A violência não é a resposta

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Hoje, sexta feira, dia 16 de dezembro de 2011, enquanto buscava uma idéia para escrever este texto, escutei o anúncio de cenas de violência no programa da Ana Maria Braga. Violência com pessoas e com animais. Aguardei.

Primeiro passou a triste e inacreditável, quer dizer, para os dias atuais, não tão inacreditável assim notícia de que uma adolescente, de 14 anos, havia sido esfaqueada e torturada por quatro coleguinhas de 13 e 14 anos.

Elas armaram uma cilada para a amiga, um passeio por um determinado local, um matagal qualquer, quando ela, para cumprir uma determinação da natureza, se agachou para fazer xixi, deram-lhe duas tijoladas na cabeça, derrubando-a, em seguida a perfuraram por 15 vezes com uma faca. Não satisfeitas, jogaram álcool e riscaram um fósforo, tocando fogo nas suas pernas. Estavam, é claro, devidamente preparadas para perpetrar o assassinato.

Por sorte a jovem escapou, teve os pulmões perfurados, ficou toda retalhada, sofreu queimaduras de segundo grau nas pernas, perdeu um ovário. Mas, sobreviveu, não está fora de perigo de morte, seu caso é muito grave, ela está ferida na carne e na alma afirmou, inclusive, para um reporte que a interrogava que não queria mais voltar a morar na sua antiga casa, temendo, sem dúvidas, que aquelas meninas, certamente passarão alguns dias presas numa “escola”, de preparar marginais, no entanto, logo estarão soltas e muito melhor preparadas para completar o serviço. Cá pra nós, procede a sua preocupação. 

E qual foi o motivo que deu origem a toda essa barbárie?

Ela teve um namorico  com o ex-namorado de uma daquelas companheiras, sua “amiga”, freqüentadora assídua de sua casa, conforme declarou a sua mãe.

É tudo muito assustador: o caso em si, o poder de liderança dessa menina e a facilidade com que as outras se dispuseram a contribuir com aquele crime. Poxa! Na idade são apenas crianças. Mas, no procedimento, parecem bandidas, adultas e criminosas.

O programa matinal prossegue sob o comando da competente Ana Maria Braga e, logo em seguida, mais cenas de horror desfilam na telinha, agora uma enfermeira. É, uma enfermeira! Vá no youtub veja as cenas e avalie do que uma pessoa dessas é capaz de fazer…

Ali, ela, a enfermeira, sacrificava um filhote de yorkshire. As cenas que passaram no Programa da Ana Maria, por motivos óbvios, foram editadas. Porém, no tape original que está postado no youtub pode ser visto até onde chegam a insanidade e a maldade de uma pessoa. As cenas chegam a ser chocantes: ela dá chutes no animal, joga-o para cima e ao longe, prende-o com um balde, arrasta-o, solta e volta a prendê-lo.

O cachorrinho, apavorado, tremendo de medo, quando podia, corria escondia-se no único cantinho formado por sua casinha e a parede da casa, de onde era retirado para mais uma sessão de tortura. E, tudo isso assistido, de perto, por uma criancinha de três anos. Que exemplo, hem? Aquela criança vendo aquilo como será que ela agirá a partir de então? Com violência, é claro. Chutando cachorrinho, esfaqueando e queimando as colegas.

Vendo essas violências lembrei-me do que assisti, há algum tempo, no Globo Rural, sobre Monty Robert, o encantador de cavalos. Fiquei tão entusiasmado com o que vi que comprei e li os dois livros que ele escreveu: “A Violência não é Resposta” e “O Homem que Ouve Cavalos”.

Monty Robert, o encantador de cavalos, prova que, de fato, a violência não resolve. Ele tornou-se domador de cavalos por um destes raros milagres da natureza, pois tinha tudo para seguir o mesmo caminho de horrores e medos praticados pelo seu pai, também um domador. Só que ele praticava um tipo de doma que Monty Robert nunca aceitou. Ao troco de insidiosa violência seu pai conseguia, por fim, quebrar o espírito “indomável” do cavalo, submetendo aquele humilde e humilhado animal aos sádicos caprichos de uma doma sem técnica e nem piedades, mas, ao contrário, com muita violência e horror.

O animal, na verdade, não era domado, amansado, domesticado, não se transformava num amigo e sim num ente automatizado, servil. Baixava a cabeça e se entregava ao seu algoz. Entregava-se, pois descobria durante o processo de torturas – que às vezes se estendia por semanas e até meses – ser a única forma de fugir daquele sofrimento, por isso humilde se aquietava para não apanhar mais.

