Júlia Rabello fala sobre humor e bastidores de peça em Aracaju

Com Júlia Rabello, Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco, comédia será apresentada neste sábado, 7, no TTB, com produção local da Villela Produções

A comédia “Agora É Que São Elas!” chega a Aracaju neste sábado, 7, reunindo Júlia Rabello, Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco em histórias divertidas sobre relacionamentos, vaidades e situações do cotidiano. Com texto e direção de Fábio Porchat, a montagem aposta em nove cenas, cerca de 20 personagens e muita interação com a plateia.

Em entrevista ao Portal Infonet, Júlia Rabello falou sobre os bastidores do espetáculo, o reencontro com textos escritos por Porchat há 20 anos e a expectativa para a apresentação na capital sergipana, que acontece às 20h, no Teatro Tobias Barreto, com produção local da Villela Produções. Confira!

Portal Infonet: Agora É Que São Elas! reúne nove cenas independentes inspiradas em situações do cotidiano, como relacionamentos, vaidades e inseguranças. Como surgiu a proposta do espetáculo e o que torna essas situações tão propícias para a comédia?

Júlia Rabello: Essa história começou há cerca de 20 anos, quando o Fabio Porchat ainda estudava teatro e escrevia esquetes que chegaram a ser encenados com o Paulo Gustavo. Na época, ele me convidou para produzir o espetáculo. Duas décadas depois, o Fabio resolveu revisitar esses textos, acrescentou novas histórias e me convidou para atuar. Foi muito emocionante reencontrar esse projeto de outra maneira. E o mais interessante é perceber que, mesmo depois de tanto tempo, essas situações continuam atuais. Acho que isso acontece porque a essência do ser humano não muda tanto assim. A comédia nasce muito dessas nossas complicações da vida e da possibilidade de rir de nós mesmos.

Infonet: A peça reúne textos escritos por Fábio Porchat em diferentes fases de sua trajetória, incluindo alguns de quando ele ainda era estudante. Como foi revisitar esses textos e perceber quais situações continuam atuais e capazes de gerar identificação com o público?

Júlia Rabello: Foi muito interessante porque eu já conhecia esses esquetes de 20 anos atrás. Na época, os meninos me convidaram para produzir a peça e estávamos todos no início da carreira, com muita coisa pela frente. Agora, 20 anos depois, com uma estrada percorrida, reencontro esse projeto como atriz. Pessoalmente, é muito emocionante. E o mais curioso é perceber que algumas coisas mudaram, mas a essência do ser humano continua a mesma. Nossos medos, nossas limitações e complicações permanecem. Por isso, os textos continuam funcionando tão bem. Estou muito feliz de essa peça ter voltado para a minha vida.

Infonet: As três atrizes se revezam em cerca de 20 personagens, com mudanças rápidas realizadas diante da plateia. Como funciona essa dinâmica e quais são os desafios de transitar entre figuras tão diferentes ao longo da apresentação?
Júlia Rabello: Eu tenho a sensação de que essa peça é como brincar de pular corda quando a gente era criança. Tem duas pessoas batendo a corda e você precisa entrar no movimento e começar a pular sem deixar a corda parar. O espetáculo é um pouco assim. As cenas estão acontecendo, as histórias estão andando e a gente precisa entrar naquele ritmo sem interromper o movimento. São cerca de 20 personagens e precisamos transitar entre eles mantendo essa dinâmica. É um desafio muito gostoso.

Infonet: O espetáculo mistura cenas roteirizadas e espaço para improvisação, a partir das reações do público. Como essa troca acontece na prática e de que maneira ela pode tornar cada apresentação diferente da anterior?
Júlia Rabello: Acho que toda comédia precisa estar aberta ao que acontece no momento. Temos uma estrutura sólida, cada cena conta uma história com começo, meio e fim, mas dentro disso existe muito espaço para improvisar. Muitos improvisos que surgiram durante as apresentações acabaram sendo incorporados ao espetáculo porque funcionaram. Às vezes, a plateia ri de uma piada que a gente nem esperava ou acontece alguma coisa naquele momento que acaba entrando na cena. Também podemos trazer referências de assuntos que aconteceram durante a semana, no Brasil ou no mundo. Algumas dessas coisas ficam, outras são passageiras. A peça está sempre se atualizando e acho que isso faz parte do fazer comédia.

Infonet: A montagem já passou por temporadas no Rio de Janeiro, em Niterói e em São Paulo, reunindo milhares de espectadores. O que vocês esperam encontrar na plateia de Aracaju e por que o público deve conferir Agora É Que São Elas! no Teatro Tobias Barreto?
Júlia Rabello: Acho que uma das coisas mais interessantes do teatro é justamente esse encontro com a plateia. Cada público reage de uma maneira e isso transforma a apresentação. A gente está ali vivendo tudo junto, naquele momento, e essa troca é maravilhosa. É uma comédia que permite que a gente brinque com o público e ria de nós mesmos. Estou muito feliz com as temporadas que estamos fazendo e com a oportunidade de levar esse trabalho para outras cidades. Espero que o público de Aracaju entre nessa brincadeira com a gente.

Por Verlane Estácio

(Fotos: Yan Carpenter)

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