Mães denunciam suspensão de terapias para crianças atípicas em Canindé

Famílias afirmam que estão há dois meses sem atendimento e cobram da Prefeitura uma solução para a retomada dos serviços

(Foto: Katiana Cavalcante)

Mães de crianças atípicas realizaram uma manifestação em frente ao gabinete do prefeito de Canindé de São Francisco, no sertão de Sergipe, nesta quinta-feira, 15. As famílias cobram a retomada dos atendimentos terapêuticos, interrompidos há cerca de dois meses. Segundo elas, mais de 800 crianças estão sem assistência.

Uma das organizadoras da mobilização, a agricultora Katiana Cavalcante dos Santos, relata que o filho recebeu apenas dez sessões de atendimento, sem continuidade. A criança tem nível 3 de suporte relacionado ao autismo. Ela teme que a falta de acompanhamento comprometa o desenvolvimento do filho e de outras crianças que dependem das terapias. “Faz cerca de dois meses que nossos filhos estão sem terapia. A gente não sabe quando os atendimentos vão voltar e teme que isso não aconteça ainda este ano”, afirma Katiana.

Os atendimentos eram realizados pelo Instituto Maneca Sobral, de Itaporanga d’Ajuda, por meio de um contrato com a Prefeitura de Canindé de São Francisco. Conforme o relato da agricultora, o vínculo foi encerrado em 31 de agosto e não houve renovação. As famílias só foram informadas posteriormente sobre a situação e, desde então, não receberam outro tipo de suporte para substituir as terapias. Katiana também aponta limitações na estrutura do serviço, que contava com dois psicólogos, uma nutricionista e dois fisioterapeutas. Uma das profissionais de fisioterapia se afastou por licença, segundo ela.

Famílias cobram resposta da gestão

Antes da manifestação desta quinta-feira, as mães estiveram na Câmara Municipal na terça-feira, 13, durante uma sessão com a presença do prefeito. Segundo Katiana, o gestor pediu que aguardassem mais um mês para que os atendimentos fossem restabelecidos. Esse foi o segundo prazo apresentado pela administração municipal, de acordo com a agricultora, que afirma que a Prefeitura havia solicitado anteriormente até o dia 13 de outubro para resolver o problema.

As famílias também procuraram a Promotoria de Justiça, participaram de uma audiência com representantes da gestão municipal e entraram em contato com o Conselho Tutelar. Apesar das tentativas, Katiana afirma que ainda não houve uma solução definitiva. “Parece que a Justiça fechou os olhos para nós”, declara.

A agricultora lembra que as famílias enfrentaram uma situação semelhante em fevereiro deste ano, quando também realizaram uma manifestação após dois meses sem atendimento. Segundo ela, foi naquela ocasião que o contrato com o Instituto Maneca Sobral foi estabelecido.Com a nova interrupção dos serviços, as mães temem que as crianças permaneçam sem acompanhamento por tempo indeterminado. Katiana afirma que as famílias estão cansadas de aguardar uma resposta e cobram uma medida concreta da administração municipal.

“Pelo que estou entendendo, só querem ganhar tempo, enquanto os prejudicados são os nossos filhos. Sem terapia, não dá para ficar. Já basta o descaso que vem desde o início do ano. Diante disso, vamos buscar uma solução de outra forma. Eu mesma estou com a paciência esgotada. Acredito que as outras mães também não queiram mais esperar, porque, até agora, o que temos feito é apenas esperar”, desabafou a mãe.

O Portal Infonet tentou contato com a Prefeitura de Canindé de São Francisco, mas não houve resposta. A equipe de reportagem permanece à disposição por meio do e-mail jornalismo@infonet.com.br e do telefone (79) 99956 2035.

Por Aline Souto e Verlane Estácio

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