A nova geografia da política

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A notícia da condenação do ex-deputado André Moura na semana passada estremeceu a política sergipana.
Com o novo cenário, políticos locais foram obrigados a, no mínimo, repensarem suas candidaturas e estratégias eleitorais num ambiente, ao que tudo indica, sem a participação ativa do ex-deputado André Moura.

A decisão que, se mantida, deixa André inelegível por 5 anos, surpreendeu a muitos mas não aqueles mais próximos do sentenciado. O próprio André já pressentia esse desfecho, tanto que nos últimos dias sumiu do Estado e das suas andanças políticas no interior, postou pouco nas redes sociais e mais: afastou-se de Fábio Mitidieri, pretenso candidato do governo.

Na última segunda-feira, dia 04, André Moura, condenado pela Suprema Corte pelos crimes de peculato, desvio/apropriação de recursos públicos e associação criminosa, deu uma entrevista coletiva para a imprensa ao lado dos seus advogados e do seu genitor, o ex-deputado Reinaldo Moura, que se mantinha há anos fora dos holofotes políticos, visivelmente abatido.

Os advogados procuraram mostrar os vícios do processo e da decisão e otimismo na possibilidade de revertê-la, o que não convenceu os mais estudiosos do direito.

Já o ex-deputado falou sem o entusiasmo e a confiança que lhe são peculiares. Sua voz trêmula e engasgada deixou clara para a sociedade sergipana sua preocupação. Um grande analista político qualificou a entrevista como desastrosa. “Caso estivesse no lugar dele preferiria o silêncio”, disse o experiente consultor.

Por mais que André continue sustentando suas pretensões ao Senado Federal, muitos dos seus aliados dizem em “off” que, caso ele seja absolvido, deve ir para a Câmara Federal, pois o desgaste foi grande e não há tempo para “estancar o sangue que ainda jorra quente” no universo político. Outros já confessaram que André já perdeu o “tesão” de enfrentar uma candidatura majoritária, pois tem uma vaga quase certa na Câmara Federal.

Por outro lado, nota-se nos bastidores a articulação de um plano “B” caso mantida sua inelegibilidade: Iandra Moura, sua filha, já começa a se movimentar no Estado e pode ser a candidata no lugar dele para Câmara, abrindo-se três possibilidades diferentes para o futuro político de André Moura.

O fato é que André vive hoje um dos seus maiores infernos astrais e isso o deixa enfraquecido diante dos seus adversários que procuram a todo custo explorar ainda mais os fatos de forma a cancelá-lo na política sergipana e nacional.

Na verdade, faltou mais humildade a AM no pleito de 2018, inclusive deixou de ouvir os conselhos do velho Rei (Reinaldo Moura). Devido à força política que tinha à época com o presidente Temer, resolveu ir à disputa de uma vaga ao senado. Caso tivesse ido à Câmara Federal, certamente seria hoje o presidente daquela casa e/ou o líder do governo Bolsonaro e a história estaria sendo contada de outra forma.

… o deputado federal Bosco Costa, que foi caminhoneiro na sua juventude, é sensível aos interesses da categoria e defende com afinco a política da baixa dos combustíveis na Câmara Federal. Entende o parlamentar que é preciso dar um freio na política de aumento dos combustíveis que afeta toda a sociedade e economia nacional, prejudicando principalmente aqueles que dependem diretamente do insumo para trabalhar.

Explica Bosco Costa que para encher um tanque de caminhão no Brasil gasta-se hoje cerca de R$ 5 mil reais de diesel e roda-se até 1.000 km, enquanto que para encher o tanque de um carro de passeio gasta-se em torno de R$ 300 reais e roda-se a metade, destacando a distorção do custo de circulação dos caminhoneiros, sendo que o caminhão leva alimentos, insumos, crescimento e prosperidade para todo o país. Uma analogia de quem conhece do ramo.

