Milton Neves: “a torcida me xinga, mas me assiste”

Milton Neves (fotos: Igor Matheus/ Portal Infonet)

Ele não mede palavras – e ainda é muito bem pago por isso. Um dos maiores jornalistas esportivos do país, Milton Neves esteve em Aracaju na última sexta-feira, 22, para dar palestra em um evento de comunicação, dividir suas experiências com jornalistas e alunos e fazer o que mais sabe: provocar.

Aos 63 anos, Neves começou no rádio, ganhou programa próprio em 1982,  cobriu diversas copas do Mundo e hoje vive a fama como jornalista de “studio” ou “indoor” – como ele mesmo define. E é com esse retrospecto que o mineiro de Muzambinho, dentre suas dicas de jornalismo, questionou a passividade da imprensa brasileira diante do técnico Luis Felipe Scolari após o desastroso 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil. Para ele, era preciso mais do que coragem para perguntar direito: era necessário fustigar o gaúcho com algumas verdades.

Sobre o futebol sergipano: "Não sei nada"

“Felipão convocou uma coletiva querendo se segurar. Tomou de 7 a 1 e levou os fisioterapeutas, o pessoal da alimentação e disse ‘olhe o que fizemos’. Mas espera aí… Todos aqueles caras tinham que fazer aquilo mesmo. Ganhavam pra isso. A imprensa deveria ter dito assim: ô Felipão, você tomou de 7 a 1. Você enterrou sua carreira, e vai ser lembrado 98% por causa dessa derrota, e só 2% por causa de 2002. Para de querer ficar e peça demissão.  Por que ainda está aí dizendo que o trabalho foi bom? Bom foi o trabalho da Copa de 1950, quando o Brasil chegou na final”.

Neves também destacou que o jornalista precisa aprender a ser mais incisivo e direto nas perguntas. “Geralmente os repórteres de jornal impresso são mais inteligentes. Mas eles fazem perguntas compridas demais. Lembro de um que chegou a dizer pro Felipão que o apagão não foi de seis minutos, mas de seis jogos. Perfeito. Mas aí ele resolveu emendar outra coisa. Pergunta tem que ser curta e grossa, feito um punhal”.

Sobre a fama de provocador: "Polêmica dá audiência"

Conhecido pela memória enciclopédica – que o faz desenterrar as mais esquecidas escalações de times mais esquecidos ainda -, o jornalista admitiu não saber absolutamente nada sobre o futebol sergipano. “Não sei de nada, sou muito sincero. Tanto que escrevi um artigo certa vez em que foi muito perseguido por aqui. Mas em toda capital escolho um time para defender e outro pra atacar. Como torcedor, sou só Santos. Mas também sou Coritiba contra Atlético-PR, Paysandu contra o Remo, Santa Cruz contra o Sport e o Náutico. Quando você provoca, dá polêmica, e polêmica dá audiência.  A torcida me xinga, mas me assiste”.

Neves ainda se mostrou impressionado com a beleza da capital sergipana, e despertou seu lado “empreendedor turístico” para emendar uma parábola.  “Não imaginava que aqui fosse tão bonito. Mas Pernambuco e Bahia dão uma aula de divulgação em vocês. É preciso usar aqui a tática da galinha. A pata, o avestruz e a galinha botam ovos. Mas só a galinha faz alarde, cacareja, grita quando bota um. Sergipe está parecendo uma pata ou um avestruz. É um lugar maravilhoso, mas ninguém sabe de nada daqui”.

Por Igor Matheus

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