
A conta chegou. Cadê o resultado?
O Governo de Sergipe terá diante da Assembleia Legislativa a oportunidade de mostrar que transparência não é enfeite de discurso. A Casa anunciou para esta semana as prestações de contas da Fazenda e da Saúde referentes ao segundo quadrimestre de 2026, encerrado em agosto. As apresentações, porém, chegam depois de cobrança pública do deputado Georgeo Passos, em 14 de outubro. A reforma do prédio legislativo foi apontada como razão do adiamento. Mas reforma de plenário não deveria suspender o calendário da fiscalização. Para a Saúde, a Lei Complementar Federal nº 141/2012 exige audiência pública até o fim de setembro. Enquanto se ampliam paredes e corredores, o dever de explicar como foi gasto o dinheiro público continua intacto.
O relatório fiscal publicado pelo governo informa despesas com pessoal próximas de R$ 7,28 bilhões em doze meses, equivalentes a 43,26% da receita corrente líquida ajustada, abaixo do limite de alerta de 44,10%. No primeiro quadrimestre, o índice era de 41,49%. O avanço merece explicação, assim como as operações de crédito contratuais registradas até agosto, de aproximadamente R$ 764,7 milhões. Esses números não provam irregularidade, mas impõem perguntas: quais investimentos foram financiados, quanto custará a dívida e quando chegarão os benefícios? Fábio Mitidieri tem o direito de destacar indicadores favoráveis. O contribuinte tem o direito de exigir resultados. Afinal, ninguém marca consulta com uma porcentagem nem paga supermercado com um gráfico bem colorido.
Na Saúde, a prestação de contas precisa mostrar mais que gastos e fotografias de equipamentos. A legislação exige valores aplicados, fontes de recursos, auditorias e produção dos serviços, confrontados com indicadores assistenciais. Cabe ao secretário Jardel Mitermayer Goes demonstrar quantos pacientes foram atendidos, quais filas diminuíram, como evoluíram consultas, exames e cirurgias e quais metas ainda precisam ser cumpridas. Também deve distinguir despesas empenhadas, liquidadas e efetivamente pagas. O avanço comprovado merece registro, mas números agregados não dispensam explicações sobre gargalos. Uma apresentação impecável pode impressionar deputados; quem espera atendimento precisa de acesso real ao serviço. Saúde não se mede apenas pelo tamanho da planilha, mas pela resposta dada a cada cidadão.
E a Assembleia? Receber secretários não equivale a fiscalizá-los. Deputados governistas e oposicionistas devem confrontar demonstrativos, pedir documentos e verificar se as promessas combinam com a execução orçamentária. O governo pode defender suas escolhas; a oposição, questioná-las. Nenhum dos dois pode transformar audiência em solenidade de elogios. Sergipe precisa de perguntas precisas, respostas documentadas e compromissos verificáveis. O dinheiro não nasce nos gabinetes nem cai do céu junto com a publicidade oficial. Sai do trabalho de quem paga impostos e necessita de escolas, hospitais e serviços funcionando. No fim, o debate não deve ser sobre a beleza dos slides, mas sobre uma pergunta que atravessa todos os números: o dinheiro foi gasto. Qual resultado foi entregue ao povo sergipano?
Socorro no freio. A Justiça suspendeu na segunda-feira, 26, a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Nossa Senhora do Socorro, prevista para esta terça. A questão foi o edital: a publicação no Diário Oficial do Estado ocorreu em 19 de outubro, sem respeitar os dez dias exigidos pelo Regimento. Na política socorrense, até o calendário pediu habeas corpus. E, desta vez, o prazo não votou com a maioria.
Oito não são dez. A 2ª Vara Cível de Socorro considerou insuficiente o intervalo entre a publicação estadual e a votação marcada para 27 de outubro. O Diário Oficial do Município havia divulgado o edital no dia 16, mas uma publicação não substituía a outra. A lição saiu mais cara que uma aula de matemática: no Regimento Interno, oito dias continuam sendo oito, por mais que o grupo político torça por dez.
Mesa sem eleição. A escolha do comando da Câmara de Socorro para o biênio 2027 a 2028 depende agora de nova convocação regular, nos termos da liminar. Quem já estava ensaiando discurso de posse terá tempo de revisar a pontuação. Na política, há gente que conhece cada voto do plenário, mas descobre tarde demais que o Diário Oficial também participa da eleição.
Computadores de presente. O Tribunal de Justiça de Sergipe anunciou na segunda-feira a doação de 640 microcomputadores e 100 switches ao Instituto Federal de Sergipe. É equipamento que pode reforçar a estrutura educacional e dar nova utilidade ao patrimônio público. Entre tantas máquinas usadas para gerar papelada, eis uma notícia boa: tecnologia indo para quem precisa estudar, não apenas imprimir despacho.
Abstenção em queda. O balanço divulgado em 26 de outubro apontou cerca de 273 mil sergipanos ausentes no segundo turno presidencial, menos que no primeiro. Ainda é uma multidão capaz de lotar incontáveis comícios, mas que preferiu não encontrar a urna. Os candidatos disputaram cada eleitor até a última hora; parte do eleitorado respondeu com um sonoro silêncio eleitoral.
