Por Fausto Leite
Vila Vaticano e o silêncio dos inocentes. A promessa de mais de R$ 100 milhões, anunciada com brilho de campanha, desapareceu do debate e já corre o risco de parecer um estelionato eleitoral embalado em maquete. Os projetos custariam quase R$ 10 milhões e levariam de oito a dez meses, talvez atravessando o fim do atual governo e começo do novo. Foram suspensos ou apenas guardados até passar a eleição? Proprietários afirmam que imóveis estariam sendo avaliados, mas por quem, com qual autorização e para quê, se o projeto definitivo sequer existe? Comerciantes temem desapropriações, o esvaziamento do centro e a ameaça a milhares de empregos. Enquanto isso, o Hotel Palace continua abandonado, disponível e solenemente ignorado. No Vaticano sergipano, o primeiro milagre foi fazer o projeto desaparecer sem explicar se morreu, dorme ou apenas entrou em período eleitoral.
Emília muda a estrutura dos ônibus de Aracaju. A substituição da Viação Roberto Santos pela Viação Boa Vista provocou tensão e deixou cerca de 110 ônibus impedidos de circular, com atuação da SMTT e da Guarda Municipal. A confusão rendeu versões, críticas e muito combustível político nas redes, mas não apaga o principal: Emília Corrêa teve coragem de mexer numa estrutura antiga do transporte coletivo da capital. Toda mudança profunda enfrenta resistência, especialmente quando retira empresas e interesses da zona de conforto. O episódio precisa ser esclarecido e o passageiro protegido, porque transição não pode virar caminhada. Ainda assim, enquanto muita gente apenas prometeu modernizar o sistema, Emília decidiu enfrentar o problema. O ônibus parou por algumas horas, mas a velha estrutura, finalmente, começou a andar.
Ricardo encontrou um vice, agora procura apresentá-lo. Érico Menezes, empresário e ex-vereador de Lagarto, foi escolhido para substituir Pastora Salete na chapa de Ricardo Marques. A pergunta deixou de ser “Ricardo está sem vice?” e passou a ser “Érico quem?”. Na política, isso já se chama avanço: primeiro encontra-se o candidato, depois tenta-se localizar sua popularidade.
TRE distribui segundos e ansiolíticos. TRE distribui segundos e ansiolíticos. O plano de mídia das Eleições 2026 colocou a coligação “Sergipe Cresce com Você”, de Fábio Mitidieri, na liderança para o Governo, com 4min43s30 por bloco; “Fé e Coragem pra Mudar”, de Ricardo Marques, terá 2min17s40; “Muda Sergipe com a Força do Povo”, de Valmir de Francisquinho, 1min02s30; PSDB/Cidadania, de Emanuel Cacho, 30s11; e PSOL/Rede, de Helton Monteiro, 26s09. Para o Senado, o grupo de Fábio terá 3min22s15; PL/Podemos, 1min37s66; Republicanos/Avante, 43s88; MDB, 38s50; PDT, 19s29; e PSOL/Rede, 18s52. O horário eleitoral será exibido de 28 de agosto a 1º de outubro. Na televisão, Fábio ganhou quase uma minissérie; alguns adversários, um trailer; e outros precisarão apresentar candidato, proposta e emoção antes que o eleitor consiga alcançar o controle remoto.
Bancários fecham as agências e abrem a discussão. Com 92,19% dos votos da assembleia, a categoria rejeitou a proposta da Fenaban e aprovou paralisação de 24 horas em Sergipe. Banco fechado é uma notícia capaz de unir patrão, empregado e aposentado na mesma indignação. A diferença é que o aplicativo continuou funcionando, inclusive para avisar que o saldo também aderiu à greve.
Fábio leva o governo para passear. Fábio Mitidieri colocou o bloco na rua ao lado de Rogério Carvalho, André Moura, Jeferson Andrade e uma multidão de aliados, assessores e ocupantes da estrutura governista. Houve bandeira, música, abraço, drone e aquela espontaneidade cuidadosamente organizada com hora, percurso e equipe de comunicação. Como boa parte de quem caminhava faz parte, apoia ou orbita o Governo, a carreata parecia menos uma mobilização popular e mais um expediente ao ar livre. O grupo quis exibir musculatura política e lotou a fotografia com quem já frequenta os corredores do poder. Fábio realmente mostrou força. Só ficou difícil saber onde terminava a campanha e começava o passeio do Governo.
Rogério entra no modo carreata. Rogério Carvalho apareceu na mobilização governista da Farolândia tentando reforçar sua candidatura ao Senado, mas ainda não conseguiu reunir todo o PT ao redor do próprio nome. Na fotografia, havia bandeira, abraço e sorriso; nos bastidores, algumas estrelas parecem brilhar em constelações diferentes. Em eleição apertada, cada ausência vira discurso e cada petista de braços cruzados parece uma pesquisa qualitativa. Rogério tenta mostrar unidade no palanque, enquanto parte do partido ainda discute se embarca, espera o próximo ônibus ou apenas acena da calçada. Em Sergipe, ele já está em modo campanha. Falta o PT inteiro atualizar o modo para “apoiando Rogério”.
Gustinho sobe na pesquisa e a campanha sobe no salto. Gustinho Ribeiro aparece entre os três nomes mais citados para deputado federal em levantamento do Instituto ECM, demonstrando força, presença no interior e capacidade de articulação. Ao seu lado, Hilda Ribeiro, ex-prefeita de Lagarto e candidata a deputada estadual, vem fortalecendo a caminhada com experiência administrativa, liderança e grande proximidade com a população. Gustinho busca renovar seu mandato em Brasília, enquanto Hilda apresenta seu nome para a Assembleia Legislativa. Juntos, percorrem municípios, reúnem lideranças e multiplicam apoios numa campanha marcada por parceria e sintonia. São hoje o verdadeiro Casal 20 da política sergipana: ele levando Sergipe a Brasília, ela querendo levar a experiência de Lagarto para todo o Estado.
