ACADEMIAS DE MEDICINA

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Cartaz do Concurso de História da Medicina de Sergipe chega à Academia de Medicina da França, em 2002
A Academia Sergipana de Medicina designou comissão formada pelos acadêmicos Cleovansóstenes Aguiar, José Hamilton Maciel Silva, Petrônio Gomes e este escriba para iniciar o processo de reforma de seus estatutos sociais, que vigoram desde a sua fundação em 1994. Para tanto, solicitou às co-irmãs cópias de seus estatutos para apreciação e possível aproveitamento de alguns tópicos.

Esta comissão deverá em breve apresentar um anteprojeto para apreciação da plenária. Uma das propostas colocadas prevê o fim da limitação do número de membros ocupantes com a efetivação do título de sócio emérito para o acadêmico que completar 70 anos de vida, que ficaria a partir daí dispensado da contribuição associativa, abrindo em conseqüência  uma vaga para um novo membro efetivo, este sim obrigado ao pagamento da anuidade.

Como contribuição ao trabalho da comissão, apresento alguns conceitos obtidos por pesquisa de campo, que propiciam uma melhor reflexão sobre o sentido da existência das academias.

As Academias, no sentido contemporâneo ( agremiações científicas, literárias ou artísticas), fundaram-se na Itália renascentista – Academia Della Crusta, Florença, 1882 e Academia Licei, Roma ) e espalharam-se pela Europa. Em Portugal, a Academia dos Singulares foi a primeira, fundada em 4 de outubro de 1623, depois da qual se seguiram a Academia dos Humildes e Ignorantes, a Academia dos Generosos e a Academia Real da Historia Portuguesa ( fundada em Lisboa, por Dom João VI, em 8 de junho de 1790).

Mas coube à França o modelo atual de Academia – como agremiação de intelectuais das letras, das ciências ou das artes – fundada pelo cardeal Richelieu, em 22 de fevereiro de 1635, denominada Académie Française, com quarenta membros, escolhidos pelos pares. Posteriormente, em 22 de dezembro de 1666, foi fundada a Académie de Sciences, com setenta membros ( a Académie de Médicine foi fundada somente em 1820, com cem membros). Tivemos a oportunidade de visitar a Academia de Medicina da França em 2002, representando a Federação Brasileira das Academias de Medicina, objetivando manter um intercâmbio entre as entidades. Na oportunidade, entregamos a um membro de sua diretoria uma coleção de livros de autores sergipanos e brasileiros e divulgamos o Concurso de História da Medicina de Sergipe promovido pela SOMESE(foto).

Nas Academias que daí se originaram, além de o novo acadêmico ser escolhido pelos pares e o número de cadeiras ser limitado, tornaram-se fundamentos básicos a vitaliciedade ( a qualidade do acadêmico deve ser inamovível) e a imortalidade ( a l´immortalité, durée perpétuelle). Também é próprio que as cadeiras sejam numeradas, além de serem usadas vestes simbólicas, de gala e a medalha acadêmica nas sessões de posse dos novos Acadêmicos; isso porque, segundo a história da Academia Francesa, as solenidades eram muito concorridas e os membros da Academia, com vestes reconhecidas, teriam menos dificuldades para chegar aos seus lugares.

São exemplos de Academia, no Brasil, a Academia Nacional de Medicina ( 1829), a Academia Brasileira de Letras (1897), a Academia Sergipana de Letras, a Academia Sergipana de Medicina. Existem ainda academias de especialidades médicas, a exemplo da Academia Nacional de Neurologia, da qual pertenceu o sergipano Enjolras Vampré.

No entanto, com os americanos, no início do século XX, surgiu outra concepção de Academia: agremiação aberta a todos os que satisfazem certos requisitos ( via de regra, títulos a serem examinados por uma comissão e pagamento de anuidade),com número ilimitado de vagas, sem vitaliciedade, sem imortalidade, sem cadeiras numeradas e sem patronos. São exemplos dessa nova concepção a American Academy of Medicine, hoje com seis mil e setecentos membros; a American Academy of Family Physicians, com oito e oitocentos membros e a International Academy of Law and Mental Health ( com muitos membros, em várias partes do mundo, sediada no Canadá).

Aqui no Brasil, correspondem às sociedades e associações de classe, como a Associação Médica Brasileira – AMB, com mais de 50 mil associados, e suas federadas.

A nossa Academia Sergipana de Medicina, fundada em 1994, se enquadra na concepção de origem francesa, com quarenta cadeiras e seus respectivos patronos, vitaliciedade e imortalidade.

 

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