A GREVE DE SEXO DA SULAMITA

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Cartas do Apolônio

 A greve de sexo da Sulamita

 Lisboa, 10 de dezembro de 2004

 Caros amigos de Sergipe:

 Há algumas semanas venho usando todos os expedientes disponíveis na vã esperança de voltar a ser agraciado com uma mísera noite de amor com Sulamita, a minha secretária bilíngüe e boazuda. Ah, bons tempos aqueles!

A rapariga em questão é a única que sabe aplicar com maestria a posição ‘Tosqueando a Redondilha”, uma especialidade da casa.

A suprema graça me fora benevolentemente concedida nos primeiros meses de seu trabalho nesta mansarda, mas, tal qual a cajarana e a jabuticaba tornou-se coisa cada vez mais rara, até extinguir-se irreversivelmente feito os aviões da Panair.   

Diante do fato (quem diria!), tentei bajular a referida mucama de luxo, presenteando-lhe com uma espetacular coleção de CD’s da Amália Rodrigues. A topetuda nem ligou. Disse-me que preferia o Julio Iglesias. 

Telefonei então para o Ministério do Trabalho na ilusão de encontrar um expediente jurídico que enquadrasse as atividades libidinosas entre as práticas usuais das relações trabalhistas, como nos bons tempos.

Ledo engano. A modernidade com suas invencionices, protege sobremodo esta nobre casta de privilegiadas.

Diante do malogrado périplo em busca dos prazeres sulamitanos, tenho me contentado com o tradicional father and mother de Zenóbia, a minha patroa sexagenária. Pelo menos até que a ingrata mucama se digne embevecer este pobre portuga com, ao menos, pequenos lampejos do seu inacessível pompoarismo aplicado.

Como consolo (e sem trocadilhos) tenho me dedicado com afinco aos devaneios do sexo solitário, que, diga-se de passagem, são muito mais prazerosos que o lufa lufa zenobiano na hora do ‘Ái Jesus’. Ainda mais agora que o amigo Alcides Melo, grande especialista no assunto, me ensinou as mais modernas técnicas do onanismo contemporâneo.

A mais interessante delas é sem dúvida nenhuma a chamada “Ilha do Prepúcio em Chamas”. A tal prática consiste em deixar-se submergir numa banheira, posicionando o supra citado cogumelo à guisa de arisco periscópio. Ato contínuo, colocam-se algumas formiguinhas no referido instrumento. Desesperados, os pobres bichinhos começam a percorrer freneticamente todo o exíguo território, advindo daí prazeres inenarráveis. Descartam-se, por motivos óbvios, as chamadas ‘formigas de roça’.

Mas há também a “Inversão Termo-orgástica”, que consiste em mergulhar alternadamente o mangalho em água morna e gelada durante o ato solitário. Devo confessar que ainda não experimentei esse interessante jogo auto-erótico mas o Ismar Barreto, outro iniciado nas artes de Onan, me assegurou que quem experimenta não esquece jamais. Deve ser uma loucura.

De modo que assim tenho passado os meus solitários dias entre pesquisas onanistas  e as aulas de balé de Zenóbia, minha patroa sexagenária. É que, não obstante o peso das décadas vividas e de arrobas acumuladas, a beletrista resolveu reviver o mito da Isadora Duncan. Sinceramente, estou em dúvida entre dar-lhe uma bolsa no Studium de Lú Spinelli ou interná-la de vez na Clínica São Marcelo. Aceito sugestões.

  

Até semana que vem.

 

Um abraço do

 

Apolônio Lisboa.

 

 

 

 

     

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

  

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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