Academia Sergipana de Medicina – 20 anos na História

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  Com a morte dos primos Gileno da Silveira Lima e Geraldo Milton da Silveira, ocorrida curiosamente no mesmo ano, a questão da imortalidade

Cleovansóstenes, Hamilton e este escriba: os 4 primeiros presidentes, sendo que Gileno é Presidente de Honra

volta à cena, não compreendida por alguns. No discurso proferido por ocasião da sessão de instalação da recém-fundada Academia Sergipana de Medicina e traduzindo o sentimento dos coirmãos baianos, Geraldo disse: “A imortalidade se traduz pela preservação e divulgação de feitos, trabalhos e pesquisas dos que nos antecederam, concretizando-se assim o pensamento de Alex Carrel ou, de certa forma, o trabalho desenvolvido pelos monges de Salerno”.
  A preservação da história, cujo entendimento e maior significado vêm sendo cada vez mais aceitos e exercitados no Brasil nos dias de hoje, sobretudo através das academias e dos institutos históricos, mantém acesa a chama da memória e o sentido da verdadeira imortalidade do pensamento e da ideia. O melhor retrato de um povo  é a sua memória, que nos propicia o entendimento para absorver as suas mutações. A história distorcida ou irremediavelmente perdida são crimes irreparáveis. As instituições lutam para evitar que tais danos se concretizem. Portanto, a imortalidade concebida por esta visão, nos distingue e engrandece.
  Coube ao acadêmico Cleovansóstenes Pereira de Aguiar a primazia de ser o primeiro presidente da Academia Sergipana de Medicina, de 1994 a 1996. A recusa de Gileno Lima em assumir a presidência, que vinha ao seu encontro por fluidez natural, levou a Academia a encontrar no sanitarista e professor Cleovansóstenes Aguiar o seu porto seguro, aclamado entusiasticamente pelos seus pares. Fato curioso é que tanto Gileno quanto ele, exerceram, no passado, o cargo de prefeito de Aracaju ambos, pois, com experiência administrativa. Sob o comando do sanitarista, a Academia teve o seu primeiro estatuto e regimento aprovados em assembleia. Com a habilidade e generosidade que lhe são peculiares, o eminente professor e homem público administrou com eficiência os dois primeiros anos de existência da Academia, normalmente anos difíceis para qualquer instituição.  No momento da instalação, em 1994, o quadro inicial de patronos totalizava 35 membros e não os 40 previstos na fundação. O seu modelo se baseava na Académie Française, fundada em 1635 pelo cardeal Richelieu, que acabou se tornando o paradigma das academias modernas, tradicionalmente composta por 40 membros, sendo uma das mais antigas instituições da França. Tivemos a oportunidade, eu e Henrique Batista, em momentos distintos, de visitá-la em caráter oficial, no meu caso, com cartas de apresentação assinadas pelo Dr. Ary de Christan, presidente da Federação Brasileira de Academias de Medicina e pelo Dr. Pedro Kassab, ex-presidente da AMB e pai do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.
   Pois bem. Instalar inicialmente a Academia sergipana com 35 patronos mostrou-se, no futuro, uma decisão prudencial e sábia dos seus organizadores, com o objetivo de minimizar injustiças. No final do primeiro decenário de existência da Academia, esse quadro estava complementado, bem como gradativamente foram sendo eleitos e empossados os primeiros ocupantes a partir da cadeira 27, sucessivamente, começando em 1998. Até então, nos primeiros quatro anos, a Academia funcionou apenas com os seus vinte e seis membros titulares, que assinaram a ata de fundação.
    Dirigiu a Academia, a partir de 1996, o acadêmico José Hamilton Maciel Silva, dando sequência a sua vida de dedicação ao associativismo, depois de presidir o Conselho Regional de Medicina e a Sociedade Médica de Sergipe, com idêntico sucesso e empreendedorismo.  Na sua gestão foram eleitos e empossados os  acadêmicos William Eduardo Nogueira Soares, na cadeira 27 – Patrono: Maria do Céu Santos Pereira; Anselmo Mariano Fontes, na cadeira 28 – Patrono: Nélson Melo; Sinval Andrade dos Santos, na cadeira 29 – Patrono: Oscar Nascimento; Gilmário Macedo de Oliveira, na cadeira 36 – Patrono: Lourival Bomfim.
   Foi ainda na gestão do Acadêmico José Hamilton Maciel Silva que foi criado o brasão da Academia, mais precisamente em 1997, pelo publicitário Hélvio Dória Maciel Silva, seu filho e prematuramente falecido no primeiro semestre deste ano. A sua sólida formação humanista, sociológica e filosófica foram de fundamental importante para alicerçar, em imagem, todo o simbolismo da nossa Academia.
   A logomarca da Academia Sergipana de Medicina evoca a medicina através do seu símbolo maior, visto no alto. No quadrante superior esquerdo, está representado o objeto maior da ciência médica: o homem. Abaixo, no quadrante inferior direito, a pena, com a qual são registrados os progressos científicos. Nos quadrantes  superior direito e inferior esquerdo os símbolos representam a visão holística a serviço do bem-estar da humanidade e do povo do Estado de Sergipe. Os louros homenageiam a todos aqueles que, alicerçados nos pilares da ética, do humanismo e da busca científica, alcançam sucesso glorificando a profissão médica, na busca incessante do diagnóstico e tratamento. Daí a expressão contida na faixa verde com letras brancas: “Ubi est Morbus” – Onde está a doença? Somente uma pessoa com sólida bagagem intelectual, formação humanista e sensibilidade, predicados existentes em Hélvio Dória Maciel Silva, poderia expressar em imagem todo o contexto da visão e missão da entidade.  
  Durante o mandato de José Hamilton Maciel Silva foi comemorado o Centenário de Nascimento do Dr. Lauro Hora, patrono da cadeira 25, cabendo à acadêmica Zulmira Freire Rezende, ocupante da cadeira, proferir o discurso de saudação ao eminente médico sergipano. Era a Academia Sergipana de Medicina começando a escrever História, nos seus primeiros cinco anos de existência. Muita coisa ainda estaria por vir, mas contarei na próxima semana.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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