Trump e o cachorro

                Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
   “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

Hoje, 3, ocorrem as eleições de meio de mandato nos EUA,  que elegerão todos os 435 membros da Câmara e 35 das 100 cadeiras no Senado. As pesquisas mostram que o desgastado Trump deve perder a maioria na Câmara e até mesmo no Senado.  Dois textos de leitores sobre Trump que o blog assina embaixo:

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 Trump e o cachorro Por Wanderson Bastos

Donald Trump decidiu que a eleição brasileira foi uma vergonha. Não apresentou  fraude, dispositivo violado ou método clandestino. A prova, esse incômodo que  retarda as certezas, foi dispensada. Também não indicou quem seria o vencedor  legítimo. Preferiu conservar a suspeita no ar. É mais barato do que demonstrá-la e costuma render mais aplausos.

Mandou o público olhar para o mercado. A bolsa teria caído. O inquérito estava  encerrado. Na democracia segundo Trump, o cidadão vota, o mercado homologa  e ele decide se a controvérsia pode ser enterrada. Se o resultado desagrada,  mantém o cadáver à vista. Sempre pode servir a outro discurso.

A preocupação com o Brasil seria tocante, se a própria casa não pedisse socorro  pela janela.

Seu segundo mandato acumula problemas. A inflação ao consumidor permanece em 3,6%. O salário real por hora encolheu. A aprovação caiu para a faixa dos 32%. O custo de vida cobra a conta na popularidade, e a guerra com o Irã
encarece a gasolina. O eleitor abastece o carro, olha o recibo e recebe, como compensação, um presidente indignado com a urna brasileira. Deve haver algum consolo em saber que o dinheiro acabou, mas a fiscalização internacional dos desafetos continua ativa.

A Suprema Corte também atrapalhou a recreação. Impôs limites constitucionais à restrição da cidadania por nascimento e barrou o uso da lei de emergência para a farra tarifária. A Constituição conserva esse defeito. Às vezes, alguém resolve aplicá-la justamente ao sujeito que se considera sua exceção.

No Congresso, as maiorias são estreitas e correm risco nas urnas. O déficit fiscal chega a dois trilhões de dólares. Há serviço suficiente para ocupar um presidente. Trump, porém, encontrou uma vocação suplementar. Quer conferir
a legitimidade do voto brasileiro. O teto americano estala, e o morador sai para denunciar a pintura do vizinho.

A Bíblia, no livro dos Provérbios 26:17, descreve o sujeito que se mete em briga alheia como alguém que agarra um cão pelas orelhas. O texto dispensa assessoria  de comunicação. Bastam um intrometido, duas mãos e uma sequência previsível de arrependimentos.

O transeunte podia continuar andando. Tinha caminho, destino e problemas próprios. Resolveu parar. Confundiu acesso à confusão com autoridade sobre ela e segurou o animal. Durante alguns segundos, parece mandar em tudo. Depois  percebe que ocupou as duas mãos e pôs o rosto diante dos dentes. Segurar cansa. Soltar exige uma negociação para a qual o cachorro não nomeou embaixador.

Trump parece apreciar esse modelo de diplomacia. Encontra uma disputa, introduz os dedos e chama a exposição ao risco de demonstração de força.  Há, contudo, um detalhe desagradável para sua pretensão. O título de eleitor brasileiro não possui campo para autorização da Casa Branca. O Brasil escolhe seus representantes sob suas regras constitucionais. A opinião de um presidente estrangeiro pode produzir manchetes, atritos e constrangimentos.
Não transfere votos. Não outorga mandato. O microfone ainda não se tornou instância recursal da soberania alheia.

Trump chegou a alegar neutralidade. Disse que o presidente brasileiro lhe pedira para não tomar partido. Apresentou a abstenção como favor pessoal. É uma concepção generosa de convivência entre países. Ele deixa de interferir e espera agradecimento pela delicadeza. Falta enviar a fatura.

Convém preservar a medida dos fatos. Uma declaração hostil não equivale, por si, a uma medida concreta de coerção. O barulho não prova que o ataque começou. Expõe, porém, a pretensão de tratar a escolha de outro povo como assunto sujeito ao seu consentimento.

Enquanto isso, a gasolina continua cara. O déficit não encolhe por constrangimento. Os tribunais não revogam decisões para melhorar seu humor. A eleição legislativa se aproxima, e o eleitor americano permanece inconvenientemente interessado na própria vida.

