Por Domingos Pascoal
Academia de Letras e Artes de Areia Branca comemora meia década transformando palavras em oportunidades, aproximando gerações e mostrando que investir em crianças e jovens é garantir a continuidade da cultura e a busca pelo conhecimento.
A Academia de Letras e Artes de Areia Branca – ALAB chegou aos cinco anos demonstrando que, quando uma comunidade acredita na força da cultura, uma ideia pode transformar-se em movimento; um livro pode abrir caminhos; um palco pode revelar talentos; e uma criança incentivada hoje pode tornar-se a escritora, artista ou agente cultural de amanhã. A celebração do quinquênio, realizada no Centro de Convivência Literária, foi muito mais que uma solenidade de aniversário. Foi um encontro de gerações e uma demonstração de que cultura se preserva valorizando o passado, trabalhando no presente e preparando o futuro. Sob a presidência da professora Drª Edilma Rainha, a Academia reuniu acadêmicos, escritores, artistas, familiares, crianças, jovens e representantes do movimento cultural para celebrar uma caminhada construída coletivamente. Ao longo desses cinco anos, a instituição consolidou-se como espaço de encontro, criação e formação, reunindo literatura, poesia, teatro, música, artes visuais e manifestações populares.
COM OS OLHOS VOLTADOS PARA OS PRÓXIMOS CINQUENTA
Talvez a imagem mais significativa da comemoração estivesse nas crianças e nos jovens. A ALAB parece ter compreendido uma verdade fundamental: uma instituição cultural somente se torna duradoura quando prepara aqueles que continuarão sua história. Foi com esse espírito que a solenidade abriu espaço para integrantes do MELCA – Movimento Estudantil de Literatura, Cultura e Artes e do GAITA – Grupo Animado e Infantojuvenil de Teatro Areia-branquense. Por meio desses movimentos, a ALAB vem contribuindo para a formação cultural das novas gerações, oferecendo oportunidades para que crianças e jovens descubram o palco, a palavra, a caneta, a música e a capacidade de criar.
Um desses momentos foi protagonizado por Rayane. Em sua primeira apresentação diante do público, enfrentou a emoção e o nervosismo naturais da estreia e deu conta do recado, interpretando lindamente o Hino de Sergipe. Parabéns, Rayane! Continue buscando o seu melhor: hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje. É assim que os talentos começam a florescer: alguém oferece uma oportunidade, abre uma porta e diz, mesmo silenciosamente: “Você pode. Tente. Nós acreditamos em você.” A presidente Edilma Rainha sintetizou esse espírito ao lembrar que uma comunidade forma seus artistas acolhendo quem começa ajudando quem precisa e comemorando cada passo.
UMA ACADEMIA QUE NÃO QUER APENAS GUARDAR LIVROS
A ALAB não se apresenta como uma instituição destinada apenas a conservar o que já foi produzido. Sua proposta é fazer a cultura circular, colocando lado a lado escritores experientes e crianças, memória e inovação, literatura e teatro, tradição e novos sonhos. O reconhecimento da instituição como Ponto de Cultura reforça essa caminhada e amplia sua responsabilidade perante a comunidade. O trabalho desenvolvido na formação teatral infantojuvenil também abre novas possibilidades para crianças e adolescentes, inclusive com oportunidades de intercâmbio e apresentações fora do Estado. Quando isso acontece, Areia Branca deixa de ser apenas o lugar onde determinado trabalho cultural nasceu e passa a ser também um lugar de onde a cultura parte para encontrar outros públicos.
CRISTINE: JUVENTUDE OCUPANDO SEU LUGAR
Outro momento marcante foi a diplomação e posse de Cristine Oliveira Santos, na cadeira nº 40. Atriz, desenhista, empreendedora e líder cultural, Cristine simboliza uma das mensagens mais importantes desses cinco anos: a renovação. Sua atuação está especialmente ligada à formação artística e ao teatro infantojuvenil. Ao escolher como patrona Alaíde Souza Costa, estabeleceu também uma ponte entre gerações. Alaíde dedicou parte significativa de sua trajetória à educação, à literatura e à cultura popular, especialmente ao cordel. É o ciclo da cultura cumprindo sua missão: uma geração recebe, preserva, acrescenta e entrega à seguinte.
A CRIANÇA NO CENTRO DA CULTURA
Academias precisam preservar a memória, reconhecer escritores, valorizar patronos e produzir conhecimento. Mas precisam também ultrapassar suas paredes, chegar às escolas, encontrar as crianças e descobrir talentos antes que eles se percam por falta de oportunidade.
Quando uma menina sobe ao palco pela primeira vez, quando um jovem descobre o teatro ou uma criança escreve seus primeiros versos, pode estar começando ali uma história que somente será compreendida muitos anos depois. Investir nas novas gerações não é apenas uma atividade cultural. É uma decisão sobre o futuro.
UMA OBRA FEITA POR MUITAS MÃOS
Nenhuma instituição chega aos cinco anos sozinha. Por trás da ALAB existem pessoas que escreveram, organizaram, ensaiaram, ensinaram, montaram eventos, receberam visitantes, incentivaram crianças e permaneceram trabalhando mesmo diante das dificuldades. A comemoração terminou como talvez devesse terminar uma festa dedicada à cultura: com confraternização, fotografia coletiva, bolo, abraços e a certeza de que aquela história pertence a muitas mãos. Afinal, a ALAB é feita de gente. Gente que escreve, canta, representa, ensina, aprende e, principalmente, acredita.
CINCO ANOS SÃO APENAS O COMEÇO
Ao completar seu primeiro quinquênio, a Academia de Letras e Artes de Areia Branca não celebra somente aquilo que realizou, mas também aquilo que ainda poderá realizar. Se, em apenas cinco anos, conseguiu reunir gerações, estimular manifestações artísticas, incentivar crianças e jovens, preservar memórias e fazer a cultura ultrapassar fronteiras, uma pergunta se impõe: o que poderá fazer nos próximos cinco, dez, vinte ou cinquenta anos? A resposta talvez já esteja nos olhos das crianças que participaram da festa. Algumas poderão ser escritoras, atrizes, poetas, professoras, cantoras ou artistas. Outras serão simplesmente cidadãos que aprenderam, desde cedo, que conhecer a própria cultura ajuda a compreender quem somos e de onde viemos e, para onde devemos ir. Por isso, os cinco anos da ALAB não representam um ponto de chegada. Representam uma nova largada. Parabéns, ALAB! Que novas crianças atravessem suas portas, novos escritores encontrem sua voz e novos artistas ocupem seus palcos. E que Areia Branca continue mostrando que, quando se planta cultura, não se colhem apenas livros, poemas ou espetáculos: colhem-se pessoas capazes de sonhar, criar e transformar o lugar onde vivem. E, como uma celebração à cultura também se faz de música e emoção, um agradecimento especial à Vannya Vicente, que, com a beleza e a sensibilidade de suas interpretações cantadas, ajudou a tornar ainda mais emocionante o encerramento da festa dos cinco anos da ALAB. Sua voz deu música à alegria daquele momento e deixou uma bela lembrança no coração dos presentes.
Vida longa à Academia de Letras e Artes de Areia Branca!
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