“Psicanálise e Regressão (I)”, por Yara Belchior

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Sempre inovadora e com a cabeça aberta a novos caminhos e estradas, Yara Belchior escreve sobre Psicanálise e Regressão. Buscar o passado, compreender o presente e alcançar o futuro com melhores resoluções. A Terapia de Vidas passadas é uma forma que temos de buscar no passado à compreensão do presente, libertando-nos de antigas limitações, sofrimentos e sintomas que podem estar vindo de outras vidas, em encarnações sucessivas. Em “O Desenlace de uma Análise”, Gérard Pommier nos diz que o “Sintoma é um termo que possui uma forte conotação orgânica e, geralmente, o analisando não faz uma ligação entre ele e sua vida psíquica. É preciso que um ou vários médicos lhe façam notar por várias vezes que não tem “nada”, para que lhe venha a idéia de que a origem dos seus dissabores não é exatamente fisiológica”. Em psicanálise, o sintoma surge de maneira diferente de um distúrbio que causa sofrimento apenas físico: é um mal estar que incomoda, que se impõe a nós e nos cobra resoluções mentais. Assim o sintoma pode estar além das conotações orgânica(medicina) e psicanalítica(o inconsciente), em vidas passadas, que podem ser acessadas também através das associações livres ou direcionadas do próprio inconsciente, que é a própria pessoa através da fala. Sempre defendi a idéia de que devemos buscar um pouco de tudo, e através do nosso discernimento e reflexão, adequar às nossas práticas a mais de uma corrente ou linha de pensamento, estabelecendo a nossa própria forma de viver e fazer as coisas. É por esta razão que a psicanálise não precisa estar dissociada da terapia de vidas passadas. Muito pelo contrário, através da TVP o analisando pode buscar melhor a compreensão dos problemas que o afligem no presente, entendendo a raiz e as situações de onde eles se originaram. Hoje, mais de 100 anos depois de “A Interpretação dos Sonhos”, de Freud, sabemos que os sintomas não pertencem só ao corpo; pertencem a alma, ao espírito, ao próprio sujeito que é o inconsciente, o que ele representa, manifesta e deseja através da fala e atitudes associadas à ela. É através desta manifestação, com compreensão e busca do que possam ser outras vidas, aceitação de outras existências, que a terapia de vidas passadas pode abreviar e muito o processo analítico: deixando fluir o inconsciente nesta e em outras dimensões, todas no próprio sujeito, através do processo de regressão de memória, tvp, que muitas vezes manifesta-se inconscientemente, quando a pessoa diz: “acho que fui isto ou aquilo em uma vida passada para estar me acontecendo isto nesta”. O próprio Freud em seus postulados estabeleceu a Psicanálise como uma ciência aberta, não presa a esta ou aquela corrente, e não proprietária da medicina: não é preciso ser médico para ser psicanalista. Os sintomas da medicina diferem dos sintomas psicanalíticos, embora uma dor de cabeça ou sintomas físicos possam estar relacionados a sintomas psíquicos, observados pela psicanálise através do inconsciente ou outras formas de manifestação da fala, do sintoma que incomoda. Assim, problemas que se iniciaram muitas vezes em outras vidas, podem estar se solidificando e prejudicando à vida atual da pessoa por conceitos, valores e coisas que ouviu ou foi levada a acreditar, absorver, em vidas passadas. Hoje, o mundo todo sabe que a medicina por si só não estabelece nada; que os profissionais que cuidam do ser humano podem e devem trabalhar em conjunto, intercambiados, em boa e produtiva relação, tanto para profissionais como para pacientes, clientes, como queiram estabelecer. Sabemos que os corpos se manifestam através da energia que ultrapassa as matérias densas e convencionais conhecidas, e que a realidade que vivemos pode estar envolvida e permeada por mais de uma dimensão. A realidade é tridimensional e habita o sujeito em toda a sua inteireza. O que a terapia de vidas passadas faz é libertar o sujeito de experiências negativas do passado através dele mesmo, da própria pessoa, que regredindo, com o auxílio e pontuação do profissional devidamente habilitado, preparado, faz com que ele encontre as raízes das situações, trate-as no presente e possa imaginar um futuro com melhores resoluções. A psicanálise, a medicina e outras ciências de tratamento do homem, isoladas, não podem ser donas de verdade alguma, mas junto com outras ciências e versões de tratamento podem ser encaminhadoras de muitas coisas positivas. Não basta ser “dono de uma escola”, pertencer rigidamente a esta ou aquela corrente de pensamento como forma de garantir o seu “passe” ou ingresso na área. É preciso que, além da formação acadêmica, análise e supervisão pessoal no início da carreira, o profissional credenciado à psicanálise ou outras ciências correlatas possa compreender que após a travessia do processo analítico, do conhecimento da sua “verdade” e do seu real desejo, possa saber sublimar ou encaminhar devidamente o que quer, vencer o que se manifesta no final, não só com futuras análises de manutenção mas com a compreensão do que existe além da vida, que se manifesta aqui e agora. * Yara Belchior é jornalista-Colunista; bacharela em Letras-Português/UFS, com Pós-Graduação em Psicanálise/UFS; Iridologia/AMI. yarabelchior@infonet.com.br . Reprodução somente com autorização da autora

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