Trump pode continuar puxando as orelhas do cachorro. Não mudará a contagem das urnas brasileiras. Pode apenas acumular atritos e descobrir que a soberania alheia oferece menos obediência do que esperava.

Depois mostrará os dedos e denunciará a mordida como engodo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O iminente e desejado colapso suíno: 3 de Novembro de 2026  Por Clarkson Moura:  “O decandente, agressivo, belicoso e voraz “Barrão Gazo do “Tio Sam” — cujo atual índice de rejeição atinge 67% no ranking de desempenho governamental — corre o risco iminente de ficar encurralado ou emparedado pelas duas Câmaras do Congresso norte-americano, a partir das próximas Eleições Gerais de Meio de Mandato, “Midterm Elections”, marcadas para 3 de novembro deste ano — caso o resultado eleitoral lhe seja desfavorável, conforme retratam as últimas pesquisas de avaliação de desempenho governamental do declinante, arrogante e prepontente Imperador do “Tio Sam” e “II Capo di Tutti Capi” da Extrema-Direita internacional — nais quais 100% da Câmara dos Representantes, ou seja, todas 435 cadeiras de deputados, 35 cadeiras das 100 do Senado e 36 cargos de governador dos 50 Estados-Membros dos Estados Unidos da América (EUA) estarão em disputa.  Portanto, a exemplo de milhões de cidadãos das mais variadas nacionalidades, esparramados pelo Mundo afora — acredito — não vejo a hora dessa “boa-nova” vir a se concretizar na referida data, estabelecida para realização dos esperados e notórios pleitos intercalados estadunidenses. Aguardemo-la!”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lançada em Aracaju a 2ª Edição do livro sobre Cannabis Medicinal No último sábado, 31, no Shopping RioMar em Aracaju, foi lançada a 2ª ediçãodo livro Cannabis Medicinal: Guia de Prescrição, publicado pela Editora Manole em parceria com o Instituto Anandamida. A obra reúne 21 capítulos sobre fundamentos científicos e aplicações terapêuticas da cannabis medicinal. Lançamento acontece neste sábado (31), no Shopping RioMar. O lançamento reuniu profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes e interessados no avanço do conhecimento científico sobre a cannabis medicinal.

A obra  Revisada e ampliada, a publicação reúne 36 profissionais de diferentes áreas da saúde, sendo 29 médicos, quatro biomédicos, duas farmacêuticas e uma cirurgiã-dentista. Entre os médicos participantes, destacam-se profissionais de Medicina de Família e Comunidade, Psiquiatria, Geriatria, Nutrologia, Ortopedia, Acupuntura e Neurociências. A obra conta com 21 capítulos, que abordam desde os fundamentos da prescrição e o funcionamento do sistema endocanabinoide até as possibilidades terapêuticas dos canabinoides em condições como epilepsia, dor crônica, ansiedade, insônia, fibromialgia, doença de Alzheimer, transtorno do espectro autista e outras condições clínicas.

Organização A segunda edição é organizada pelos médicos Victor Vilhena Barroso, Carlos José Zimmer Junior e Pedro da Costa Mello Neto, profissionais vinculados ao Instituto Anandamida e atuantes na produção e disseminação do conhecimento científico sobre cannabis medicinal. Além de reunir diferentes especialidades, a publicação conta com a participação de pesquisadores com produção científica nas áreas de neurociências, farmacologia, psiquiatria e saúde pública, fortalecendo o caráter multidisciplinar da obra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Simpósios da UFS debatem audiologia infantil e soluções para pessoas com deficiência e Transtorno do Espectro Autista” A Universidade Federal de Sergipe (UFS) realiza, no dia 6 de novembro, o V Simpósio de Audiologia Infantil e o I Simpósio Soluções para Pessoa com Deficiência e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os eventos são coordenados pela professora  Dra. Bárbara Rosa, do Departamento de Fonoaudiologia (DFO), e pelo professor Dr. Paulo Ribeiro, do Departamento de Medicina (DME), ambos do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS). As atividades começam às 8h30, no auditório do Departamento de Computação (DComp), na Vivência do campus São Cristóvão, e a solenidade de abertura está marcada para às 9h10. Todas as vagas já foram preenchidas.

Detecção precoce  Segundo a professora Bárbara Rosa, a discussão sobre a deficiência auditiva na infância passa pela detecção precoce. “A cada mil bebês que nascem, um tem surdez. Quando a criança apresenta algum indicador de risco, esse número sobe para um a três a cada cem nascimentos. Por isso, o diagnóstico e a reabilitação precoces são fundamentais para minimizar os impactos dessa deficiência na vida do sujeito”, explica.

