“Psicanálise e o Social: O Lugar dos Vivos e o Lugar dos Mortos”, por Yara Belchior

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Na Psicanálise, o lugar do “morto”, que não é o do cadáver, é destinado ao Psicanalista, que, entretanto, deve ter a sensibilidade – observada antes no processo das entrevistas preliminares / transferência – para pontuar o paciente(ou cliente, como chamam alguns) na hora certa No divã, o paciente pode e deve exprimir o que desejar, como desejar, da forma que lhe vier à mente, sem ordens cronológicas ou interação de fatos ou palavras, apenas falando. O Psicanalista normalmente fica sentado em posição contrária aos olhos do paciente, para que este fique mais à vontade e possa fazer com que o inconsciente se manifeste sem bloqueios ou censuras que possam ser(ainda que não existam) sentidos pelo olhar voltado para o Psicanalista. De qualquer sorte, também, na posição de morto, que não é o cadáver, o psicanalista tem sempre os olhos fechados, mas os ouvidos atentos, na escuta que a Psicanálise costuma chamar de flutuante. No dia-a-dia, diferente de um consultório de Psicanálise ou de terapias afins, lidamos com as transferências, os significados e significantes do outro, no qual nos refletimos, tal como todas as pessoas, deixando de lado a formação, a prática, o conhecimento e a postura acadêmicas para ser simplesmente uma pessoa qualquer, tal qual um médico ou advogado, que não levam seus processos e posturas para conhecimento da casa ou da rua. Assim, diferente de um Consultório, no dia-a-dia temos e devemos ter todo o direito de ocupar o lugar dos vivos, opinando e trocando idéias com a sociedade e as pessoas, opinando e ressaltando o que consideramos correto ou errado. Uma coisa é respeitar a singularidade de cada um e reconhecer em cada pessoa o direito ao livre arbítrio, dado por Deus. Outra é, em nome de um lugar do “morto” que só deve existir no Consultório, fechar os olhos para as mazelas do mundo e de quem por ventura conviva conosco, e deixar que tudo role ao bel prazer de quem quer e faz. Os parâmetros do universo significativo de cada pessoa ou de cada grupo se estabelecem por laços simbólicos, positivos ou negativos. Não é à toa que pessoas de pensamentos diferentes encontram-se e muitas vezes convivem juntas. Isto acontece exatamente para que troquem idéias, convivam e aprendam uns com os outros, na convivência diária. Fica apenas a lembrança da distinção dos diferentes papéis e lugares, acerca dos vivos e dos “mortos”. Um abraço e um excelente final de semana. * Yara Belchior é jornalista-Colunista; bacharela em Letras-Português/UFS, com Pós-Graduação em Psicanálise/UFS; Iridologia/AMI. yarabelchior@infonet.com.br Reprodução somente com autorização da autora

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