“Psicanálise e o Social – Os Cachorros da ´China´”, por Yara Belchior

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O Planeta dos Macacos atual é uma refilmagem pela 20th Century Fox da película de mesmo nome, lançada em 1968. Dirigido por Tim Burton, com Roteiro de William Broyles Jr., Lawrence Konner, Mark Rosenthal e Charles Wicker, narra um acidente na espaçonave comandada por Leo Davidson (Mark Wahlberg), que acaba por cair em um planeta estranho e rudimentar, onde os humanos esmolam por sua subsistência, sendo caçados e escravizados por macacos tiranos, que formam o poder local. Sem concordar com a opressão imposta à raça humana, Leo com sua inteligência logo se torna uma séria ameaça ao poder local dos macacos, dando início a uma revolução social no estranho planeta com a considerável ajuda da símia “Dra. Zira”, mais agitada nesta refilmagem. Filha de um senador macaco local, “Dra. Zira”, na tentativa de ajudar os humanos massacrados pelos seus irmãos macacos (de várias espécies na ficção-científica do filme), acaba quase prejudicada, não fosse o começo do final onde o planeta de lá reorganiza a relação entre homens e macacos, enquanto o daqui, Terra, passa a ser dominado por macacos, transformando-se então na grande surpresa para Leo em seu retorno à terra natal. O filme não é tão claro em seu final. Pensa-se então que uma grande mudança no planeta Terra ocorreu, enquanto Leo estava por lá, no espaço; que o tempo que ele passou no espaço pode ter sido atemporal, diferente da contagem e percepção de tempo daqui, ao ponto de quando chegou, o seu próprio planeta já estar dominado por milhões de macacos, que ao viajar para o espaço não eram mais que poucos mantidos em zoológicos. Enfim, embora não tão rico em desenrolar e final, mas marcante em figurino e maquiagem, O Planeta dos Macacos atual leva a uma grande lição: a forma como são tratados os animais e uma reflexão sobre a lei de causa e efeito da vida, bem como o célebre e antigo ditado popular: – Quem olha para a casa dos outros, se esquece da sua. O que serve e bem para o momento atual que vivemos, quando os Estados Unidos empregam bilhões de dólares em busca de domínios espaciais – através de camufladas pesquisas em outros planetas – mas não investem o mínimo dos mínimos necessários para salvar a espécie humana da dor e do sofrimento causados pela fome, doenças e falta de estruturas básicas de moradia e mínimo desenvolvimento humano. Ponto Nevrálgico Recentemente, estamos em 04.08.2004, a cidade, não sei por que, parou para comentar uma suposta relação íntima entre uma pessoa e um animal, com alardes espantosos, bastante provincianos, visto que são fatos que só mereceriam maior destaque em uma abordagem de saúde e psicologia, que a pessoa procurasse encaminhando o animal também para tratamento, visto que também deve ter passado, passar, por seqüelas físicas e emocionais, ao ser levado a se relacionar intimamente com um tão diferente da sua espécie. No atual filme do Planeta dos Macacos, também, o que se observa é que embora por lá os macacos falem e pensem rudimentarmente, dominando com força bruta os humanos, ainda assim não é nem por longe concretizada uma relação íntima pessoal entre o astronauta Leo e a pensante símia Zira, prevalecendo uma certa barreira pela diferença entre as espécies, bem sublimada no filme, sem que um queira parecer melhor que outro. Aliás, para quem conhece bem as leis da evolução, sabe muito bem que não somos melhores que os mosquitos, e das hipóteses de origens por bactérias. Mais: quem desejasse sair um pouco da falsa “moral e bons costumes” de observar os distúrbios alheios tendo os seus para negócios, poderia ver que no caso da suposta relação entre o animal e a pessoa, houve uma estranha transferência de sentimentos dela para ele, que com certeza não está preparado para receber o que hipoteticamente a pessoa se propôs, apenas isso. Muito mais grave é observar que enquanto aqui o cachorro configura-se como o melhor amigo do homem, na China, cantada e visitada em verso e prosa, os cachorros são assassinados em restaurantes da cidade para servir como iguarias em pratos; isto sem falar nos humanos que são condenados sem julgamentos em 7 de 10 casos, sendo submetidos a trabalhos semi-escravos, torturas psicológicas e outros estragos do gênero, como matar para roubar e vender os órgãos do corpo depois no mercado negro, como se não fosse nada. Mas quem é que vai se preocupar com isso diante de tanta tecnologia e “possibilidade” de “riqueza”, não é?! “Bobagem …” A crueldade justifica o poder?! Se os cachorros da China falassem, e os animais daqui pudessem ter voz, com certeza falariam em nome do Rio Sergipe, que continua a receber dejetos, embora reclamemos disso há mais de duas décadas em diversos artigos, e certamente concordariam com Viereck em entrevista a Freud, 1930, ao dizer que o ser humano não ficaria mais feliz se descobrisse os pequenos complexos e motivos que fazem parte da mente humana. Depois poderemos falar melhor sobre esta inesquecível entrevista. Um bom dia para todos. * Yara Belchior é jornalista-Colunista; bacharela em Letras-Português/UFS, com Pós-Graduação em Psicanálise/UFS; Iridologia/AMI. yarabelchior@infonet.com.br Reprodução somente com autorização da autora

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