A propaganda antinazista americana

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Liliane Costa Andrade
E-mail: liliane.costaandrade@outlook.com
Bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET/UFS)
Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe (DHI/UFS)
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Andreza Santos Cruz Maynard (CODAP/UFS)

A Scena Muda e Cinearte foram duas importantes revistas brasileiras especializadas em assuntos cinematográficos. Veiculadas entre 1921-1955 e 1926-1942 respectivamente, estes dois periódicos possuíam uma eficiente forma de divulgação dos filmes, isto porque tinham uma linguagem simples, acessível a diferenciados públicos, além de serem bastante críticas e criteriosas em suas publicações.
Em 1939, ano que marcou o início da Segunda Guerra Mundial, A Scena Muda emitiu um total de cinquenta e duas revistas enquanto Cinearte foi responsável por vinte e quatro edições. Dentre os variados assuntos abordados, a ofensiva americana contra os ditadores europeus, em especial à Alemanha, e suas diversas consequências foram assuntos muito presentes nas duas revistas.
Em A Scena Muda podemos encontrar notícias a respeito da produção do primeiro filme hollywoodiano antinazista, intitulado Confessions of a Nazi Spy (1939), e sobre a realização de O Grande Ditador (1940), película protagonizada por Charlie Chaplin, que satiriza a figura de Hitler. Além disso, o periódico aponta a perda de mercado do cinema americano em países como Alemanha e Itália, e fala acerca da união do general Franco (Espanha) com os ditadores europeus, numa organizada contra o cinema estadunidense, proibindo a exibição de filmes desta natureza em seu país.
A Cinearte destaca a declaração de guerra de Hollywood aos regimes nazista (Alemanha) e fascista (Itália), anunciando a produção dos filmes Confessions of a Nazi Spy (1939) e Address Unknown (1944).  Fala sobre o aumento no preço das entradas nos cinemas devido à perda de mercado das películas americanas em alguns países e sobre a Política de Boa Vizinhança, promovida pelos Estados Unidos a fim de angariar apoio dos mercados sul-americanos na luta contra os regimes ditatoriais da Europa.
Diante da análise dos dois periódicos, é clara a influência e o poder econômico político e social que as indústrias cinematográficas possuíam, em especial a norte-americana. Com equipamentos modernos, artistas e diretores competentes e renomados, Hollywood dominava as salas de cinema de grande parte do mundo, mesmo com a perda de alguns mercados, e acabara influenciando milhares de pessoas de acordo com seus interesses.
Consciente desta realidade, em diversas publicações ao longo do ano, a revista A Scena Muda criticou o que chamou de “atual gênero de produção” de Hollywood. Para eles, algumas produções estavam fugindo do seu objetivo principal, o de divertir, para entrar na política e ditar ensinamentos sociais, se tornando uma cinematografia sobre ideologias.
Mesmo diante das críticas, os Estados Unidos sabiam da importância de sua cinematografia na luta contra o regime comandado por Hitler e passou, a partir de 1939, a investir numa propaganda ofensiva contra os nazistas. No Brasil, que representava um dos principais mercados cinematográficos dos filmes americanos, as revistas A Scena Muda e Cinearte desenvolveram um importante papel no sentido de servirem de meios informativos a respeito dos acontecimentos cinematográficos daquele ano.
Além de terem servido como meios informativos durante a época, estas duas revistas se tornaram importantes documentos para estudiosos da área. Porém, é preciso ter cautela quanto à análise das informações veiculadas por elas. Conforme destacado por de Luca (2010, p.140), o pesquisador que utiliza jornais e revistas trabalha com o que se tornou notícia logo, ele precisa observar as motivações que levaram à decisão da publicação do fato. Desta forma, é necessário que, ao utilizar estes periódicos como fontes, o investigador procure conhecer suas origens e as pessoas que fazem parte dele.

Para saber mais:

LUCA, Tania Regina de. Fontes impressas: história dos, nos e por meio dos periódicos. In: PINSKY, Carla Bassanezi, (org.). Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2010, p. 111-114.
TOTA, Antonio Pedro. Imperialismo Sedutor: a americanização do Brasil na época da segunda guerra. São Paulo, Companhia de Letras, 2000.

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