1º Bloco A programação é dividida em dois blocos. O primeiro, dedicado à audiologia infantil, aborda temas como triagem auditiva neonatal, diagnóstico audiológico na infância, alterações de processamento auditivo, tontura infantil e soluções auditivas para a deficiência auditiva. As palestras serão conduzidas por docentes do DFO, do Hospital Universitário (HU-UFS), do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Inovação Tecnológica em Saúde (PPGITS), do Núcleo de Educação em Saúde Coletiva (NESC) e da Uninassau.  No intervalo, o público poderá conhecer a mostra do projeto “Moradia Inclusiva”, do Instituto Girassol.

2º Bloco  O segundo bloco é voltado a soluções para pessoas com deficiência e TEA. “Quando falamos de uma pessoa com deficiência, o foco precisa estar no que podemos fazer para ajudá-la”, destaca a coordenadora.  A partir das 11h, acontece a mesa-redonda “Políticas Públicas para PcD e TEA”, mediada pelo professor José Rabelo, docente do PPGITS. Participam o coordenador do simpósio, Paulo Ribeiro, médico sanitarista, e Dayse Xavier, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONSER).

Aplicativo “Passo Certeiro¨  Na sequência, a estudante Débora Gonçalves, do DComp, apresenta o aplicativo de mobilidade “Passo Certeiro”. A fonoaudióloga Kamilla Gomes fala sobre Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), e o professor Álvaro Lucas, da Polícia Civil de Sergipe, discute os perigos do ambiente virtual. “Imagine alguém com deficiência que cai em algum golpe. Como agir? Esse é um dos temas que vamos abordar”, afirma Bárbara Rosa. O encerramento está previsto para as 12h30, após sorteios entre os participantes. O evento conta com apoio da Fapese, do PPGITS, do Centro Acadêmico de Fonoaudiologia (Afon), da FonEJ, do DComp, do NESC, do Ladata e do Innovation Hub, entre outros parceiros.  Contato: solucoespcdetea@gmail.com

Acadêmico Francisco Diemerson é eleito membro correspondente da Academia Sergipana de Letras O Acadêmico Francisco Diemerson, um dos fundadores e ex-Presidente da Academia de Letras de Aracaju foi eleito membro correspondente da Academia Sergipana de Letras, devendo ocupar a cadeira n.º 11, que tem como patrono o professor Sinfrônio Cardoso, em sessão ocorrida no último  dia 26 de outubro. O nome de Francisco Diemerson foi indicado  pelo Presidente da ASL, Acadêmico José Anderson Nascimento e, após análise favorável de uma comissão especial que destacou a trajetória intelectual do novo Acadêmico como professor, historiador e gestor cultural, foi aprovado  por unanimidade.

Trajetória  Doutor em História e Mestre em Educação, Francisco Diemerson atualmente reside em Petrolina e atua como professor adjunto do Colegiado de História da Universidade de Pernambuco. Além de integrar a Academia de Letras de Aracaju, foi docente do Centro Universitário Pio Décimo, conselheiro titular e presidente do Conselho Estadual de  Cultura e coordenador geral da Coordenadoria de Patrimônio Cultural da FUNCAP.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O genial Rubens Lisboa aparesentará dia 25 de novembro, show “Coraçãozinho” no Memorial de Sergipe  O compositor e cantor Rubens Lisboa se apresentará no Memorial de Sergipe no dia 25 de novembro (quarta-feira), às 20 horas, em um novo e intimista show.  Intitulado “CORAÇÃOZINHO”, esse show trará à tona belas pérolas que marcam a história da nossa MPB.  E entre excertos poéticos, Rubens também dará vez e voz ao próprio universo musical, mostrando canções de sua autoria, algumas delas ainda inéditas.

Trajetória  Com quatro CDs solo na trajetória e uma coletânea tripla em que nomes consagrados nacionalmente registraram sua obra, Rubens faz de suas apresentações verdadeiros pontos de encontro entre os amantes da boa música. Ele se entrega de corpo e alma às canções que escolhe a dedo para integrarem o repertório, revelando seu lado de intérprete versátil e visceral. Nesse show, Rubens estará acompanhado dos músicos Dênisson Cleber (violão) e Erich Martins (teclados). Ingressos já estão disponíveis através do site do SYMPLA. Link direto: https://www.sympla.com.br/evento/rubens-lisboa-no-show-coraCAozinho/3631395

Ações de combate à sífilis em Aracaju: conscientização e testagem ao tratamento Em outubro, além da campanha de conscientização contra o câncer de mama, também ocorreu a campanha de combate à sífilis e à sífilis congênita, infecção sexualmente transmissível (IST). Em Aracaju, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), realiza um trabalho que vai da conscientização e testagem ao tratamento. A sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum. Ela possui diferentes estágios, sendo eles primário, secundário, latente e terciário. Por mais que seja uma IST, a sífilis também pode ser transmitida de maneira vertical, ou seja, de mãe para filho, sendo classificada como sífilis congênita.

