A SAÍDA DE SAMARONE

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Antonio Samarone
           A decisão estava tomada e comunicada desde a sexta (05/11) mas o prefeito Edvaldo Nogueira pediu o final de semana para que ele refletisse. Não adiantou. Ele ainda confiava e apostava no desempenho do seu auxiliar.

           Nesta segunda (08/11), entretanto, Antonio Samarone ratificou a decisão de deixar o comando da Secretaria Municipal de Saúde. Para o seu lugar, o prefeito indicou estrategicamente o seu vice-prefeito e petista de carteirinha, Silvio Santos, que na sexta assumirá oficialmente a pasta. Optou por colocar um político na área, com força e prestigio para tentar continuar o arrojado trabalho de Samarone, que ousou desmontar o aparelho instalado no órgão há 8 anos.

               De temperamento afirmativo, defensor de teses polêmicas, agindo com lealdade e sem utilizar subterfúgios, homem probo e responsável, Samarone teve, enquanto Secretário, convivência difícil com o legislativo municipal, principalmente com os vereadores da base do governo, mais interessados em manter seus privilégios e indicações. Por exonerar servidores incompetentes, mas apadrinhados, por exigir regularidade e transparência nos repasses aos diversos prestadores, principalmente ao Hospital Cirurgia, por enfrentar com coragem o caos que encontrou e cumprir o exato sentido da legalidade, submisso ao império da lei, foi vencido pela reação desproporcional dos incomodados.             

           Entretanto, de forma elegante e muito tranqüila, Samarone alegou falta de condições de permanecer no cargo em função dos grandes problemas da Secretaria, que estavam interferindo na sua vida pessoal e, por consequência, na sua saúde. Esclareceu também que o pedido de demissão foi uma decisão tomada em conjunto com a família. Por ter uma vida profissional, pessoal e familiar bem resolvida, ser independente, que não precisa de cargos públicos para se manter com prestígio e poder, não viu mais sentido em remar contra a correnteza, no mar bravo e irado.

          Da nossa parte, não vemos problema na presença de um não especialista na área, opinião já manifestada em artigos anteriores. Ao contrário, Silvio Santos é uma pessoa decente e honrada, que pode muito bem, com o prestígio que possui, arranjar mais recursos dos governos federal e estadual para equilibrar as contas da secretaria, que se encontram, no momento, em total descompasso. Deve, entretanto, fazer uma administração transparente, democrática, dialogando com todos os segmentos, implantando o credenciamento universal de prestadores mediante o chamamento público, acabando com os privilégios, combatendo a precarização do serviço médico e mostrando total autonomia, pelo bem do processo de municipalização plena, sem entretanto deixar de se entrosar com o gestor estadual.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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