A hora e a vez dos grupos de saberes locais

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“Se queres ser universal, canta a tua Aldeia”
Leon Tolstoi

Está havendo uma revolução no meio literário. O interior do Estado de Sergipe organiza-se e faz eclodir a fluência dos Saberes Locais: essa  frase é inspirada no que disse o saudoso e imortal Luiz Antônio Barreto que sempre falava em “fortalecer os grupos de Saberes Locais”. O projeto, que enriquece a cultura literária, está em franca construção.

Em Sergipe, no ano de 2010, existiam apenas cinco Academias representativas: Academia Sergipana de Letras (1929), Academia Literária de Vida (1992), Academia Sergipana de Medicina (1994), Academia Sergipana de Ciências Contábeis (1977) e Academia Maçônica Sergipana de Artes, Ciências e Letras (2004).

Houve uma espetacular expansão: hoje, 2015, visualizamos e contabilizamos mais doze (12) Academias Literárias espalhadas pelos municípios do Estado de Sergipe, todas em plena atividade, propositivas de elevação da cultura.

Essas instituições fazem a diferença, que, sem dúvida, será percebida daqui a pouco tempo. Em cultura, as coisas demoram um tempinho para acontecer, sobretudo, se se tratar de mudança de paradigmas, os quais, às vezes, já estão arraigados e são difíceis de remover para que o novo seja consubstanciado. 

A semente plantada a partir de 2010 tomou forma quando o Presidente da Academia Sergipana de Letras: Acadêmico José Anderson Nascimento nomeou uma comissão com essa finalidade.

A comissão foi ao interior do Estado e, por intermédio da imprensa, Portal Infonet, Revista Perfil, Guias Perfil do Comércio (que abrangiam várias cidades de Sergipe e da Bahia), blogs, rádios e também eventos grandiosos: Bienal do Livro de Itabaiana e Encontro Sergipano de Escritores, muitas visitas e palestras nas Escolas mostrando a necessidade de que cada cidade tenha uma referência cultural e literária, explicando também que criar uma Academia ou um grupo para cuidar destes assuntos não é tarefa muito difícil. No entanto, devemos reconhecer que a manutenção dá um pouco de trabalho, posto que se refere à associação de pessoas: seres humanos sempre complicam um pouquinho. Porém, é ai que mora o valor do Líder que dirimindo as contendas colhe sempre bons resultados…

A mensagem foi-se amoldando ao pensamento coletivo das cidades visitadas, até que, em 2012, um grupo, liderado pelo Prof. Jorge Henrique Vieira, criou e instalou a Academia Gloriense de Letras. No mesmo ano, no dia 06 de dezembro de 2012, durante o 1º Encontro Sergipano de Escritores, acontecido no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, foi criada a Academia Tobiense de Letras e Artes.

A partir de então, o movimento tomou forma e agilidade. Hoje, o resultado: doze Academias em Sergipe (somadas às cinco já existentes, são 17 unidades discutindo e propagando o saber, elevando a tradição, trabalhando pelo desenvolvimento Cultural e Literário do Estado, que é tão rico de expressões intelectuais.

As Academias, com pouquíssimas exceções, são formadas por quarenta cadeiras e igual número de patronos: pessoas que, de alguma forma, deixaram um legado para a história e a memória de determinada região de Sergipe. Observa-se que nenhuma das Academias possui ainda os quarenta confrades ocupando os respectivos assentos, nem foram fundadas com esse objetivo. A ideia é começar: oito, dez, vinte ou trinta, e, aos poucos, vão ingressando outros membros, até completar o número regulamentar. Essas admissões já estão acontecendo nas Academias de Nossa Senhora da Glória, Itabaiana, Lagarto e Nossa Sra. das Dores.

Além dos componentes efetivos e vitalícios, chamados Acadêmicos, em quase todas existem também os Correspondentes, os Honorários e os Beneméritos. Essas modalidades de associados têm a finalidade de gerar laços: academia e comunidade, academia e povo, aproximando essas pessoas e a sociedade do seu eixo de ação em busca de um crescimento harmônico, o que gera mais conhecimento, enaltece a cultura, equilibra a inter-relação, proporciona qualidade de vida, aumenta a responsabilidade do intelectual no sentido de contribuir em benefício de todos.

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