Dados  Segundo dados da SMS, foram registrados 1.019 casos de sífilis de janeiro a setembro, na capital sergipana. Desse total, 691 casos foram de sífilis não especificada; 247 casos em gestantes; e 81 casos de sífilis congênita.  Buscando reduzir o número de casos, a SMS realiza ações ao longo do ano que levam a testes rápidos e conscientização sobre a doença. A referência técnica do Programa Municipal da Sífilis, Annie Stoduto, explica a importância da realização da campanha do Outubro Verde e de outras ações para disseminar as informações e os perigos da infecção.

Foco “Campanhas como Outubro Verde vem com o objetivo de conscientizar a população, sobre a prevenção, o diagnóstico e tratamento da sífilis e da sífilis congênita. A sífilis, ela é uma IST, uma infecção sexualmente transmissível, que na maioria das vezes é passada por meio de relações sexuais sem preservativo, mas que pode ser transmitida da mãe para o bebê, durante a gestação. Então, nosso foco é disseminar a importância da testagem porque ela permite a identificação precoce”, pontua. A gerente reforça ainda que a rede municipal busca propagar que a testagem contra ISTs faça parte da rotina de toda a população, para que se diminuam os números. “Nossa meta é que os testes rápidos virem cuidado na rotina das pessoas porque alinhando isso às medidas de proteção, como uso de preservativos, conseguiremos quebrar esse ciclo de transmissão”, alerta.

Testes em 45 USF  Os testes rápidos são realizados nas 45 Unidades de Saúde da Família (USF) de Aracaju e em projetos como o Tamo Junto. A iniciativa leva mais de 100 serviços municipais aos bairros da capital. Annie destaca que qualquer pessoa pode fazer o teste rápido. Nas USFs,  o usuário é atendido por um médico ou enfermeiro que realiza o teste e caso dê positivo para alguma IST, a pessoa é notificada. “O resultado do teste saí em 20 minutos e caso seja positivo, o usuário é encaminhado ao tratamento de acordo com o estágio da doença”, afirma. Como a sífilis também é transmitida durante a gestação, é necessário que as grávidas sejam testadas. No Hospital e Maternidade Lourdes Nogueira (HAMA), as gestantes realizam o teste assim que dão entrada para o parto, mesmo que não tenham suspeita da doença.

Consequências graves  A referência técnica destacou que com a sífilis congênita o cuidado deve ser maior, pois pode gerar consequências graves e até mesmo levar à morte do bebê. “É fundamental que essa gestante seja testada durante o pré-natal, no momento do parto, para identificar possíveis infecções, para iniciar o tratamento e as medidas necessárias para proteger tanto a mãe quanto a criança”, ressalta.  Caso não tratada, a sífilis também pode causar consequências graves para adultos. “Quando a doença se encontra no estágio avançado, pode provocar complicações cardiovasculares e neurológicas.  Por isso, precisa ser identificada precocemente, para ser tratada em tempo oportuno. Importante também fazer o rastreio e tratamento dos parceiros sexuais da pessoa que teve o resultado positivo. Quando a gente fala de medidas de proteção, precisa garantir o tratamento adequado dessas pessoas para que a doença não se perpetue”, esclarece a referência técnica.

Psicóloga explica como os lutos invisíveis estão presentes em diferentes fases da vida A perda de alguém querido é uma das experiências mais associadas ao luto, especialmente ontem, 2 de novembro, Dia de Finados. Mas o sofrimento também pode surgir em outras situações, como o fim de um relacionamento, a aposentadoria, a saída dos filhos de casa ou a perda da autonomia. Embora nem sempre sejam reconhecidas como motivos de luto, essas experiências também podem exigir tempo para serem elaboradas. Psicóloga e gestalt-terapeuta, especialista em Arteterapia e Ecopsicologia, Elen Paesante é fundadora do Instituto de Gestalt-terapia Elen Paesante, em Aracaju. Com 30 anos de trajetória profissional, ela explica que as perdas que não envolvem a morte de alguém também podem provocar sofrimento e exigir uma reorganização emocional.

