A luta contra o aquecimento

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O grande desafio representado pelo aquecimento global é a causa de um tipo de desenvolvimento econômico que não é sustentável, e que terminará por solapar todos os avanços econômicos conseguidos pejo planeta, se o modelo não mudar. A mudança climática e o desenvolvimento estão inexoravelmente vinculados, e, se falhamos em um, falhamos no outro.

 

O combate às mudanças climáticas pode ingressar em um limbo semelhante ao das negociações sobre o comércio mundial neste momento em que aumentam os riscos de a crise financeira jogar por terra os compromissos a respeito da luta contra a emissão de gases do efeito estufa,

 

Uma possibilidade é a de que não consigamos cumprir o prazo de Copenhague e que caiamos em um processo como o da OMC (Organização Mundial do Comércio), que continua a avançar sem um prazo claro, ou talvez, o que seria ainda pior, adotaríamos uma postura altamente fragmentada a respeito das mudanças climáticas.

 

Há o risco de que uma quantidade menor de dinheiro público esteja disponível no bloco de países ricos para cooperar com o bloco de países em desenvolvimento a respeito da tecnologia e da mobilização de recursos

 

O Protocolo de Kyoto, adotado em 97, estabeleceu que os países industrializados devem reduzir, no período de 2008 a 2012, 5% do nível de emissão de gases causadores de efeito estufa medido em 1990. O documento incentivou não apenas a transição para uma economia de baixos índices de carbono, como também investimentos em opções mais responsáveis.

 

Em relação aos países em desenvolvimento, o Protocolo formulou instrumentos, como por exemplo, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDl). Ele permite a esses países compensarem emissões de carbono por meio de projetos florestais e de energias renováveis.

 

O grupo de países industrializados deve percorrer um longo caminho para cumprir as metas firmadas em Kyoto. É evidente que, no longo prazo, cortes de emissões mais intensos serão necessários, pois a poluição produzida por esse grupo já é suficiente para provocar alterações climáticas. Por esse motivo, ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem às possíveis mudanças é um dever de toda a comunidade internacional.

 

Reativar a economia mundial é essencial, mas algumas medidas centradas neste único objetivo não garantirão um êxito duradouro. A menos que sejam abordados os outros grandes desafios, como a redução das emissões de gases de efeito estufa, a proteção dos ecossistemas e dos recursos de água, e a redução da pobreza, as medidas não impedirão futuras crises.

 

Por este motivo, membros do G20 como Estados Unidos, União Européia (UE) e os países ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE) deveriam, nos próximos dois anos, investir “pelo menos 1 %” de seu Produto Interno Bruto (PlB) para reduzir a dependência das energias fósseis (petróleo, gás e carvão), que emitem grandes quantidades de C02, um dos principais gases causadores do aquecimento global.

 

Os países emergentes do G20, como Brasil, China, Índia e África do Sul, também deveriam atuar na medida do possível, destaca o PNUMA. Os países em desenvolvimento devem dedicar pelo menos 1 % do PlB a programas de melhoria do serviço e tratamento da água para os pobres, segundo o documento.

 

Reduzir à metade até 2015 o número de pessoas sem acesso à água potável, como prevêem as Metas do Milênio adotadas em 2000 pela ONU, permitiria, segundo o PNUMA, economizar US$ 38 bilhões por ano em gastos de saúde.

 

Enquanto isto, de acordo com o coordenador de Ciências Ambientais do Instituto de Estudos Avançados da USP, Pedro Dias, as equipes de defesa civil brasileiras não estão preparadas para possíveis desastres naturais acarretados pelo aumento da temperatura global, mudança no regime de chuvas, entre outras mudanças climáticas. O despreparo dos integrantes da defesa civil, segundo o coordenador, seria decorrente de em grande parte de não haver histórico de catástrofes naturais no Brasil.

 

 Um outro elemento que prova não estar sendo priorizada a luta contra o aquecimento global é que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), órgão responsável pela fiscalização no país, tem hoje apenas um fiscal para cada 4.502 km2. Isso significa dizer que cada um desses servidores tem a obrigação de cuidar, em média, de uma área equivalente a três cidades de São Paulo.(Ambientebrasil)

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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