A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

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Casa de Gileno Lima. Cunhei a expressão. Da mesma forma que o indiquei e os meus pares 

Gileno Lima
aceitaram por unanimidade, para a Presidência de Honra da Academia  Sergipana de Medicina. Nada mais justo. A Academia, mesmo sem a sua presença, continua respirando Gileno, nas suas reuniões de diretoria, plenárias ou solenidades de posse. Ele tornou realidade um antigo sonho, com determinação, organização e desprendimento.  Outros ajudaram. Ninguém faz nada sozinho, é certo.  Mas sempre há uma figura determinante, que sem ela nada existiria. Quem de sã consciência pode imaginar  o Hospital de Cirurgia sem a presença realizadora e determinante de Augusto Leite? E a Faculdade de Medicina sem a atuação decisiva de Antonio Garcia? Da mesma forma, a Academia Sergipana de Medicina sem a liderança e a intervenção de Gileno Lima?

A Casa de Augusto. Quando Augusto César Leite saiu contrariado do Hospital Santa Isabel, na década

Augusto César Leite
de 20, por não concordar com a decisão de sua alta direção em suspender as grandes cirurgias naquela unidade hospitalar, teve no Hospital de Cirurgia o abrigo necessário para promover o desenvolvimento da assistência médica em nosso estado. E o hospital se tornou realidade porque ele conseguiu convencer o engenheiro Graccho Cardoso, da sua necessidade social e o Estado financiou a obra. Augusto contou com o apoio inestimável de outros médicos como Lauro Hora, Juliano Simões, Eronides Carvalho, que foram os pioneiros da moderna cirurgia em Sergipe e que naquela casa fizeram os primeiros procedimentos médicos especializados.

A Casa de Garcia. Em 1953, sob a inspiração de Augusto Leite, um grupo de médicos tentou fundar a Faculdade de Medicina. Foi criada uma entidade civil para a sua viabilização, arregimentaram-se os primeiros professores, mas não aconteceu o decisivo apoio político e a Faculdade não vingou. Somente em 1961, no Governo de Luiz Garcia, com a presença de Antonio Garcia na Secretaria de Educação e Saúde, a Faculdade tornou-se realidade. Antonio tomou para si a tarefa de fundar a faculdade, fazer o primeiro vestibular e iniciar de fato suas aulas. Para ensinar

Antonio Garcia Filho
anatomia humana, conseguiu trazer da Espanha, por conta do Governo de Sergipe, o professor Silvano Izquierdo Laguna, da Faculdade de Medicina da Salamanca, perseguido pelo governo franquista. Para concretizar o sonho da faculdade, contou com o apoio fundamental de Benjamin Carvalho, Lauro Porto e de outros médicos abnegados, que durante os dois anos iniciais, ensinaram sem receber qualquer remuneração. Homenageando esses pioneiros do ensino médico, a Academia Sergipana de Medicina, nas comemorações do seu décimo aniversário de fundação, confeccionou uma placa de bronze com os nomes de todos os professores e suas respectivas disciplinas, que se encontra colocada na sede da Somese.

 

A Casa de Gileno. Em 1994, veio a  Academia Sergipana de Medicina. E Gileno Lima foi de fato o seu fundador, contando com o apoio de Leite Primo, Osvaldo Souza, Cleovansóstenes Aguiar, Alexandre Menezes e Hugo Gurgel. Foi à Bahia conversar com o primo Geraldo Mílton da Silveira, que presidia a Academia de lá e com ele obteve todas as informações e cuidados para viabilizar a nossa. Com firmeza de propósitos, mas com toda a cautela possível, Gileno conseguiu o seu intento e em 9 de dezembro concretizou o que outros haviam tentado, sem êxito. Neste ano, a Academia completa definitivamente o seu quadro de membros titulares, com o ingresso de seis novos participantes, cujo processo de inscrição se encerrou em 30 de abril, cujos nomes serão anunciados em breve.

Dessa forma, amigos, vamos dar a César o que é de César. A Garcia o que é de Garcia. A Gileno o que é de Gileno.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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