Vitória do bolsonarismo

Marcos Cardoso*

Alguém achou que o bolsonarismo seria finalmente sepultado nesta eleição. Ledo engano. Nem os institutos de pesquisa, sempre senhores de si, previram resultado tão favorável à extrema-direita aqui encarnada no nome do ex-presidente da República. O bolsonarismo lavou a égua, ganhou de cabo a rabo, independentemente do resultado do escrutínio do dia 25 deste mês, que confirmará e eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República (quem diria!) ou virá se Lula (PT) consegue reverter resultado tão adverso saído das urnas no último domingo. Para Lula nada parece impossível. A ver.

Com uma arrancada espetacular na reta final do primeiro turno, Flávio Bolsonaro superou o atual presidente e conquistou eleitores em redutos onde ninguém apostaria que conseguiria penetrar, inclusive no Nordeste, tradicional bastião da esquerda. Além de ter ampliado consideravelmente sua votação no Sul-Sudeste, ele cresceu ainda mais o número de votos no Nordeste em relação aos que obteve o pai em 2022, conseguindo 10,4 milhões de votos na região, empatando com aqueles conquistados na região Sul, por exemplo.

No Nordeste, região onde confirmou sua maior votação, Lula obteve 21,5 milhões de votos e somente 5,5 milhões no Sul. No Sudeste, o atual presidente perdeu 1,8 milhão de eleitores em relação ao pleito anterior. Quase a diferença em relação ao adversário na contagem total.

E não parou por aí. O PL passará a ter uma bancada gigantesca de 28 cadeiras de 81 no Senado, depois de ter conquistado 19 vagas nesta eleição. Dentre os eleitos estão Carlos Bolsonaro, confirmado por Santa Catarina, e Michelle Bolsonaro, ungida pelo Distrito Federal.

Na Câmara Federal, o fenômeno se repete. O PL elegeu 23 e passará a ter uma bancada de 121 deputados no próximo ano, em 513 cadeiras possíveis. Dentre os novos deputados estarão Jair Renan, o filho 04, também eleito por Santa Catarina, e Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, eleito por São Paulo. Só faltou o foragido Eduardo Bolsonaro para completar a festa da família.

Somando os demais eleitos por outros partidos que se alinham diretamente à extrema-direita ou ao maleável Centrão, é fácil concluir que o bolsonarismo dominará o Congresso Nacional a partir de 2027. Salve-se o STF e quem mais puder!

Deu a lógica em Sergipe

O Pato levou uma surra tão grande que ficou mudo. Fábio Mitidieri (PSD) obteve a franquia de quase 60% dos eleitores e, com mais de 727 mil votos, abriu mais de 267 mil de frente em relação a Valmir de Francisquinho (Republicanos), ganhando fácil no primeiro turno. O governador ainda comemorou a reeleição dos senadores que o apoiam, Rogério Carvalho (PT), com surpreendentes 511 mil votos, e Alessandro Vieira (MDB), quase 400 mil votos, a eleição ou reeleição de sete aliados dentre os oito deputados federais e a eleição de uma maioria mais do que folgada na Assembleia Legislativa.

A reeleição de Alessandro Vieira merece um registro histórico. Pela primeira vez um outsider consegue superar a barreira do primeiro mandato, o que não aconteceu com o médico Gilvan Rocha (MDB), eleito em 1974, e também com José Eduardo Dutra (PT), eleito em 1994, e com José Almeida Lima (PDT), eleito em 2002. Esses nunca conseguiram o segundo mandato. Vitória maiúscula do delegado, mais um que engrossa a bancada dos “inimigos” do STF, superando os “favoritos” André Moura (União) e André David (Republicanos).

*Marcos Cardoso é jornalista. Autor de “Sempre aos Domingos – Antologia de textos jornalísticos” (Editora UFS, 2008), do romance “O Anofelino Solerte” (Edise, 2018) e de “Impressões da Ditadura” (Editora UFS, 2024). marcoscardosojornalista@gmail.com

O texto acima é opinião do autor e não representa necessariamente o pensamento do site Destaquenoticias.

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