Academia Capelense de Letras e Artes

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EMOÇÕES INCONTIDAS
* Graças Melo
Ontem tive um dia por demais prazeroso. Visitei cidades do interior sergipano, e pude sentir de perto o poder inebriante do calor humano nessas localidades. Em Glória, fomos muito bem acolhidos por pessoas que vivem a depositar com muita crença, dedicação e esforços incondicionados, a maior contribuição que o homem pode deixar para as gerações futuras: o conhecimento em todas as suas vertentes: das cadeiras de escolas, das reiteradas leituras que a todos deleitam e do apego à cultura, esta sedimentada ao longo da formação de um vilarejo, de uma pequena cidade, de uma metrópole, de um País. Cultura que deve ser preservada, porque é o passado a sedimentar o presente, esse presente em constante movimento, que, por sua vez, cimenta, finca os fortes e inabaláveis alicerces do futuro. Um futuro que será meu, seu, dele, de nossos descendentes e dos deles, de muitos, enfim. E vi, através daquele pequeno grupo de pessoas com as quais estive que em Glória existe extrema preocupação com o saber. Glória é pujante, cresce em sabedoria, e cresce no segmento da economia, ergue-se sobranceira, importante para seus filhos, para os filhos vindos de todas as paragens do grandioso território brasileiro, para o visitante desde o seu dia primeiro. Passei quase todo o dia nessa cidade de gente simpática, hospitaleira e laboriosa, imbuída de vontade para crescer de forma sustentável, e depois parti para a cidade de Capela. Deparei-me com uma belíssima cidade, cidade que nos conduz ao seu glorioso passado, logo que ali chegamos, a começar pelo portal de entrada. Igrejas embelezadas com torres encantadoras, a nos crivarem de admiração. Admiração devotada ao belo, à história do homem, criado à imagem e semelhança do grande e Onipotente Criador. A imagem da Santa Padroeira, Nossa Senhora da Purificação, leva-nos ao período barroco e nos enche de paz. A escola Nossa Senhora da Purificação, em frente a uma praça, sempre olhando para a igreja que me deleitou, foi construído em 1929 e está lá, firme, sendo um solo fértil para o plantio de muitas sementes e sua germinação, gerando árvores frondosas, frutíferas e responsáveis pelo engrandecimento da cidade: proporciona o plantio e cultivo das sementes do saber. Foram cerca de cinco horas em Capela, mas coroadas de conhecimento e admiração por visitar e estar em ambiente tão acolhedor, formado por pessoas com perfil cultural aprimorado, amantes da cultura, pessoas que se abraçam, se compreendem, deixando emergir o sentimento de que ali existe a pugna pelo bem estar-estar, pela felicidade somente alcançados através do calor humano, fruto da importância que se dá ao que se faz de construtivo. Vi e senti tudo isso na bucólica Capela, que, confesso, não cheguei a conhecer por inteiro, mas, pelo pouco que vi e gostei, dá para afirmar que se trata de um povo de valores admiráveis. Explico: Foram cinco horas de construção. Fui testemunha ocular da instalação de uma casa construída com a mais rica e indestrutível matéria-prima que existe: o conhecimento global de seus idealizadores e responsáveis pela sua construção, e que são responsáveis a partir de agora pela sua manutenção e importância no seio do povo Capelense, sendo criativos, realizadores e acolhedores. Tive, assim, a honra de participar como convidada, da instalação da Academia Capelense de Letras e Artes. Honra que se ampliou por ser esposa de um dos seus integrantes, o acadêmico Domingos Pascoal de Melo e poder ser partícipe na sua posse, apondo-lhe o distintivo maior: uma belíssima pelerine, missão cumprida na companhia dos também acadêmicos de academias coirmãs: o grande e conhecido escritor sergipano Saracura e a professora Maria de São Pedro que lhe entregaram medalha acadêmica e o certificado. Momentos prazerosos, também justificados, quando ouvi o discurso da primeira presidente, Professora Maria da Conceição, que ratificando sua largueza de conhecimento como professora de História, como uma autêntica historiadora, nos conduziu a uma Capela de ontem e de hoje. Foi um presente para quem estava a assistir à solenidade de instalação daquele Sodalício. Aplausos para a professora Conceição! Aplausos que podem ser estendidos a todos os integrantes da academia, aos que expuseram suas ideias, falando no momento festivo, e aos que foram diplomados na condição de Acadêmicos. Milhões de aplausos para o ilustre patrono, Zózimo Lima. Sua trajetória de vida, sua importância exemplar para as gerações que o sucederam e para aquelas que precisam conhecer o que ele fez, levou-me às lágrimas. Não conhecia sua trajetória, como também não o conhecia sequer, por foto, mas o que foi mencionado no discurso acadêmico da professora Conceição foi de emoção incontida. E milhões de aplausos também devem ser dirigidos às professoras: Maria Zuleide Moura e Thereza Maria Cabral pelas homenagens recebidas como Acadêmicas Honorárias. Não é pouca coisa a trajetória das duas professoras capelenses. Quanta emoção ver duas senhoras que, depois de anos de contribuição ao povo de Capela, graças a sua abnegação ao saber, disseminando-o a tantas pessoas que tiveram o privilégio de serem alunos seus! Sabe-se que vida de professor é espinhosa, mas o professor vocacionado – caso das homenageadas – abraça-a como se fosse uma missão aqui na Terra e como missionário do ensino, quebra resistências, vence adversidades e forma cidadãos. Presenciar o júbilo dessas guerreiras e missionárias ao receber o Diploma Acadêmico, exibindo-o com orgulho e felicidade para todas as pessoas presentes, foi um momento gratificante. Momento ímpar! Louvado o grande Maestro Edson Dida, também empossado como acadêmico, elogio que estendo ao digno Coral, formado por abnegados funcionários, a maioria aposentados, da Universidade Federal de Sergipe. Encantou-me, ainda, o reconhecido Cientista, José Garrofe Dória, filho de Capela, radicado em Brasília, que tomou posse como Acadêmico Correspondente. Seu ar de satisfação durante toda a solenidade, sempre com um largo sorriso de felicidade, aliado ao seu discurso de gratidão e amor à cidade pôde ser sentido até mesmo por quem não tem emoção à flor da pele. Brilhante! Validação e reconhecimento, sob o manto de gratidão filial, emergiam de Zózimo Lima Filho, que não mensurou esforços para comparecer ao evento que o consagrou Acadêmico Honorário, evento que, seguramente, concretizou um sonho do valoroso povo capelense: a instalação dessa Casa de Saberes, que tem como espinha dorsal, como seu patrono, o glorioso Zózimo Lima. Por fim, meus aplausos para todos que, gentilmente, com suas importantes presenças, fizeram a solenidade de instalação da Academia de Letras e Artes de Capela encher-me de incontida emoção.

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