íntimos e confiança nas questões básicas da vida, como o amor, carinho, aceitação do sucesso do outro, solidariedade em todas as horas, caráter. A vida a dois, como escrevi outro dia, é acima de tudo amizade, confiança, transparência de propósitos e divisão de intimidades com limites. É um desejo de estar próximo e dividir em conversas e atos o dia-a-dia de cada um, respeitando a privacidade e individualidade do parceiro, que só contribuem para o sucesso da relação. Mas voltando à beleza, que a sociedade tanto massifica em mídia, esquecendo-se que o amor se fundamenta com o tempo, atenções, carinhos, reconhecimentos e solidariedades íntimas diárias, voltemos a Ovídio, em A Arte de Amar: “Para ser amado, seja amável, pois não é suficiente a beleza dos traços, ou do corpo. Una os dons do espírito às vantagens do corpo. A beleza é um bem frágil: tudo que se acrescenta aos anos, ela diminui. Você também, belo adolescente, você conhecerá logo os cabelos brancos; conhecerá as rugas, que sulcam o corpo. Eduque agora o espírito, bem durável, que será o apoio de sua beleza: só ele subsiste até a fogueira fúnebre. Cultivar a sua inteligência. Ulisses não era bonito, mas sabia falar bem”, completa Ovídio, ao que acrescento: – É preciso saber fazer e entregar-se bem na construção do dia-a-dia. Pés no chão e cabeça nas estrelas. Ou, como canta Roberto Carlos, com voz encantadora: “Eu tenho tanto / pra lhe falar / mas com palavras / não sei dizer / como é grande / o meu amor / por você. // E não há nada / pra comparar / para poder / lhe explicar / como é grande / o meu amor / por você. // Nem mesmo o céu / nem as estrelas / nem mesmo o mar / o infinito / não é maior / que o meu amor / nem mais bonito / / Me desespero / a procurar / alguma forma / de lhe falar / como é grande / o meu amor / por você … // Nunca se esqueça / nem um segundo / que eu tenho o amor / maior do mundo … / como é grande / o meu amor / por você … / lalala … ” Abraço forte e feliz final e começo de semana. * Yara Belchior é jornalista-Colunista; bacharela em Letras-Português/UFS, com Pós-Graduação em Psicanálise/UFS; Iridologia/AMI. yarabelchior@infonet.com.br Reprodução somente com autorização da autora

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