Terrorismo na América do Sul

Diego Rodrigues Dias da Luz
Graduado em História pela Universidade de Pernambuco

Por volta das 10 horas da manhã do dia 18 de Julho de 1994, ocorreu um fato de grande impacto dentro do contexto internacional. Enquanto o Brasil se tornava tetracampeão de futebol ao bater a seleção da Itália nos pênaltis durante a Copa do Mundo de 1994, na Argentina acontecia um dos episódios mais marcantes de sua história contemporânea, o atentado à AMIA. O primeiro estrondo marcou a explosão do carro-bomba que fora utilizado como instrumento de destruição, o segundo estrondo marcou o momento da queda do edifício de sete andares o qual um dia fora a antiga sede dessa instituição. Mais de 300 feridos e 85 mortos foram os danos causados pelo ataque.

A Asociación Mutual Israelita Argentina ou AMIA tem como finalidade manter, investir, incentivar e difundir a cultura e religião judaica dentro do território argentino. Embora ainda não se saiba a autoria do ataque, este não foi o único fato relacionado ao terrorismo internacional dentro da história do país. Em 17 de Março de 1992, foi registrado um ataque terrorista à embaixada israelense na Argentina. Um total de 242 feridos e 29 mortos foram os danos causados pelo atentado.

Em 18 de Julho desse ano (2014) completaram-se 20 anos desde o atentado de 1994, as investigações não chegaram à conclusão alguma, ainda não se conhece a autoria de ambos os atentados, o que se tem até hoje é todo um conjunto de especulações sobre os possíveis responsáveis. As suspeitas envolvem desde o ex-presidente Carlos Menem (presidente responsável pela gestão durante os atentados) até o chefe da polícia de Buenos Aires (Juan José Ribelli), o serviço de inteligência argentino ou SIDE (Hugo Anzorreguy), o governo iraniano, até mesmo o juiz responsável pelas investigações, o Juan José Galeano.

A participação interna no planejamento e execução do atentado é incontestável, apesar da falta de evidências para ratificar tal afirmação, não seria provável a organização de um ataque dessa magnitude sem participação e consentimento de grupos ou instituições internas, isso alimenta a polêmica sobre a participação do ex-presidente Carlos Menem e a manipulação das autoridades estatais sob seu comando. Essa hipótese também levanta suspeita sobre a participação de grupos de extrema-direita, como os Neofascistas, que tem ampla divulgação e aceitação de suas idéias anti-semitas, xenofóbicas e seu discurso de ódio através de bandas musicais e websites.

O grande impacto gerado pelo atentado foi o princípio ativo de uma longa jornada de conferências internacionais entre Brasil, Argentina, Paraguai e EUA sobre a questão da Tríplice Fronteira. Considerada uma zona de convergência de comunidades terroristas e narcotraficantes, a Tríplice Fronteira envolve as cidades de Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina). Nessa região há presença de um grande contingente de imigrantes de origem árabe, muitos que saíram fugidos de conflitos que eclodiram no Oriente Médio, como o conflito israelo-palestino.

Conhecido como Grupo 3+1, as conferências entre os países sul-americanos e os EUA gerou alguns acordos multilaterais de natureza estrutural de formação comum e coordenação com o objetivo de facilitar e dinamizar o intercâmbio e compartilhamento de informações, desenvolver e articular políticas de segurança coordenadas regionalmente para a zona fronteiriça, elaborar documentos públicos assinados de comum acordo pelos governos nacionais envolvidos, nos quais se expressa a postura oficial e o consenso dos membros do grupo sobre o tema terrorismo internacional na região.

O atentado completa seus 20 anos de irresolução e traz consigo uma carga de frustração e descontentamento de vítimas que sofreram danos físicos e psicológicos. O grande impacto causado pelo atentado se reflete principalmente no âmbito internacional, aumentando em larga medida o debate acerca da segurança nacional e da região fronteiriça, estreitando as relações entre as nações envolvidas na tentativa de coibir futuros atentados.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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