Famílias de Socorro prometem resistência na desocupação

Famílias sofrem pela falta de saneamento (Fotos: Portal Infonet)

As centenas de famílias que ocupam as residências, localizadas no conjunto Itacanema, em Nossa Senhora do Socorro, região da Grande Aracaju, estão tensos com a reintegração de posse já concedida pela Justiça. Na manhã desta segunda-feira, a equipe do Portal Infonet esteve no local e conversou com os ocupantes que garantem que não vão cumprir a determinação, pois não têm para onde ir.

A diarista, Cristiana da Silva, reconhece que nem todos que estão no conjunto precisam do imóvel, mas afirma que o poder público pode fazer uma triagem das famílias necessitadas beneficiando quem precisa. “Não podemos simplesmente pagar por pessoas que se aproveitam desse momento, muitas pessoas que estão aqui realmente precisam e não estão mais aguentando pagar um aluguel caro, sendo despejadas e sabendo que existe estas casas que estão aqui paradas sem beneficiar ninguém”, lamenta Cristiana que fala sobre a dura rotina.

Cristina mostra contas atrasadas

“Trabalho como diarista somente uma vez por semana e ganho R$40, também tenho como renda o bolsa família de R$134. Com essa renda, tenho que pagar R$250 de aluguel, R$110 de conta de luz e R$80 de água. Pergunto se isso é possível? Estou com vários talões sem pagar e todos os dias recebo telefonemas da dona da casa onde morava cobrando o dinheiro do aluguel e das contas. Eu não posso pagar. Isso é justo? Infelizmente os governantes não querem saber de nada, mas muitos aqui estão passando fome, com filhos doentes e se realmente a Justiça obrigar a saída teremos que resistir”, fala.

Situação semelhante enfrenta a gestante, Clara das Neves Santos. Mãe de três filhos, de um ano, dois e 10 anos a mulher diz não suportar mais tanta pressão e alega que pagava um aluguel de R$200 no conjunto Jardim, mas entregou o imóvel e promete não deixar a residência.

Grávida de dois meses, Clara enfrenta dura rotina

“Nós estamos aqui sem nenhuma condição de higiene e segurança. As casas não possuem portas e o banheiro não tem vaso. Temos que tomar banho no meio da rua e as crianças estão doentes. Além de tudo isso, todos os dias surge uma conversa de que vamos ser colocados para fora daqui. Só passa por uma situação de humilhação como essa quem realmente precisa”, diz.

O secretário de Planejamento do município, Gleidson Oliveira, informou que além do pedido de reintegração não tem novidades sobre a situação das famílias que devem desocupar a área.

Por Kátia Susanna

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