10 ANOS DOS KIRCHNER

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Gabriela Resendes Silva

Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe.

Bolsista do Programa de Educação Tutorial do Curso de História (PET/UFS)

Integrante do GET/UFS/CNPq. E-mail: gabriela@getempo.org

No último dia 25 de maio, o governo Kirchner comemorou dez anos no poder. Para os que são a favor do governo “foi uma década vencedora”, já para a oposição, “uma década perdida”. Mas afinal, o que representou para a Argentina esses dez anos do governo de Néstor Kirchner e de Cristina Fernández de Kirchner? E o que podemos esperar do governo de Cristina até o fim de seu mandato em 2015?

Há exatos dez anos a Argentina estava tentando se recuperar de uma das suas piores crises (2001-2002). Assim, assume o governo neste momento de instabilidade econômica, política e social, o ex-governador da Província Santa Cruz Néstor Kirchner, líder de uma ala do peronismo.
O governo de Néstor Kirchner fora um governo de recuperação estrutural, uma saída de emergência para uma Argentina instável economicamente e socialmente. Kirchner não só reestabeleceu a autoridade presidencial, que nos últimos tempos mostrava-se fragilizada, lembrando que num período de duas semanas foram derrubados cinco presidentes, por causa da grande crise; como também buscou encontrar saídas para a pobreza extrema (a partir da implantação de programas de compensação social como “bolsa família” e de políticas semelhantes), e reduzir a enorme dívida externa. Sendo que tal crescimento se manteve, no governo de Néstor, principalmente por conta do setor exportador.

Outro ponto expressivo da forma de governo do Néstor Kirchner foi seu posicionamento frente aos acusados por crimes no período da ditadura. O presidente foi um crítico ferrenho dos atos brutais cometidos, passando a liderar uma campanha de punição aos mesmos. Tal posicionamento fez com que o presidente se aproximasse ainda mais daqueles argentinos que clamavam por justiça e que temem até hoje os tempos sombrios vividos no país.

Mesmo tendo seu governo aceito pela maioria da população, Néstor Kirchner não concorreu à reeleição. O presidente preferiu “tomar as rédeas” do Partido Peronista, a fim de diminuir a fragmentação do mesmo. Mas isso não significou o fim da “Era Kirchner”, pois agora entra em cena a figura emblemática de sua esposa, que por sinal não era uma simples primeira-dama, era uma mulher conhecedora da política argentina, e principalmente, conhecedora do povo argentino, o que facilitou sua aceitação.

Assim a Argentina passava a ser liderada por uma mulher, lembrando que não fora a primeira vez que uma mulher se mostrou capaz de “liderar” o governo argentino, pois assim como Evita Duarte de Perón e Isabelita Perón, Cristina Kirchner não era somente a mulher do presidente, era também uma mulher politizada que interferiu no governo de seu marido e por consequência era uma candidata de peso nas eleições de 2007.

Com a vitória de Cristina Fernández de Kirchner (CFK) com 52% dos votos, ficou comprovada a popularidade do governo Kirchner. Os anos iniciais do seu primeiro mandato fora relativamente tranquilos. Porém, após tomar algumas medidas, a mesma entrou em conflito com diversos setores da economia argentina.

Cristina aumentou os impostos das importações de trigo, soja, milho e girassol – segundo seus críticos, para manter sua política assistencialista e por consequência legitimar, a partir das camadas pobres, seu governo –, e por conta disso comprou uma briga feia com as entidades rurais do país.

Sendo que seu governo além de ser conhecido pelas estatizações, é atualmente um protagonista de grandes enfrentamentos com a mídia local, principalmente com o grupo Clarín, o qual era a favor do governo, mas com o aumento dos impostos nas exportações rurais, vem sendo um dos maiores críticos da política da presidenta.

Em meio a tantos conflitos, passou a ser incerto o destino da senhora Kirchner na presidência, poucos acreditavam na sua reeleição. Porém, foi a dor da perda que possibilitou o aumento da popularidade da presidenta. Com a morte de Néstor em 27 de outubro de 2010, Cristina obteve um maior apoio da população e nas eleições de 2011 foi reeleita.

Muito se especula a respeito do governo (CFK). Apesar da mesma continuar a protagonizar inúmeros enfrentamentos, seu governo ainda conta com o apoio da maioria da população, principalmente das classes mais humildes.

Dez anos do governo dos Kirchner. Um período marcado por momentos positivos, mas também negativos, de modo que não podemos dizer que foi uma “década vencedora” porque isto implicaria dizer que tudo deu certo. A Argentina enfrenta graves problemas, como a persistência da inflação, as dificuldades de integração dentro do próprio país e o conflito infindável com a Inglaterra no referente a soberania das Ilhas Malvinas. Mas podemos concordar com “década vencedora” se olharmos de maneira comparativa com os anos anteriores. A recuperação do país no governo Kirchner foi evidente nestes dez anos, seja na melhoria da economia, na diminuição da pobreza, no respeito aos Direitos Humanos.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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