Carnaval: abuso de álcool e falta de sono agravam problemas de saúde

Desidratação, intoxicações e efeitos causados pela bebida são as principais queixas de foliões ao longo da festa (Foto: Ascom/Unit)

Com a chegada das festas e eventos de Carnaval, aumenta também a preocupação com os problemas causados pelo abuso do consumo de álcool. Os serviços médicos, prestados inclusive em postos montados nos próprios eventos, já ficam preparados para atender a foliões em situação de embriaguez ou com lesões causadas por acidentes ou brigas. As queixas mais comuns se relacionam aos sintomas de desidratação, como dor de cabeça, tontura, boca seca, sede excessiva, urina mais escura, mal-estar ou visão escurecida, e normalmente estão associados ao calor, à transpiração excessiva ou à ingestão de bebidas alcoólicas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como dose padrão a quantia de 10g de etanol puro e recomenda que homens e mulheres não excedam duas doses por dia e fiquem sem beber pelo menos dois dias por semana ,para evitar maiores prejuízos ao organismo. No entanto, uma lata de cerveja de 350 ml (4,5%) possui 14g de etanol puro, o que supera o padrão da OMS. “Por se tratar de uma substância tóxica para o organismo, não há recomendação mínima que seja segura em relação à ingestão de álcool”, frisa Priscila Laise dos Santos, doutora em Ciências da Saúde e professora-assistente do curso de Enfermagem da Universidade Tiradentes (Unit).

Um dos efeitos do excesso de álcool são as náuseas e vômitos, muitas vezes descarregados no meio da rua. De acordo com a professora, essas reações do organismo são provocadas por ações conjuntas do fígado e do sistema nervoso central na tentativa de metabolizar o álcool, transformando-o em uma substância menos tóxica e buscando alguma forma de excretá-lo. “Além desses sintomas, a ressaca tende a surgir mais tardiamente, resultante da desidratação e do gasto exacerbado de glicose realizado principalmente pelo fígado e pelo cérebro, com o intuito de reduzir os danos ao organismo. A dor de cabeça típica da ressaca reflete a perda considerável de água no cérebro”, explica Priscila, referindo-se às consequências sentidas após o consumo do álcool.

Outro efeito provocado pelo álcool é a desidratação, em virtude da perda excessiva de água por ação do hormônio antidiurético (ADH). Segundo a professora, esse hormônio aumenta o volume urinário na tentativa de excretar o máximo de álcool possível na urina, o que favorece a desidratação.

O sistema imunológico do corpo também acaba afetado pelo abuso do álcool, aumentando o risco para o desenvolvimento de doenças infectocontagiosas causadas pelo contato com grandes aglomerações, como infecções respiratórias, conjuntivite, viroses gastrintestinais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).“O álcool pode danificar e/ou mesmo reduzir a produção de células de defesa, reduzir a quantidade de nutrientes necessários para o funcionamento do sistema imunológico, além de desencadear inflamações intestinais, impedindo a absorção adequada de novos nutrientes, e destruir bactérias benéficas da nossa microbiota intestinal”, detalha.

Horas mal-dormidas

Boa parte de todos esses efeitos são potencializados pela falta do sono adequado, isto é, a falta de descanso do corpo por causa das noites que não são dormidas adequadamente. Priscila cita a própria a OMS para alertar que o sono restaurador é um componente essencial para o fortalecimento do sistema imunológico. “É durante o sono que o nosso sistema de defesa é ativado, aumentando a produção de anticorpos e de citocinas pró- e anti-inflamatórias necessárias à defesa do organismo contra agentes invasores, como vírus e bactérias, prova disso é o aumento da sonolência nos momentos em que adoecemos”, explica ela.

As noites sem sono podem provocar sonolência, dificuldade de concentração, irritabilidade, dificuldade de memorização, irritabilidade, fadiga e outros sintomas. Se associadas ao uso excessivo de álcool, elas potencializam a alteração dos padrões de humor, o déficit de concentração, o enfraquecimento do sistema imunológico e incidentes cardiovasculares como o infarto do miocárdio e o acidente vascular encefálico. “Quanto mais noites o indivíduo fica sem dormir, mais intensos se tornam esses sinais e sintomas, o que pode favorecer a malefícios à saúde”, ressalta a professora.

A recuperação

Para se recuperar de uma noite de folia, é importante descansar bem para recuperar as horas perdidas de sono, além de manter uma hidratação adequada, aumentar o consumo de alimentos saudáveis e ricos em água (como frutas, legumes e verduras) e repor os eletrólitos perdidos (água de coco é uma excelente opção).

A pessoa também deve evitar alimentos ultraprocessados (como refrigerantes, doces, biscoitos, macarrão instantâneo, dentre outros) e realizar atividades físicas ,como andar de bicicleta ou praticar caminhadas. “Aproveite sem exageros, intercale diversão com descanso, durma bem, mantenha hidratação frequente e alimentação saudável, utilize protetor solar e caia na folia”, avisa Priscila.

Fonte: Ascom/Unit

Portal Infonet no WhatsApp
Receba no celular notícias de Sergipe
Acesse o link abaixo, ou escanei o QRCODE, para ter acesso a variados conteúdos.
https://whatsapp.com/channel/
0029Va6S7EtDJ6H43
FcFzQ0B

Comentários

Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso portal. Ao clicar em concordar, você estará de acordo com o uso conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Concordar Leia mais