Setembro Amarelo: um mês para quebrar o silêncio

Profissionais do HU-UFS e HUL-UFS destacam a importância da prevenção ao suicídio e do cuidado contínuo com a saúde mental

Campanha chama atenção para sinais de sofrimento psíquico e medidas de prevenção ao suicídio (Foto: Freepik)

Falar sobre suicídio ainda é um desafio; entre estigmas e preconceitos, o silêncio acaba se transformando em um obstáculo à prevenção. Para enfrentar esse tabu, o movimento nacional Setembro Amarelo traz a saúde mental para o centro do debate. A campanha é divulgada desde 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), e tem o objetivo de conscientizar a população e ampliar o acesso a informações sobre o tema.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio no mundo a cada ano. No Brasil, dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) registraram, em 2023, uma média superior a trinta internações por dia relacionadas a lesões autoprovocadas intencionalmente. Os números reforçam que não se trata de uma questão individual, mas de uma questão de saúde pública.

De acordo com o chefe da Unidade de Atenção Psicossocial do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil), Alisson Moreira, o Setembro Amarelo referencia uma campanha de apenas um mês relacionada a ações de prevenção ao suicídio, no entanto é preciso atuar durante todo o ano na prevenção, promoção e assistência às demandas relacionadas à saúde mental em um contexto mais amplo, garantindo a integralidade do cuidado.

“É necessário ficar atento a sinais de alerta que precisam de uma atenção e de uma intervenção imediata. Na minha percepção, mudança de comportamento, de hábitos e da rotina são fatores determinantes para ficarmos atentos, além de isolamento social, insônia, automutilação, choro sem motivos aparentes, impaciência e agressividade”, destaca Alisson.

Mortalidade por suicídio

Nesse cenário, um ângulo que merece destaque é a prevenção ao suicídio na adolescência. De acordo com a OMS, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo em 2021. Além disso, o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde de 2022 revelou que a taxa de mortalidade por suicídio entre adolescentes de 15 a 19 anos aumentou 49,3% entre 2016 e 2021 no país.

Para a psicóloga hospitalar da Unidade de Ambulatório do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS/HU Brasil), Ana Paula Santos, o desafio maior está na conscientização, entendimento e valorização do impacto das emoções em pessoas de todas as idades, um impacto que, se não for valorizado, pode custar vidas. “A ação do Setembro Amarelo é apenas um ponto de partida que deve ser estendido durante todo o ano em ações diárias dentro da cultura organizacional, visto que para o sofrimento mental não há um calendário, ele perpassa nosso cotidiano. Inicialmente é importante conscientizar e ter a cultura cada vez mais definida a respeito da importância de validar e acolher as emoções, propiciando um espaço constante de escuta, entendendo como um processo e um protocolo a ser seguido”, pontua Ana Paula.

Protocolo
A profissional acrescenta que é recomendado fazer um treinamento das lideranças para identificar mudanças de comportamento, como também capacitações constantes voltadas para o setor administrativo e assistencial. “Isso não deve ser tratado como algo opcional, mas como um protocolo a ser seguido durante todo o ano. Ademais, o hospital é apenas um dos pontos de atenção na rede de atenção psicossocial em saúde mental, tendo em vista que o adoecimento emocional inicia muito antes da manifestação dos sintomas emocionais, físicos e comportamentais”, afirma.

Para ela, é necessário ter atenção quando o indivíduo apresenta tristeza persistente, irritabilidade constante, oscilações de humor, isolamento social, cansaço constante, diminuição ou ausência de prazer em realizar as atividades que antes eram prazerosas, dificuldade no autocuidado, incluindo higiene pessoal, queda no rendimento do trabalho ou na escola, dores ou adoecimento físico que não melhoram com os tratamentos, alterações no sono, dentre outros.

“A orientação é que o sofrimento do paciente pode e deve ser cuidado. Sempre há o que ser feito para minimizar, controlar e cuidar da dor do indivíduo. O profissional de saúde mental é habilitado para escutar e cuidar do sofrimento psíquico sem julgamentos, com acolhimento e técnicas que objetivam promover a saúde e auxiliar na diminuição do sofrimento psíquico”, diz a psicóloga.

Setembro Amarelo no HU-UFS e HUL-UFS

No HU-UFS, no próximo dia 30 de setembro, será realizado um evento em alusão ao Setembro Amarelo. O intuito é proporcionar um ambiente favorável à prevenção e promoção da saúde mental, abordar a saúde mental de forma ampla, integrada, com abordagem de assuntos atuais que impactam na qualidade de vida do ser humano.

Na mesma data, a Unidade de Ambulatório do HUL-UFS promoverá, às 14h, no auditório do CENSIP, o evento “Suicídio: prevenção, fatores de risco e primeiras providências”, coordenado pelas psicólogas Ana Paula Santos e Anna Luiza Salim, com palestras também dos psiquiatras Caroline Winandy e Mateus Moura.

Sobre a HU Brasil

O HU-UFS e o HUL-UFS integram a Rede HU Brasil desde 2013 e 2017, respectivamente. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

Fonte: Ascom/HU-UFS

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