Parentes de presos protestam contra direção de presídio

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Familiares reunidos sob olhos da PM (Foto: Portal Infonet)

Os familiares dos detentos do Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), que estavam presentes durante a rebelião que durou pelo menos 24 horas entre a sexta-feira e o sábado, protestaram contra a diretoria do presídio na 7ª Vara Criminal.

Nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, 23, esposas, mães e irmãs dos presos foram até o Fórum Olimpio Mendonça, no bairro São Conrado, denunciar ao juiz Hélio de Figueiredo Mesquita Neto o que chamam de abusos e humilhação que estariam sendo praticados pela direção do presídio – e acusam diretamente o diretor, Ricardo Manhães, e um dos responsáveis pelos pavilhões, Marcelo Vitor.

‘Nenhum dos dois tem condições de trabalhar naquele presídio. Agem com truculência com os presos e quando avisamos que vamos denunciar, no caso do Marcelo, ameaça suspender nossa carteira de visitante”, reclama uma das mulheres, que preferiu não ser identificada. “Eu sei que eles [os presos] estão ali porque erraram, mas já estão pagando por isso. Não precisam apanhar todos os dias. Na rebelião [os policiais] já chegaram ‘enfiando’ bala de borracha em esposa, criança e nos presos”, afirma.

Cartazes pedem saída de Ricardo Manhães e Marcelo Vitor 

O protesto das mulheres durante essa manhã foi acompanhado de perto por policiais militares em três viaturas. Os familiares exibiram ainda cartazes pedindo o fim das ‘revistas vexatórias’. Segundo as mulheres, em muitos casos elas são submetidas a inspeção no canal vaginal. “Toda vez eu tenho que me agachar em frente ao espelho nua para eles olharem se estou entrando com algo, e nunca encontraram nada. Para que serve o raio-X que está lá, então?”, questiona dona Lourdes, mãe de um detento. Ela refere-se ao aparelho Body Scanner, que funciona como raio-x e identifica, via imagem eletromagnética, qualquer objeto que esteja sendo escondido pela visitante.

Além de pedir a saída de Ricardo e Marcelo, as mulheres não querem a suspensão das visitas no presídio, colocada como possibilidade em reunião da Secretaria de Estado da Justiça (Sejuc) com o Desipe – em decorrência da fragilidade de algumas estruturas após a rebelião, conforme informou a assessoria de comunicação da Secretaria. Como o juiz não estava no Fórum hoje pela manhã, ficou agendada uma reunião com representantes das mulheres para a próxima quarta-feira, 25.

Por telefone, a assessoria de comunicação da Sejuc informou que a direção do presído age dentro da lei e nega a existência de revistas 'manuais'. Segundo informou o assessor, em casos onde é identificado pelo Body Scanner algo no corpo das mulheres, elas são encaminhadas à delegacia e Instituto Médico Legal (IML). Ainda durante coletiva de imprensa da Sejuc e Desipe na manhã desta segunda-feira, 23, o secretário Cristiano Barreto afirmou que a saída do diretor do presídio Ricardo Manhães e do agente Marcelo Vitor não estão sendo avaliadas no momento. 

Mulheres guardaram balas de borrachas utilizadas pela Polícia durante rebelião

Por Ícaro Novaes

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