Edvaldo tem obras para mostrar, falta aquecer o abraço. No conjunto Vitória da Resistência, no Lamarão, Edvaldo Nogueira relembrou as obras habitacionais realizadas durante suas gestões e tem razão ao reivindicar esse legado. Edvaldo trabalhou muito pela região, levou investimentos e ajudou a transformar a realidade de famílias que precisavam de moradia e atenção do poder público. O desafio agora é converter realização administrativa em emoção eleitoral. Competência ele tem, currículo também; o que ainda enfrenta é certa dificuldade carismática na aproximação com o público. Edvaldo explica bem o que fez, mas nem sempre consegue fazer o eleitor sentir que participou daquela conquista ao lado dele. Na corrida ao Senado, obra entrega endereço, mas voto exige afeto. O Lamarão pode reconhecer o trabalho; agora Edvaldo precisa transformar o “ele fez” em “eu vou com ele”.
Fábio Henrique ganha sinal verde e postagem comemorativa. Depois de passar alguns anos afastado das urnas pela inelegibilidade, Fábio Henrique conseguiu no TRE o deferimento de sua candidatura a deputado estadual, apesar da manifestação contrária da Procuradoria Regional Eleitoral relacionada às contas de sua gestão em Nossa Senhora do Socorro. A vitória jurídica devolveu-lhe o direito de disputar, mas não reservou exclusividade sobre seu antigo território eleitoral. Além de Padre Inaldo, Jorginho Araújo e outros candidatos com presença no município, Fábio enfrenta agora a pressão crescente de Daniela Garcia, que reúne um grupo expressivo e vem avançando em Socorro. Fábio conseguiu sair do labirinto judicial, mas entrou numa avenida eleitoral bastante movimentada. O TRE abriu a porta da candidatura; atravessar a multidão até a Assembleia será outra batalha.
TSE recebe 1.103 denúncias e a campanha mal começou. A Justiça Eleitoral já contabilizou mais de mil relatos de irregularidades nos primeiros dias da propaganda, enquanto em Sergipe circulam vídeos, acusações e pedidos de retirada em ritmo industrial. O problema é que o aplicativo registra apenas aquilo que alguém consegue enxergar, documentar e denunciar. TRE, Ministério Público Eleitoral e Polícia Federal precisam manter os olhos abertos para todos os lados, inclusive sobre o uso da estrutura pública e qualquer tentativa de blindagem do grupo governista. Governo não pode fiscalizar a eleição de longe enquanto protege a própria campanha de perto. A mesma vigilância deve alcançar oposição, partidos, fornecedores e redes de apoio, sem preferências nem zonas protegidas. Campanha eleitoral tem palco iluminado, mas muita coisa acontece atrás da cortina. E é justamente ali que a fiscalização precisa chegar antes que o bastidor vire caso de polícia.
Yandra coloca as mães solo no centro da pauta. O projeto da deputada Yandra Moura prevê proteção integral às mães solo, com prioridades em moradia, renda, creches, saúde e qualificação. A proposta alcança uma realidade estimada em 11 milhões de mulheres. É o tipo de tema que retira a política do palanque e a coloca dentro de casa, onde mãe solo raramente recebe aplausos, mas quase sempre paga todas as contas.
Medicamentos desviados e confiança internada. É um absurdo que medicamentos e insumos destinados a pacientes possam ter sido desviados justamente por quem exercia uma função de cuidado dentro da unidade hospitalar. A técnica de enfermagem investigada foi presa, e a prisão preventiva acabou homologada pelo magistrado local, diante da gravidade atribuída ao caso. A investigação deverá esclarecer a extensão dos fatos, eventuais outros envolvidos e o destino do material, sempre preservando o direito de defesa e a presunção de inocência. Mas a suspeita é gravíssima: remédio público não é mercadoria particular nem complemento de renda. Quando um medicamento some da prateleira, pode faltar exatamente no momento em que um paciente mais precisa. Não desaparece apenas uma caixa. Desaparecem recursos públicos, segurança hospitalar e um pedaço da confiança da sociedade.
Salário antecipado, humor atualizado. A Prefeitura de Aracaju antecipou a folha de agosto, beneficiando mais de 15 mil pessoas e injetando aproximadamente R$ 95 milhões líquidos na economia. Para o servidor, não existe pronunciamento mais convincente do que a notificação bancária. O dinheiro caiu, o comércio sorriu e até o grupo da família ficou politicamente mais amável.
Concurso aberto, amizades reativadas. O CREF20 abriu concurso para cargos de níveis médio e superior, com salários de até R$ 5.416,20, além de benefícios. Bastou surgir a expressão “inscrições abertas” para reaparecer aquele conhecido que não mandava mensagem desde o último São João. Concurso público é assim: movimenta candidatos, apostilas e relações sociais que estavam em cadastro reserva.
Umbaúba sai do arquivo e entra na investigação. O conselheiro Ulisses de Andrade Filho negou a liminar, mas determinou que o caso envolvendo a Prefeitura de Umbaúba seja autuado como denúncia e apurado pelo TCE. Ainda não há irregularidade reconhecida nem detalhes públicos sobre o objeto e os valores envolvidos. Entre tantos arquivamentos na sessão, Umbaúba recebeu o bilhete menos desejado pela administração pública: “favor permanecer para esclarecimentos”.
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