Juiz nega liberdade para sargento

 

Juiz nega liberdade provisória para sargento Ataíde Mendonça
Na manhã desta quinta-feira, 11, o Juiz da 6ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, Diógenes Barreto, negou o pedido de liberdade provisória para o 3º sargento da PM, Ataíde Mendonça.

De acordo com o parecer do magistrado, mesmo após recolhido ao Presídio Militar (PRESMIL), o sargento concedeu entrevista à rede Ilha de Comunicação (Programa Gilmar Carvalho), com o nítido intuito de incitamento dos membros da corporação fardada a não cumprirem as ordens dos seus superiores hierárquicos relacionadas à guarda externa do sistema prisional.

O CD que contém a entrevista foi anexado ao processo e

O sargento continua internado no HPM(Foto: ABSMSE)

também serviu como base para que o promotor de Justiça Militar, Jarbas Adelino Santos Júnior, voltasse atrás no parecer favorável à liberdade do militar. No processo, o promotor diz que durante a entrevista o sargento proferiu comentários de incitamento e apologia à indisciplina militar.

O advogado do sargento afirmou que não sabia da entrevista e contou que está decepcionado com a atitude do cliente. Igor Gonçalves esclareceu que desde a prisão orientou Ataíde para não prestar nenhuma declaração à imprensa. “O meu trabalho foi jogado por água abaixo, meu cliente sabia que não deveria conceder entrevistas e descumpriu o acordo. Estou insatisfeito com a atitude dele, pois foi quebrado o ato de confiança entre cliente e advogado”, afirma o advogado, salientando que deverá deixar o caso.

“Vou analisar o que deve ser feito, mas é provável que abandone o caso em virtude dessa quebra de acordo. Agora a única maneira é o pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça”, enfatiza.

Virgília

O representante da Associação Beneficente dos Servidores Militares de Sergipe (ABSMSE), sargento Vieira, disse apenas que vai continuar realizando uma vigília em frente ao Presmil, até que Ataíde seja colocado em liberdade.  “Não estamos fazendo isso para confrontar a Justiça, o intuito é sermos solidários ao nosso companheiro”, explica Vieira.

“Fui induzido ao erro”, diz advogado

No final da tarde dessa sexta-feira, 11, o advogado Igor Gonçalves que representa o sargento Ataíde ligou para a redação do Portal Infonet e disse que foi induzido ao erro, quando declarou que o cliente teria descumprido o acordo ao conceder entrevistas.

Segundo o advogado, o sargento Ataíde não prestou nenhuma entrevista enquanto estava preso. “Consta no processo que ele deu entrevista enquanto estava preso, mas isso não é verdade. O sargento conversou com o repórter do programa Jornal da Ilha, de Gilmar Carvalho enquanto estava no Ciosp [Centro Integrado de Operações em Segurança Pública]. A entrevista foi feita antes da lavratura da prisão”, esclarece o advogado Igor Gonçalves.

O advogado diz ainda que lamenta ter declarado que iria abandonar o caso e que vai se reunir com o cliente para conversar sobre o assunto. “O meu cliente não feriu o princípio da hierarquia militar, enquanto estava preso. Ele não cometeu nenhum ato de arbitrariedade durante a prisão”, afirma.

Por Kátia Susanna

* A matéria foi alterada às 17h40 para acréscimo de informações

Confira o parecer na íntegra:

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