Experiência  “O luto é uma experiência intrínseca à existência humana. Embora seja frequentemente associado à morte de alguém querido, também o vivenciamos quando um relacionamento termina e a pessoa deixa de fazer parte do nosso dia a dia, ou quando mudamos de profissão após anos exercendo o mesmo ofício. Quando o indivíduo se aposenta ou quando os filhos saem de casa, o luto também se faz presente. Toda perda significativa exige um processo de reorganização emocional”, explica Elen.

Perdas e identidade Além da ausência de alguém ou da interrupção de uma rotina, algumas perdas provocam mudanças na maneira como a pessoa se percebe. O fim de um relacionamento pode significar a ruptura de planos compartilhados, enquanto a perda da autonomia exige adaptações à nova realidade. Segundo Elen, essas mudanças também afetam os papéis que cada pessoa desempenha nas relações. “Quando uma situação se transforma, algo em mim também muda e morre. Ao perder um pai, por exemplo, eu deixo de exercer a função de filha para aquela pessoa. Da mesma forma, quem perde a autonomia física precisa encontrar uma nova maneira de existir e se reinventar. O que dói não é apenas o que existia, mas o fato de que eu também deixo de existir para o outro”, destaca a psicóloga.

Situações O luto pode envolver tristeza, raiva, medo, culpa e insegurança. Em algumas situações, também pode haver alívio, especialmente quando o encerramento de um ciclo ocorre após um período prolongado de sofrimento ou desgaste. Para Elen, a dificuldade de lidar com essas emoções pode aumentar quando a pessoa se sente pressionada a demonstrar força e superar rapidamente o que aconteceu. Na perspectiva da Gestalt-terapia, abordagem com a qual trabalha, evitar o contato com os próprios sentimentos pode dificultar a elaboração da perda. A psicóloga compara esse comportamento à tentativa de esconder um problema sem enfrentá-lo. “É como olhar para uma casa que parece limpa por cima, mas, ao levantar o tapete, ver que está cheia de poeira. A dor precisa de um tempo de digestão. Se a pessoa não se dá tempo para processar esse luto, ele se posterga e se arrasta como uma sombra. Essa dor reprimida pode se manifestar por meio de ansiedade, insônia e irritabilidade”, alerta.

Quando buscar ajuda Não existe um prazo único para vivenciar o luto. No entanto, quando o sofrimento persiste e começa a comprometer o sono, as relações ou as atividades cotidianas, é importante buscar apoio. O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender as emoções e a lidar com as mudanças provocadas pela perda. A proximidade do fim do ano também pode trazer à tona frustrações com planos não realizados e expectativas que precisaram ser revistas. Nesse contexto, a elaboração do luto envolve reconhecer o que mudou sem desconsiderar a importância das experiências anteriores. “Lidar com o luto não significa esquecer o que foi perdido, mas reconhecer a perda, permitir-se sentir e, aos poucos, construir novas possibilidades de vida sem precisar negar a história que foi vivida”, conclui Elen Paesante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A praça dos capuchinhos foi reformada ano passado e necessita de manutenção. Pararam de molhar a grama e as plantas e os balanços estão quebrados

 

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OPINIÃO 

Do velório ao enterro dos cemitérios públicos de Aracaju. 

Por José Firmo, morador do bairro Robalo, especialista em Gestão Urbana e Planejamento Municipal.

Juntos, o Município de Aracaju e o Ministério Público Estadual, literalmente, enterram vários cemitérios na antiga Zona de Expansão e enterram – juntos – parte da história e o serviço de caráter essencial.

Tudo começou com a instauração do procedimento 10/99, visando apurar a existência de cemitérios ditos clandestinos na região do Mosqueiro e, entre outras coisas, evitar a contaminação do lençol freático.

Do procedimento originou-se uma ação judicial promovida pelo Ministério Público Estadual (MPE), tendo como parte passiva o Município de Aracaju.

Em 2007, dos cinco itens dos pedidos do MPE, a Justiça determinou que o Município de Aracaju cumprisse os seguintes: interditar e manter fechados os cemitérios clandestinos existentes no município de Aracaju; construir pelo menos um cemitério público, no prazo de um ano; apresentar alternativas de sepultamento à população de Aracaju, enquanto não implantado o novo cemitério público.

