A dúvida da pandemia. Amor sem amor!

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Data Vênia

Sentir solidão, tristeza, falta de estar com os amores no isolamento nos devora. Isso é o covid19? Talvez não. Quiçá, estamos a nos entender melhor. Entendimentos com as pessoas mais próximas é algo difícil nessa incomunicação. Pais com filhos: (zap): “papai te amo! mamãe te amo…”. Minha filha Joana, 14 anos, me liga do quarto dela a menos de um metro para que eu possa buscar o prato para deixar na cozinha, só três metros. Que distância nos separa dos nossos filhos? Reflitamos! Conheço uma amiga linda que tem dois filhos. Um prefere ficar na casa do pai, olhe que o pai é legal tranquilo e o ama e outra na casa um amigo lindo, sem abstruso ao amigo. Mas com quem nossos filhos devem ficar nesse tempo epidêmico? Entretanto não é isso o que queremos dizer…. Com quem queremos ficar? Eu, você, nossos pais, nossas famílias, os nossos e os seus? Difícil responder, não sabemos ao certo. Talvez gostaria de estar mais só do que merecia, como diz em uma de suas músicas Osvaldo Montenegro.

O mundo louco nos faz buscar diversos tipos de virtudes. Pode ser a intelectual, espiritual, política, religiosa, amorosa, futebolística e outras. Porém nossas virtudes não brotam dos terrenos pedregosos, arenosos e inférteis. É preciso termos a educação plena de mostrar-nos ao mundo quem somos. Gostaria de ter dito a minha mãe o quanto a amava. Não tive este tempo! Queria eu falar com meu pai e dizer o quanto o admiro. Ainda tenho tempo! Justificaria aos meus irmãos os quanto os reverencio.  Ainda tenho tempo? Diria aos meus amigos de ontem e hoje os quanto os respeito. Ainda tenho tempo!  Exprimir o que sentimos e o quanto queremos  da vida é uma virtude de amor e de um amor que significa: abalizadora, ajuizadora, árbitra, crítica, louvada e perita. Também tenho tempo! Quanta pandemia!

Temos inimigos domésticos. Bem perto, como se fossem parasitas transloucados. Aquele capaz de nos tirar do conforto habitual e nos levar à pior profundeza. Aos pântanos. Acabar com a reputação, acabar a família e abreviar a vida dos nossos filhos e pais. Temos defeitos, surtos enlouquecidos, raiva demasiada capaz devorar o mais protegido. Explosão de amor! Talvez, lutar contra isso seja a maior vitória. Qual seria esta? Não sei. Talvez não soubemos ser humildes. Felizes. Alegres. Respeitosos. Sinceros. Fiéis. Entender que na terra da humildade é diferente. E em plataforma temos que sentir isso? Não sei!

Nós, humanos, precisamos mostrar a felicidade. A graça e as virtudes. Esquecer o mal que nos fizeram é a melhor estrada. Ser orgulhosos… e quantos são? Aqueles que viveram do Estado. E que Estado sofrido! Triturado. Protegidos. Singelos às letras da lei. Estão aí! Aproveitando-se desse mel – Estado. A bússola da vida nos mostra a pequinês do falso honesto. Talvez seja ele uma pessoa inatingível – mesmo sublime de defeitos – que nos engana. Quem será? Maluco, doido ou os dois. Quiçá, quem sabe um louco não tão louco que quis ser melhor que os outros. Pregar literatura que nunca leu. Citar livros que nunca entendeu! Ser simplesmente um artista! Pobre. Burro. Outro. Mas … se define como o tal.  Um sumário intelectual. Quantos temos? Diversos.

Mergulhar-se nessa pandemia é a melhor coisa para um encontro secreto em si mesmo. A luta para conseguir a vitória não dispensa o esforço necessário para as possuir não só os bens materiais, mas os morais. Fomos feitos para viver em sociedade e aprender a viver com alguém é no mínimo preservar uma sanidade mental. Damos aos outros apenas aquilo que recebemos. A vida é um escambo natural. Amamos nossos filhos e eles nos deixam. Amamos nossos pais e os deixamos. Amamos nossas mulheres e nos deixamos.

Parecer feliz não é felicidade, pode até ser uma janela de esperança que nos leva a confidências demasiadas de alegria e otimismo que habitualmente nos flagramos nos posts das redes sociais. A esperança da janela nos leva a momentos de mansidão e serenidade que são capazes de nos encontrarmos ao amor, enquanto a ira nos leva aos ambientes mais sombrios como os pântanos que falamos acima. Perder alguém próximo (morte, separação e decepção) não é motivo para ficar arisco, duro, refratário aos seus próprios sentimentos a aos dos outros. A contrário, nos eleva a um novo patamar, onde a paciência entra em litígio com a face da dor.

Peço a todos que durante esta semana evitem os juízos temerários, mesmo que entendamos que o nosso senso de justiça seja forte como aço. Vamos passar estes próximos dias de “boas” com fala a minha Maria Leite de nove anos. Vamos cumprir o que prometemos e daí vai a entrega de um brinquedo até falar a verdade que nos trai a cada instante. Vamos olhar para nossos filhos e falar a verdade pois eles precisam saber quem somos, com quem ficamos e como agimos. Isso é a criação saudável do amor pelo amor e não do amor sem amor. Vamos ser verdadeiros e por muito que vejamos os outros fazerem coisas que acreditamos serem erradas não vamos julgá-los. Vamos nos julgar primeiro para estarmos prontos a entender que nossos ambientes, livros, paixões são diferentes dos demais. Lembremos de Paulo que perseguiu os católicos e depois foi exemplo para todos, combatendo o bom combate. Boa semana e que Deus nos abençoe!

 

 

(*) Fausto Leite é advogado, jornalista e professor, pós-graduado em Metodologia da Ciência, Direito Eleitoral, Direito Ambiental, Direito Processual Civil, Mestrando em Direitos Humanos, Mestre em Ciência Políticas e Governação Pública e Doutorando em Direito Constitucional. E-mail: faustoleite@infonet.com.br. Fone: 79 9.9838-8338.

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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