A “Bixa-louca” de estimação

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Gay é alegre, porém, questionador e inteligente. A “Bixa”, obrigatoriamente, tem que ser a “louca”. No planeta não existe alma viva que suporte alguém inteligente, sagaz e com opinião. Preferimos alguém que nos faça rir, claro, pois pensar é tão difícil! Vivemos numa sociedade omissa de amor ao próximo, que esconde o seu preconceito com um simples afagar na cabeça da “bixa-louca”, como forma de declarar: eu sou a favor dos “viados”. Ser “bixa” pode, pois diverte. Ser gay, não!

Mentiras!

A relação homossexualidade, dignidade, direitos iguais é tão conflituosa, que os mais ralos preferem que tudo fique como está: vazio! Há algumas décadas ser gay era tão medonho quanto ser um “leproso”. Tempos depois aconteceu uma falsa evolução do aceitar o outro e na década de 90 a coisa mais bacana do mundo era ter uma “bixa-louca” no grupo. Ela divertia, vestia roupas justas, dançava É o Tchan até o chão e ainda por cima tinha todo o tempo do mundo para ouvir as amigas, sendo o ombro-viado-amigo para a choradeira das moças, etc e tal.

Como nunca se questionou se a “bixa-louca” tinha sentimentos e ela, coitada, gostava da misera atenção que recebia perpetuou-se que esse animal-de-estimação-tamanho-família, obrigatoriamente, precisava existir, de preferência na família do vizinho. Só fazendo parte da nossa, em ocasiões jocosas. Tudo pelo brilho do gel com purpurina. As relações de pena, ódio e despreza foram maquiadas em forma de aceitação.

Mais recente, a “bixa-louca” começou a ser vista como uma ameaça social. “Ousada!” Quem disse que ela tem direito a ser feliz? “Ousada!” E se arrumar outro cara pra viver, como ousa? “Ousada!” E se ela não estiver mais disponível pra alegrar nossos filhos garotões, como será? Contratar um palhaço? Sairia caro demais, e é claro que neste caso, o palhaço não serviria para ser fudido quando a festa acabasse. Já a “bixa-louca” alimenta o garotão, e tantas vezes, o pai da amiga, o tio, o cunhado, o amigo da família… ela é cama e comida!

Quando um homossexual cobra ser tratado nada mais nada menos como ser humano que é, criam-se as Patrícias Abravanels da vida: “não acho normal mulher com mulher”. Então quer dizer que no Ratinho a “bixa-louca” ser ridicularizada pode? Quer dizer que a travestir sem coordenação motora dublado errado no Programa do Sílvio pode? Mas adotar uma criança, casar e ter direitos à saúde, reconhecimento na aposentadoria e ser feliz como todo mundo, não!? Oh mundo engraçado este (SQN).

Cada vez que uma “bixa-louca” deixa de ser “bixa-louca” e passa a se ver como alguém de direito, tumultua a ordem das coisas ditas “normais”. O problema é que tem tanto RuPaul's e tantas outras futilidades que se acaba inundando o se pensar sobre o se sentir. Daí cria-se essa facilitação para que o preconceito exista. A mulher, na moral feminista, só chegou aonde chegou porque se viu como ser humano produtivo, compromissado e eficiente. Enquanto a “bixa-louca” servir de entretenimento, nada irá mudar. Claro que é permitido “dar pinta” a hora que desejar, porém, não se pode ficar restrito a isto. Não se auto-banalizar por um cachê pequeno (talvez só por muitos dólares e olhe lá).

Se as bandeiras levantadas tivessem base já teríamos outra sociedade mais coerente sobre o amor alheio. Como dizia um professor que eu tive: “Quem se garanta em sua sexualidade não perde tempo se preocupando com a vida sexual do outro”. Sempre trago essa frase comigo como lema de respeito e amor ao outro.

O preconceito está em você e não no que você admira (seu alvo), mas, tenha calma, pois é uma doença simples de resolver: basta abrir os olhos e enxergar o outro, o “diferente”, como parte de você também. Só existe preconceito onde mora a escuridão e a burrice dos cegos de alma. Mude, ainda dá tempo, do contrário, desejo que você tenha um filho, no mínimo gay, pra não desejar uma “bixa-louca”, pra você pagar sua língua que só profere desgraças ao outros.

“Se ligue, se vigie!”.

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