Um cordelista mais do que consagrado!
16/05/2006


João Firmino Cabral é referência em Literatura de Cordel
Falar de cultura nordestina é também falar de Literatura de Cordel. Intitulada pela forma como são vendidos os folhetos, ou seja, dependurados em barbantes (cordões), esse tipo de literatura pode ser encontrada nos mercados, feiras e bancas de jornais.

O cordel chegou à Península Ibérica no século XVI e aportou no Brasil quando Salvador ainda era capital da nação. Por volta de 1750, os folhetos começaram a surgir no Brasil, quando logo se espalhou pelo Nordeste. Atualmente, Sergipe é referência em Literatura de Cordel, uma vez que mantém em sua história nomes como João Firmino Cabral.

 

PORTAL INFONET - O que o fez optar pela Literatura de Cordel?

JOÃO FIRMINO CABRAL – A minha história com a Literatura de Cordel começou há 50 anos e teve como principal influência o estilo cantador de feira e embolador do meu pai, Pedro Firmino Cabral. Ainda na juventude, comecei a interessar-me pelos folhetos e acabei utilizando a literatura para aprender a ler.

 

INFONET – Quais autores e produções serviram como referência na escolha da Literatura de Cordel?

JFC – O autor que mais me serviu de referência foi o paraibano Manoel d’Almeida Filho, autor de obras, como “Vida, Vingança e Morte de Corisco” e “A Menina que Nasceu Pintada com as Unhas de Ponta e a Sobrancelha Raspada”. Manoel tornou-se membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), no Rio de Janeiro, em 1995.

 

INFONET – Como se sente sendo um dos fundadores da ABLC?

JFC – Lisonjeado. Sergipe é tido como referência em Literatura de Cordel pelo interesse de escritores em traduzir a cultura nordestina para o resto do mundo. Prova disso é o desempenho do cordelista Gilmar Ferreira, que no dia 17 de Abril, tomou posse na cadeira nº 2 da ABLC.

 

Banca no mercado Antônio Franco é atração para sergipanos e turistas
INFONET - Sergipanos e turistas visitam constantemente a sua banca no Mercado Antônio Franco. Com a exibição, seus folhetos estão sendo divulgados em outras regiões do Brasil ou mesmo no exterior?

JFC – No Brasil já divulguei meu trabalho em estados nordestinos, como o Maranhão, Piauí, Paraíba e Bahia, embora Sergipe seja meu ponto de venda fixo. Como diversas instituições no exterior, a exemplo das faculdades, já aderem ao cordel, tive livros publicados na França e em Portugal.

 

INFONET – Em que você se inspira no momento em que elabora os cordéis?

JFC – A minha maior inspiração é a natureza. Além dela, julgo serem as histórias do cangaço bastante interessantes, já que a cultura nordestina está muito presente nos versos cordelianos. Interesso-me também por temas polêmicos, como o racismo, o qual me rendeu duas produções.

 

INFONET – Das 60 obras publicadas, quais foram as mais consagradas?

JFC – Gosto muito dos folhetos “A vingança de um inocente”, “História, Vida e Morte de Luiz Gonzaga” e “A revolta de um escravo”. As mais novas produções têm o enfoque na política brasileira, cujos títulos são “Os Corruptos do Brasil” e “A revolta de um escravo”.

 

INFONET - Há um novo projeto em andamento?

JFC – Estou sempre buscando novas idéias para a construção dos cordéis. Conforme a inspiração, os trabalhos se mantêm em andamento.

 

Por Nubia Santana