Famílias quilombolas ocupam sede do Incra em Sergipe

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As famílias participaram de uma reunião no Incra (Fotos: Portal Infonet)

A sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi ocupada na manhã desta segunda-feira, 28, por 115 famílias de quatro comunidades quilombolas localizadas no município de Brejo Grande. As famílias, que lutam pela posse de uma área da União cujo processo de regulamentação se arrasta desde julho de 2013, foram recebidas pela superintendente regional, Leonardo Góis.

De acordo com Maria Izaltina dos Santos, que é uma das líderes comunitárias, a regulamentação da área depende somente de uma liberação do Incra de Brasília. “Todas as etapas que dependem do Incra em Sergipe foram cumpridas. Já houve a visita nas comunidades e foi elaborado um relatório constando que somos descendentes de comunidades afro. Agora falta a liberação do Incra em Brasília e a publicação no Diário Oficial da União”, explica Izaltina ao ressaltar que as famílias exigem ser recebidas em uma audiência em Brasília.

Cerca de 115 famílias ocupam o Incra

Maria Izaltina fala das reivindicações das  comunidades

Izaltina explica ainda que a área é necessária para que as famílias possam se autossustentar. “Até os anos 90, a gente vivia da agricultura, mas com a chegada das máquinas, perdemos nossos empregos. Fomos obrigados a viver basicamente da pesca e da cata de caranguejos e mariscos. Vamos usar essa área para construir nossas moradias e praticar a agricultura, pecuária e psicultura”, destaca a líder comunitária.

Ainda de acordo com Izaltina, as famílias são constantemente ameaçadas por grandes fazendeiros. “Eles destroem nossa plantação e as cercas que construímos para parecer que somos preguiçosos e não queremos trabalhar”, lamenta.

As famílias também participaram de uma audiência no Ministério Público Federal e até o final o dia devem decidir se permanecem ocupando a sede do Incra.

Incra

Após negociação com as famílias e contato com o Incra em Brasília, ficou acordado que as famílias serão recebidas para uma reunião que acontecerá no próximo dia 15 de maio, a partir das 16h.

Por Verlane Estácio

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