Flávio contesta. Flávio Bolsonaro anunciou que contestaria o resultado nacional e pediria a anulação da eleição, criticando a prorrogação da votação no segundo turno. Trata-se de posição do candidato derrotado, não de invalidação reconhecida pela Justiça. Em campanha, muita gente promete virar o jogo; depois da apuração, a disputa troca os santinhos por petições.
PF no encalço. A notícia de que a Polícia Federal investigará denúncias de restrição ao transporte de eleitores incluiu Sergipe entre os Estados mencionados no pós-eleição. Investigar não é condenar, e é preciso apurar responsabilidades concretas. O episódio deixou uma ironia: enquanto candidatos prometiam levar o Brasil para a frente, parte dos eleitores só queria um ônibus para chegar à seção.
CPI na agenda. Na Câmara de Aracaju, a CPI das concessões de espaços públicos tem oitivas de ex-diretores da Emsurb previstas para hoje, dia 27. A agenda já havia sido divulgada na sexta-feira e voltou a ganhar relevância na retomada dos trabalhos. Mercado municipal não pode ser tratado como álbum de figurinhas: espaço público exige critério, publicidade e resposta para quem vive dele.
Saúde na cobrança. Fábio Meireles também vinha cobrando a conclusão das unidades de saúde Renato Mazzé Lucas e Humberto Mourão, tema ainda presente na agenda municipal após o fim de semana. As datas de entrega e a situação contratual exigem respostas objetivas. Para o paciente, placa de obra não mede pressão, não aplica vacina e não substitui consulta. Inauguração só faz sentido com atendimento.
Posse fora do costume. A nova regra constitucional desloca a posse presidencial para 5 de janeiro de 2027 e a dos governadores para 6 de janeiro. A mudança foi lembrada no noticiário de segunda. Fábio Mitidieri terá, portanto, data própria para iniciar o novo mandato. Em Brasília e Aracaju, a passagem de faixa ganhou calendário mais espaçoso. A agenda agradece; o contribuinte aguarda o trabalho.
Deputados na agenda. A Assembleia Legislativa anunciou programação de sessões para esta semana, com apresentações das secretarias da Fazenda e da Saúde sobre o segundo quadrimestre. É a oportunidade de os deputados examinarem números e resultados. Discurso empolga plenário, mas relatório exige vírgula, planilha e pergunta. Será a vez de o microfone encontrar a calculadora.
Fazenda no quadro. A secretária estadual da Fazenda, Sarah Tarsila Andreozzi, foi indicada na programação da Alese para apresentar dados do segundo quadrimestre. A agenda foi divulgada em 26 de outubro, com data específica ainda sujeita a confirmação. O Legislativo poderá cobrar explicações sobre receitas e despesas. Em orçamento público, até número bem penteado precisa mostrar de onde veio.
Saúde em números. A Saúde também integra a agenda de prestação de contas anunciada pela Assembleia. O debate permitirá aos parlamentares confrontar os indicadores apresentados pela pasta com os serviços recebidos pela população. Relatório tem coluna, gráfico e percentual; paciente tem fila e necessidade concreta. Quando os dois mundos se encontram, a audiência fica mais interessante.
Emília abre a disputa. A Prefeitura de Aracaju publicou edital para licitar a modernização e reorganização das feiras livres em contrato previsto para dez anos. A iniciativa entrou no noticiário de segunda. É uma proposta de longo alcance, sujeita ao procedimento licitatório. Feirante quer estrutura e freguês quer preço bom; nenhum dos dois costuma se emocionar com papelada bonita.
Feira tem memória. O plano de modernização das feiras anunciado pela gestão de Emília Corrêa abre discussão sobre conservação, operação e condições de trabalho. A publicação do edital é o fato novo; os resultados dependem da contratação e da execução. Prefeitura pode inaugurar processo com carimbo. Quem inaugura a aprovação de verdade é o feirante, quando vê diferença na banca.
Rua no mapa. A administração municipal anunciou o início do georreferenciamento e da padronização dos logradouros de Aracaju. A medida busca organizar os dados sobre ruas e endereços. É daquelas notícias sem trio elétrico, mas com impacto administrativo possível. Se funcionar, talvez até a burocracia encontre o endereço certo sem pedir três pontos de referência.
Tramandaí observado. A Prefeitura apresentou na segunda-feira balanço de ações de fiscalização e manutenção no entorno do Parque Tramandaí. O anúncio coloca sob observação um espaço sensível da cidade. Cabe acompanhar a continuidade do trabalho e seus efeitos. Parque não precisa de discurso de palanque: precisa de cuidado que dure mais do que a postagem da assessoria.
Sergipanidade na agenda. O Festival Sergipanidade foi anunciado para 29 a 31 de outubro, com programação gratuita no Centro de Criatividade, em Aracaju. A agenda reúne música, moda, oficinas e cultura popular. Ao poder público cabe dar condições para que a festa alcance o público. A cultura veste a identidade local; a organização precisa acertar a costura.
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