… esta semana foi agitada em Brasília, pois quase a metade dos prefeitos foram aos deputados federais em busca de emendas para os seus municípios. Os federais mais visitados foram Bosco Costa (presidente da comissão de orçamento), Valdevan Noventa e Gustinho Ribeiro (graças ao fácil acesso nos ministérios). Os demais foram apenas visitados devido a sobra de algumas emendas. Para fazer justiça, o deputado Fábio Henrique também recebeu um grande número de prefeitos no seu gabinete, pois soube dosar as emendas que lhe cabe.

Campanha de baixo nível na Ordem

Imagine como vai ser o nível de campanha para a presidência da Ordem depois do vazamento do áudio do advogado Ricardo Ramos com relatos pessoais sobre a vida íntima, pessoal e profissional do atual presidente da Ordem, Inácio Krauss.

Os fatos atribuídos a ele foram gravíssimos, mas tem que ser dosados segundo a integridade da sua fonte, aparentemente divulgados com tom de despeito e rivalidade pessoal.

Precisa-se mais do que um Ricardo para que tais alegações coloquem em dúvida o caráter e a postura indelével de Inácio Kraus.

De qualquer forma, mostrou o quão acirrada e disputada estão as eleições para a presidência da OAB/SE, devendo ser recordadas as “regras do jogo” por todos que fazem a advocacia em nosso Estado.

A classe precisa descobrir quem foi o autor intelectual desta denúncia. A quem beneficia a propagação desta notícia? Quem está por trás destas maldades?

Não se constrói uma Ordem nova a partir de escombros e sim na disputa do voto e de propostas inteligentes que ganhem o advogado pelo convencimento, afinal trata-se de uma classe historicamente intelectual, aguerrida e independente.

Apenas para deixar claro não votei e não voto em Inácio Kraus por motivos de cunho particular. Entretanto, não serei leviano em me filiar a qualquer tipo de manifestação a desserviço da advocacia sergipana ou deixar que transformem a minha Instituição em motivo de chacota para as demais classes.

Assim como não nos calamos diante da insanidade de Henri Clay no alto de um trio elétrico chamando Carlos Augusto de traidor nas eleições passadas, não podemos admitir a veiculação de opiniões pessoais e vulgares a despeito da pessoa do nosso presidente.

Precisamos sim saber quem está bancando a oposição com festas elegantes, assessorias de imprensa e marketing caríssimos, combustível e material gráfico, dentre outros. Há interesses escusos por trás de certas candidaturas que devem vir à tona clarear a mente do nosso astuto eleitor. Por exemplo, na eleição passada ficou claro que Henri Clay assumiu uma grande parte das despesas.

As eleições da Ordem deveriam submeter-se, analogicamente, aos protocolos das Resoluções do TRE acerca das prestações de contas eleitorais, para evitar que grupos econômicos ditem as regras na classe advocatícia.

Ainda sobre o grotesco episódio do início da semana, parafraseando o velho político Albano Franco: “…. em Sergipe todos se conhecem…” Sorte de Inácio.

Aposto que o incidente deve ter ocorrido num momento de surto de Ricardo, tanto que o advogado emitiu uma nota pública desmentindo os fatos. Melhor assim.

Afinal somos advogados e, ao menos em tese, dominamos os mecanismos de denúncia, controle e fiscalização disponíveis em nosso Estado, com resultados mais efetivos e producentes que não o escárnio público.

Para finalizar, recorde-se que estamos na iminência de escolher o próximo presidente da nossa Instituição, com atuação em mesmo nível hierárquico ao do Presidente de Tribunal de Justiça, Procurador Geral de Justiça, Governador, Defensor Geral e tantas outras autoridades locais.

Para fazer frente a distinta e nobre atribuição, precisamos de um nome que, no mínimo, conheça a Ordem, sua problemática e suas potencialidades.

Precisamos de um presidente que torne grande e respeitável a carreira do advogado, respondendo com rigor aos desmandos e truculências praticados contra seus membros.

Nossa Ordem deve ser composta por protagonistas da advocacia e não por grupos políticos ocultos que se alfinetam no anonimato e desfrutam publicamente dos resultados das suas “crias”. Pensem nisso!

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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