“Psicanálise e o Social – Marcas da História”, por Yara Belchior

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Atribui-se a Escritora e Humorista americana Erma Bombeck (1927-1996) a seguinte citação: “– Aproveite o momento. Lembre-se de todas aquelas pessoas do Titanic que recusaram a sobremesa.” Na ânsia de “viver” e “ter”, muitas vezes esquecemo-nos de que a vida é eterna Lei de causa e efeito na qual podemos influir positiva ou negativamente, de acordo com as nossas ações. Nesta ânsia, às vezes não sobra tempo para substituir o ter, pelo Ser plenamente, pessoa, gente, amigo, camarada, esposo, esposa, namorado, namorada. Muitas vezes apostamos todas as fichas no superficial das aparências, sem valorizar devidamente os amigos leais, talvez as melhores coisas depois da própria pessoa e de Deus no Planeta Terra, no qual estamos agora. É assim então que muita gente, na ânsia de ânsia de “ter”, “ser” e “realizar”, tenta fazer parte da história sem responsabilidade, esquecendo-se de que na verdadeira história só estão aqueles que realmente são. Responsabilidade, Ética, Bons Valores, Respeito e Lealdade são coisas muito importantes em todos os setores da vida, ainda que os tempos atuais, “modernos”, estejam deixando de considerar valores assim em nome de um emprego, um destaque ou manutenção de um ‘status quo’ de vaidade que talvez não dê os frutos esperados. Ser plenamente requer muito mais do que um carro alegre correndo desgovernadamente ao longo da história. Hoje, cinco mil e trezentos anos depois, até o Homem do Gelo, encontrado em 1991 no Sítio de Otzi, entre a Áustria e a Itália, não escapa das mais absurdas análises, por quem se acha de “direito”. Imagine até que já disseram que Otzi “era gay e usava drogas”, como se uma coisa tivesse a ver com a outra, ou como se pudesse chegar a uma conclusão desta sem o testemunho da pessoa, para documentar. Mas certo é que Otzi, como assim foi denominado, foi encontrado numa posição linda, caído, de bruços sobre o rochedo, com muitos dos seus objetos e roupas inteira ou parcialmente congelados, intactos. Pôde-se ver, inclusive, o que ele tinha comido na última refeição, tendo-se a hipótese de que desencarnou sozinho, a 3.210 metros acima do nível do mar. Imagino que deve ter resistido o quanto pode, em seus ideais e reflexões, para ter desencarnado assim tão longe do seu grupo, de tudo e de todos, no alto da montanha. Mas com certeza, talvez, deva ter sido fiel a ele mesmo, às suas próprias convicções. Hoje em dia, aliás, soa estranho ter opinião, convicção de algo, alguma coisa. Até mesmo quem ainda não aprendeu o valor do barco, tenta ensinar a navegar, sem saber que pode não ter o mesmo destino do Homem do Gelo, que 5.300 anos depois deixou um apanhado da sua história para nós que estamos aqui e agora. E é aí onde entra o valor da Comunicação. É incrível como cada vez mais pessoas sem o menor conteúdo, opinião, formação ou responsabilidade, possam ocupar cargos de destaque nos Jornais, Rádios e Televisões. O que aconteceu com Gugu Liberato foi apenas uma censura a um Domingo que se tornou Ilegal, naquele dia, mas que pode muito bem servir de exemplo para milhares de aspirantes a cabo quando ainda não aprenderam a ser soldados. Ou o valor do Jornalismo com Formação pode ser mais considerado, agora. Gugu é carismático. Tem um trabalho social como base. Pode conseguir se sair bem e se for responsável dar a volta por cima com a criação de um Jornalismo sério e ético, que dê menos valor às matérias escandalosas que acabam “precisando” de fraudes assim para sobreviver. Ainda: maior valor à reflexão e esclarecimento dos fatos reais, ouvindo todas as partes envolvidas, sem criar cenários imaginários para coisas tão sérias, como inverídicas ameaças do PCC a pessoas famosas. Assim, dá no que dá, a ânsia de “ser”, “ter” e “viver” uma concessão pública, orçada em milhões de Reais, que deveria estar a serviço da comunidade, e não instrumento contra ela. Convém observar, entretanto, os sinais da vida, e dos fatos. Deus quando quer derruba tudo por Terra, e só mesmo muita fidelidade a Ele e aos Seus princípios para recuperar o que se perdeu por desrespeito a valores como Ética e Responsabilidade Social. O Homem do Gelo, por sua vez, o corpo humano mais antigo e preservado do qual se tem notícia até agora, é realmente uma coisa linda, muito mais do que linda: – A provável resistência de um homem, que em certo momento de sua vida preferiu recolher-se ao alto de uma montanha e lá passar os seus últimos momentos encarnado, em obediência a este ou aquele princípio, não sabemos qual, apenas a certeza de que ao lado das carnes de veado vermelho, cabra montanhesa, farelos, musgos e grãos, não foram encontrados restos da sobremesa no seu estômago. A sobremesa ele comerá depois, na Eternidade, cuja palavra por si mesma define o que fica, o que vai para sempre e o que pode voltar, com o vento. * Yara Belchior é jornalista-Colunista; bacharela em Letras-Português/UFS, com Pós-Graduação em Psicanálise/UFS; Iridologia/AMI. yarabelchior@infonet.com.br Reprodução somente com autorização da autora

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