
A Polícia Civil de Sergipe, por meio do Departamento de Investigação de Narcóticos (Denarc), deflagrou nesta quinta-feira, 29, a Operação Maré Oculta, em ação integrada com unidades das Polícias Civil e Militar de Sergipe e a Polícia Civil de Pernambuco. A operação investiga uma organização criminosa suspeita de atuar com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, principalmente nos municípios de Pirambu, Aracaju e Nossa Senhora do Socorro. As investigações identificaram movimentações financeiras de aproximadamente R$ 5 milhões em dois anos.
Iniciada em janeiro de 2026, a investigação identificou transações consideradas incompatíveis com a realidade econômica de alguns dos investigados. Parte deles recebia auxílios governamentais, circunstância que também passou a integrar a análise financeira.
“Eles movimentaram aproximadamente R$ 5 milhões nos últimos dois anos, uma movimentação completamente atípica que chamou a atenção do departamento”, explicou o delegado Rafael Kaufer, responsável pela investigação.
Dinheiro do tráfico era usado em empréstimos
Além de utilizar terceiros e operações financeiras para ocultar a origem dos recursos obtidos com o tráfico de drogas, a organização também recorria à agiotagem. O dinheiro em espécie era empregado na concessão de empréstimos, conforme as investigações.
Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente 4,5 quilos de cocaína e R$ 25 mil em espécie. As equipes também encontraram cerca de 78 cartões de crédito e débito, além de cartões vinculados a programas de benefícios. Um dos investigados retinha cartões de terceiros para realizar saques em nome dessas pessoas, prática que será aprofundada no inquérito policial.
O resultado das diligências inclui o cumprimento de oito dos dez mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça e de todos os 19 mandados de busca e apreensão. O principal alvo da investigação, apontado como líder da organização, foi localizado na praia de Serrambi, no litoral sul de Pernambuco, com apoio das forças de segurança daquele estado. Ele era considerado foragido desde 2024, quando passou a ser procurado por roubo, e, segundo as investigações, continuava a comandar as atividades do grupo à distância. Uma das lideranças investigadas, no entanto, permanece foragida.
Investigação apura violência e possíveis ligações com homicídios
Além do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro, a investigação apura práticas de violência e coerção atribuídas ao grupo. Há suspeitas de que alguns dos integrantes presos durante a operação tenham envolvimento em homicídios ocorridos nas regiões de Pirambu e Barra dos Coqueiros.
“Era um grupo que, através do tráfico de drogas, fazia o controle territorial ali na região e utilizava a agiotagem e também a violência, a coerção, a violência física para conseguir fazer esse tipo de retenção dos cartões e outras empreitadas criminosas”, afirmou Kaufer.
As possíveis ligações dos investigados com os homicídios serão apuradas no decorrer das investigações.
A operação contou com a participação da Divisão de Inteligência da Polícia Civil, da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), do Departamento de Crimes contra o Patrimônio (DEPATRI), do Departamento de Proteção Animal e Meio Ambiente (DEPAMA), da Delegacia Municipal de Pirambu e da Delegacia Regional de Lagarto. Também atuaram a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Sergipe (FICCO/SE) e a Polícia Militar, por meio do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Em Pernambuco, a Polícia Civil daquele estado prestou apoio às diligências e ao cumprimento dos mandados, por meio da unidade de Porto de Galinhas.
A investigação prossegue com a análise dos materiais apreendidos para esclarecer a participação de cada envolvido, identificar possíveis outros integrantes da organização e rastrear bens que possam ter sido adquiridos com recursos provenientes do tráfico de drogas.
Fonte: SSP/SE
*A matéria foi alterada às 11h53 para atualização de informações da SSP/SE

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