A camisinha rompeu? Ficou preocupado com o HIV? Saiba o que é a PEP

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O preservativo do pênis ou da vagina oferece grande segurança e protege contra o HIV e outras IST – Infecções Sexualmente Transmissíveis. Entretanto, existem situações, onde, por erro na colocação do preservativo ou porque tinha qualidade ruim, pode ocorrer o rompimento, durante a relação sexual. Existem ainda relatos do não uso do preservativo porque estava sob o efeito do álcool ou de outras drogas. Algumas pessoas me falam que não usaram o preservativo porque o (a) parceiro(a) era “limpa(o)” ou conhecida (o) ou de confiança… No dia seguinte, vem a preocupação: será que a outra pessoa tem ou tinha o HIV? Essa preocupação está se tornando muito frequente. Um descuido no uso da camisinha pode levar a uma situação de estresse e a pessoa quer procurar alguma medida para minimizar o risco de adquirir a infecção pelo HIV.

Embora a infecção pelo HIV tenha tratamento e com bons resultados, ter o HIV envolve mudanças de atitudes e uma maior preocupação com a saúde. Além disso, às vezes, tem que enfrentar situações de preconceito e discriminação.
Considerando as novas medidas para a prevenção, usando medicamentos, destaca-se a PEP – Profilaxia Pós-Exposição de Risco. É uma medida de prevenção de urgência para ser utilizada em situação de risco à infecção pelo HIV. É uma forma de prevenção para pessoas que, comprovadamente, não apresentam o HIV (teste de HIV negativo ou não reagente). Ela está indicada nas seguintes situações: Violência sexual; Relação sexual anal ou vaginal desprotegida (sem o uso de camisinha ou com seu rompimento); Acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes).

A probabilidade de transmissão do HIV de uma pessoa para outra depende de vários fatores: tipo de prática sexual (anal, vaginal e oral); o parceiro sexual for HIV positivo e estiver com uma carga viral sanguínea detectável (quantidade de HIV circulando no sangue); presença de infecções sexualmente transmissíveis (feridas genitais (herpes, sífilis), presença de corrimentos (gonorreia, candidíase vaginal, por exemplo). Uma informação importante, quando é possível obter, é se o(a) parceiro(a) está em tratamento com os antirretrovirais e se está indetectável ou não.

A PEP é uma tecnologia inserida no conjunto de estratégias da Prevenção Combinada e tem como objetivo, reduzir o risco de infecção em situações de exposição ao HIV.

Como funciona a Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP) para o HIV?
O atendimento é considerado de urgência porque o uso dos medicamentos deve começar o mais cedo possível. A PEP sexual não é indicada para todos e nem deve ser usada a qualquer momento. Ela não substitui o uso da camisinha e não deve ser utilizada em exposições sucessivas, pois podem apresentar efeitos colaterais que se agravam pelo uso repetitivo. Além disso, as pessoas que se expõem ao risco com frequência necessitam de uma avaliação para possível indicação de uma outra forma de redução do risco de infecção pelo HIV que é a PrEP – Profilaxia Pré-exposição, que consiste no uso contínuo de medicamento antirretroviral por pessoa que não apresenta o teste reagente para o HIV.

A PrEP não é urgência e também não deve substituir o preservativo. É uma forma de prevenção relacionada ao modo de vida ligado às exposições de risco frequentes.

Na exposição sexual, é frequente que o parceiro não saiba da situação sorológica da outra pessoa, isto é, muitas vezes não sabe se a outra pessoa tem ou não o HIV. A pessoa exposta ao risco nas últimas 72 horas (por exemplo, rompimento do preservativo ou não usou por decisão pessoal) deve procurar um serviço de urgência para ser avaliada se realmente tem indicação a PEP. O ideal é procurar um serviço nas primeiras 2 horas. A eficácia da PEP pode diminuir à medida que as horas passam. Tendo a indicação, será submetida ao teste de HIV. Se o resultado for reagente (positivo), a profilaxia com os antirretrovirais não será indicada. A pessoa deverá ser encaminhada ao serviço de referência para acompanhamento do tratamento. Caso o teste de HIV dê resultado negativo, a PEP será indicada para essa pessoa. A profilaxia deve ser realizada por 28 dias, através do uso de medicamentos antirretrovirais, diariamente. Após o uso dos medicamentos, a pessoa deverá procurar um serviço de saúde para fazer o seguimento: testes de HIV com 30, 60 e 90 dias após a situação de risco.

Além disso, o profissional de saúde responsável pelo atendimento deve recomendar a realização dos testes para outras IST (sífilis e hepatites B e C) e o início do tratamento para as infecções sexualmente transmissíveis detectadas e a vacina contra a Hepatite B.

Um alerta: a PEP não deve ser utilizada de forma recorrente e nem com o objetivo de abandonar o uso do preservativo. É um recurso de emergência.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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