A vítima era capturada, laçada por vários cavaleiros, no seu habitat natural, onde vivia em absoluta liberdade, regrada apenas pela democracia do bando. Depois de preso, era arrastado até uma fazenda e dali, para dentro de um cercado circular, o temido “redondel”. Amarrado a um mourão com uma das patas dianteiras dobradas e presas por uma corda. A partir de então se iniciava o inexplicável sofrimento, a princípio era quebrado no pau, no chicote, cortado na espora, imolado no esporão (uma vara com a ponta de ferro), e sacrificado no choque elétrico nas regiões mais sensíveis. O animal tremia, quase explodia de tensão, seus batimentos cardíacos iam a uma aceleração tão grande que, às vezes enfartavam e morriam, eles choravam, reviravam os olhos, suavam se urinavam e sangravam… Se acaso seu carrasco pudesse olhar nos seus olhos perceberia, certamente, a indagação de desespero e de dor, de medo, de súplica e de surpresa, por quê?  Por que isso tudo? O que foi que fiz para merecer tanto sofrimento? Estava pastando tranquilo e pacificamente junto aos meus. Por que me trouxeste para cá? Que mal te fiz? Os seus grandes olhos diriam para ele muito mais coisas. Mas, os covardes evitam olhar nos olhos. Pois quem olha nos olhos ver a alma e quem ver a alma do outro, ver também, a si próprio refletido e este reflexo refreia, com certeza, a continuidade da tortura e eles não querem parar, se sentem bem fazendo aquilo. 

Como já vimos, no início deste texto, lamentavelmente, essa arte do absurdo não acabou continua entre nós. Às vezes tão próximo que nos assusta, o homem e até as crianças e as enfermeiras prosseguem fazendo suas violentas maldades com cavalos, vacas, bois, cachorros, passarinhos, galos e, o pior, com pessoas, seus iguais. Neste ponto evoluímos pouco. Como somos violentos! Ouso acreditar e afirmar, sem medo de errar, que o homem é, indubitavelmente, o animal mais violento que existe sobre a face da terra.

Porém, no que pese Monty Robert ter assistido e, também sofrido na carne, as violências praticadas pelo seu pai, pois tanto apanhou que teve, durante a sua infância e juventude, nada menos do que setenta e duas fraturas por todo o corpo, originadas por brutais surras com correntes de ferro, pau, tiras de couro ou o que tivesse a mão. Por sorte ele também não se transformou num violento. Usou toda aquela experiência testemunhada, vivida e sofrida para fazer exatamente ao contrário, tentou e provou que a violência não é a solução e que a resposta para tudo aquilo de que necessitamos está mais no amor, na tolerância e no cuidado. Ele é, na verdade, um verdadeiro domador gentil consegue a incrível façanha de, em menos de trinta minutos, com gestos simples, sem agressão e sem repreensão, amansar um cavalo brabo. É incrível, só vendo para crer. http://www.youtube.com/watch?v=QDJ9nKWswVY
Monty Roberts consegue comunicar-se com os cavalos de tal forma que aquilo antes chamado de doma ele denominou de "doma gentil".

REFLEXÃO.

Pense bem. Será que você, que ora ler estas mal traçadas linhas, nunca praticou ou pratica, ainda, ações violentas?
Pense com cuidado, esta reflexão pode ser somente sua, não é necessário que ninguém saiba, portanto, não tente encontrar justificativas ou escapismos fúteis para justificar e nem se justificar, apenas pense e, se for o caso. MUDE.

Pense nas vaquejadas, nas brigas de galos, nas lutas de passarinhos dentro de apertadas gaiolas, ou, ainda melhor, pense no seu ambiente, no seu sacrossanto ambiente familiar, veja se você não é ou já foi um violento com os seus pais, com o seu cônjuge e, sobretudo, com seus filhos. Pensou? Pois é. Imagine quanta maldade e, pior ainda, quanta covardia. Pois isso, geralmente acontece exatamente quando essas pessoas ou animaizinhos estão mais necessitando de nós, de nossos auxílios, de nossos cuidados. Quer dizer, acontece sempre quando estão nas nossas dependências. Não é porque eles são “nossos”, como dizemos nossos bichos, nossos pais, nossos cônjuges, nossos filhos que devemos tratá-los pior. Muito pelo contrário, por serem nossos é que devemos tratar com muito mais amor, amor incondicional, com muito mais carinho e com muitos e melhores exemplos.  

PENSE NISSO!  A VIOLÊNCIA NÃO É A RESPOSTA (Monte Robert)

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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