A Escola de Ontem e de Hoje

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Recebi um e-mail que, em apenas duas imagens, retrata, com muita precisão, o que de fato ocorria há quarenta anos, na década de setenta, e como acontece hoje, final de 2009.

 

No primeiro quadro, representando os anos setenta, um filho entrega ao pai o boletim escolar, no qual dá para se vislumbrar que suas notas são baixíssimas, dois, três e quatro. O pai, olhando para aquele “insucesso” do filho, de dedo em riste, demonstrando muita irritação e autoritarismo, ralha com o menino que, cabisbaixo, triste e contrito, chora.

 

No segundo quadro, mostrando o momento atual, 2009, verifica-se a presença de mais uma pessoa na cena: um professor. A situação é a mesma: um garoto entrega ao pai o boletim escolar com notas “vermelhas”. Só que aqui os dois, pai e filho, ambos com caras de maus, de dedos em ristes, esbravejam contra o professor que, humilhado escuta.

 

Tive a felicidade de viver as duas quadras e posso testemunhar que quem elaborou aquela pequena história, captou muito bem as situações, e pelo visto, também vivenciou tais ocasiões: de quarenta anos passados e, assim como eu, está assistindo ao que acontece hoje.

 

Os mais anosos vão, facilmente, lembrar as surras, a palmatória, as réguas de madeira, os puxões de orelhas, o suplício que era ficar ajoelhado em cima de caroços de milho ou feijão, com a cara grudada na parede e as costas viradas para a plateia, ou ficar durante todo o período de aula por detrás de uma porta, sem poder olhar para ninguém. Eram formas, imaginem, “educativas”. Pois incutiam o temor, o medo, o pavor. Estas, para os nossos pais e professores daquela época, eram os métodos acertados de ensinar e educar.

 

Hoje está tudo mudado e, segundo a interpretação daqueles dois quadrinhos, os papéis estão invertidos. Se o aluno não se sai bem na escola, o culpado pela sua improdutividade, pelas suas notas baixas, pelo seu insucesso, não é mais, como naquele tempo, o aluno. Não. Agora todo o ônus deverá recair sobre a sociedade, o sistema, dominado pelas “zelites”, o governo, e, sobretudo, sobre a escola, e, pasmem, sobre o professor que, miseravelmente remunerado, trabalha sob a pressão dos alunos que se acham com o direito de aprender sem estudar, das escolas sem estruturas e, sobretudo da insegurança…

 

Qual destas atitudes poderíamos qualificar como acertada? Ou, melhor dizendo: será que há acerto em alguma delas?

 

Acredito que nenhuma delas representa o procedimento ideal. A primeira carrega em si toda uma cultura reinante, onde eram empregados instrumentos e procedimentos medievais de tortura para que as crianças aprendessem e se educassem. Passei por ela e, sinceramente, não gostei.

 

De igual sorte, não gosto do que está acontecendo nos dias atuais, pois sob a égide da globalização, que nos encharca de costumes, culturas e práticas de povos desenvolvidos, num universo ainda em formação, sem a devida adequação para absorver, de uma só vez, tantas mudanças; do excesso de informação e da escassez de formação, do uso do direito, sem o seu equivalente dever, punindo a quem age dentro da lei e premiando os infringentes da norma com a impunidade.

 

Revolta ver que quem faz o certo é tido como bobo, é quem está errado e o desonesto, o “esperto”, é quem se dá bem.

 

Qual ou quais dos dois sistemas estão, pedagogicamente, corretos?  Agiam com acerto os pais e professores daquele tempo, quando, usando técnicas medievais, produziam, segundo afirmavam, excelentes profissionais, bons pais de família e cidadãos? 

 

Ou corretos estão os que se eximem da responsabilidade e jogam para os outros a função de formar e educar os seus filhos, culpando o sistema, as “zelites”, as escolas e os professores?

 

Dei a minha opinião. Espero a de vocês.

 

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Agradeço a todos pelo saudável convívio que tivemos neste ano de 2009. E, esperando contar com a bondosa atenção no ano que vem, desejo, a todos, de coração, um feliz Natal e um próspero Ano Novo.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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