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Para Rogério, expressão musical foi criada quando os festejos eram comemorados nos 75 municípios (Foto: Eduardo Oliva) |
“Sergipe é o país do forró”. Com essa expressão, criada há quase vinte anos, o cantor Rogério ajudou a escrever seu nome na história da música nordestina. Natural do município de Estância, ele é conhecido como um árduo defensor da cultura sergipana, retratando sempre em suas composições a paixão pela terra natal.
Mas será que hoje Sergipe ainda pode ser considerado o país do forró? Em entrevista ao Portal Infonet, ele relata que a expressão foi criada durante o período em que os festejos juninos eram comemorados nos 75 municípios, situação totalmente oposta à atual, em que muitas cidades não promovem os tradicionais eventos.
Confira aqui os principais trechos da entrevista concedida momentos antes do show desta quinta-feira, 21:
Portal Infonet: Você esteve em todas as edições do Forró Caju. Qual o significado dessa festa para o seu trabalho?
Rogério: Acho que há um respeito mútuo. Sempre sou convidado a participar desse grande evento e fico muito grato por isso. Por outro lado, se estou aqui sempre é porque faço um bom trabalho e isso é reconhecido pela organização da festa. O Forró Caju é o principal palco para a música sergipana e temos que nos orgulhar disso.
Portal Infonet: Como surgiu a expressão ‘Sergipe é o país do forró”?
Rogério: Essa foi a forma que encontrei para demonstrar o meu amor pelo estado e pela nossa cultura. Quando criei esse lema, tínhamos comemorações por conta dos festejos juninos nos 75 municípios, o que transformava Sergipe em um verdadeiro arraial.
Portal Infonet: É verdade que você foi convidado a adaptar essa música para outro estado?
Rogério: Há algum tempo, fui procurado por um empresário que sugeriu a substituição do trecho “Sergipe é o país do forró” por “Bahia é o país do forró”. Além disso, eu teria que trocar os municípios sergipanos citados na música por cidades baianas. É claro que recusei essa proposta. Argumentei que tinha capacidade para compor outra canção, mas jamais mudaria alguma coisa na música. Essa composição não me pertence mais. Ela é de domínio popular, daquele garoto que está na escola e pesquisa sobre a nossa história.
Portal Infonet: Ao longo de sua trajetória, foram incorporados novos elementos aos shows. Como se deu esse processo? Foi uma maneira de continuar presente no mercado?
Rogério: A música mudou muito nesse tempo. Novos instrumentos passaram a ser utilizados, a tecnologia evoluiu muito e o gosto do público também foi se aprimorando. Então, foi necessário fazer algumas mudanças em nosso trabalho. Hoje nos preocupamos mais com o aspecto visual das apresentações, acrescentamos um tempero no repertório, com músicas mais dançantes, e passamos a utilizar os bailarinos. Porém, é importante ressaltar que a essência da minha música não mudou. Continuo um árduo defensor do forró tradicional.
Portal Infonet: Há alguma preparação especial para o show desta noite?
Rogério: Como estamos no ano que comemora o centenário do nascimento de Luiz Gonzaga, o repertório inclui mais canções do Rei do Baião. Espero que o público aprove essa ideia.
Por Wellington Amarante