
Começar a correr depois dos 40 é possível e pode trazer diversos benefícios para a saúde, mas exige atenção à adaptação do organismo, progressão dos treinos e recuperação. Para o médico Dr. Rafael Cerqueira, anestesiologista e especialista em Medicina do Esporte, o principal cuidado é respeitar o tempo do corpo e evitar aumentos rápidos na carga de exercícios. “Depois dos 40, a pessoa pode começar a correr e evoluir muito bem, mas precisa respeitar mais o processo de adaptação. Com o passar dos anos, tendemos a perder massa muscular, força, mobilidade e capacidade de recuperação”, explica.
Segundo o especialista, a avaliação médica antes de iniciar a prática deve ser individualizada. Nem todos precisam realizar uma bateria de exames, mas pessoas com fatores de risco, histórico familiar de doenças cardiovasculares ou sintomas durante o esforço podem necessitar de uma investigação mais detalhada.
Para quem nunca correu, Rafael recomenda começar de forma gradual, alternando caminhada e corrida leve. “O principal erro de quem começa é evoluir rápido demais. Muitas vezes, o condicionamento cardiovascular melhora antes que músculos, tendões e articulações estejam preparados para suportar aquela carga”, afirma.

Entre as lesões mais frequentes estão dores nos joelhos, fascite plantar, tendinopatia de Aquiles, canelite e dores musculares ou tendíneas. A prevenção envolve progressão adequada, fortalecimento muscular, descanso, sono, alimentação e hidratação.
O médico também alerta para sinais que não devem ser ignorados. Dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, desmaio, palpitações acompanhadas de mal-estar e queda inexplicada da capacidade física são motivos para interromper o exercício e buscar avaliação.
Além da corrida, o fortalecimento muscular e a recuperação têm papel importante. “Depois dos 40, não basta pensar apenas em correr mais quilômetros. O fortalecimento ajuda a preservar massa muscular, melhorar força e capacidade de absorver impacto”, destaca.
Para Rafael Cerqueira, quem deseja correr por muitos anos precisa encontrar equilíbrio entre treinamento e recuperação. “O treino é o estímulo. A melhora acontece quando o organismo consegue se recuperar daquele estímulo. Por isso, performance e recuperação precisam caminhar juntas”, finalizou o médico.
Fonte: Assessoria de Imprensa

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