O Município de Aracaju cumpriu somente o item da interdição. Até hoje (quase duas décadas depois) não cumpriu os demais itens.

Já no cumprimento de sentença, nota-se a disposição do Município de Aracaju em construir um cemitério novo. Nos autos, o Município de Aracaju, cogitava construir o novo cemitério ou no bairro Areia Branca, ou no bairro Japãozinho ou no bairro Ponto Novo.

E onde nós, moradores da antiga Zona de Expansão, entramos nesta história? Não entramos! Não fomos chamados!

Para não dizer que nunca fomos ouvidos ao longo de quase três décadas, na fase de inquérito houve pequena participação das comunidades, por convocação do MPE. E, em todas as demais oportunidades, só fomos recebidos na EMSURB ou no MPE, por solicitação nossa.

Se não cabe a participação dos moradores no debate sobre poluição ambiental, deveriam nos envolver pelo fato de a superação de um problema ou de um crime ambiental, impacta forte e diretamente no serviço de cemitério e mexe com sentimentos.

Tanto o Município de Aracaju, quanto o Ministério Público Estadual, foram insensíveis, indiferentes para o problema que causaram, tentando solucionar outro problema.

Agora Aracaju anuncia a construção de um novo cemitério no lado norte da cidade.

E a antiga Zona de Expansão, metade da cidade? Vamos ficar sem cemitérios mesmo?

No cumprimento da sentença, o MPE – teoricamente, o nosso representante – aceita a construção do novo cemitério no outro lado da cidade?

Se o desfecho das interdições dos nossos cemitérios for somente a construção de um cemitério na outra metade da cidade, fica patente a ausência de tato, de habilidade dos dois entes para lidar com um tema tão sensível.

A começar pelo apelido dado a todos os cemitérios daqui (“clandestinos”), quando o mesmo apelido não se aplicou para todos os demais. Afinal, se a clandestinidade dos nossos cemitérios estava no fato de não ter sido licenciados com base nas normas editadas nas últimas décadas, o mesmo ocorre com praticamente todos os demais.

Não houve, nem na fase de procedimento, nem na fase de ação judicial, qualquer levantamento, qualquer estudo, voltado para a história, para as razões e para as necessidades destas comunidades.

A existência de uma dezena de pequenos cemitérios estava mais relacionada ao isolamento histórico desta porção geográfica da cidade, do que a uma suposta vontade de infringir as normas, as quais – repito – passaram a vigorar nas últimas décadas, enquanto os cemitérios que aqui existem contam muitas décadas ou séculos.

Na verdade, na verdade estes cemitérios estavam aqui desde que ex-escravizados, fugitivos das fazendas e os nativos, principalmente pescadores e marisqueiras, ocupam esta região.

Se o Município de Aracaju, que canta em verso de prosa, amar a antiga Zona de Expansão, juntamente com o MPE, que existe para defender o direito difuso da sociedade, os direitos sociais, etc e tal, conciliarem no Poder Judiciário por manter os nossos cemitérios fechados e pela construção de um novo cemitério na outra extremidade da cidade, quem poderá ser por nós?

A quem ou a quais instituições nós vamos, agora, recorrer? Defensoria Pública? MPF? Desobedecer e estar sujeitos à tal responsabilidade criminal?

Por falar em responsabilidade criminal, li no processo de cumprimento de sentença que o uso de alguns cemitérios, principalmente o Agreste e o de Nelito, no Mosqueiro deveria ser identificado, visando punição aos moradores. Se revirarem atas, termos e outros documentos semelhantes vão encontrar que alguns cemitérios voltaram a ser usados com o conhecimento e até com o consentimento dos órgãos, justamente porque o Município não cumpriu a decisão judicial.

Antes que distorçam os fatos: eu não sou contra a construção de novos cemitérios em outras áreas de Aracaju. Pelo contrário, acho que deve e que precisa.

Só não tem explicação se o novo cemitério, na Tv Atalaia, for para substituir os nossos, cá na antiga Zona de Expansão ou, mesmo que não seja para o caso em tela, que seja construído antes que Aracaju cumpra a decisão judicial de 2007.

Ao longo deste debate, interagimos com quase dez promotores de justiça, quase dez diretores da EMSURB, cinco chefes do Poder Executivo Municipal, em oito mandatos. Enfrentamos a insensibilidade e até dor de “abandonar” os restos mortais dos nossos entes queridos. Agora, se avizinha a possibilidade de termos os nossos cemitérios enterrados por quem não os usa e por quem deles nunca vão precisar.                                                                                          

 

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