Adeus não, até breve!

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Adeus não, até breve!

Nome de Apolônio Lisboa é boicotado e pré-candidato está fora da disputa.

Lisboa, 14 de julho de 2006

Caros amigos de Sergipe:

As elites retrógradas não referendaram o meu nome na convenção do Partido dos Aposentados Bonitões. Aliás, elas não querem mudar nada mesmo, pois não aprovaram o nome de ninguém e vão apoiar quem lhes der mais dinheiro para a caixinha do partido.

No fundo, pessoalmente até achei melhor. Imagina perder as minhas sarapitolas e pinocadas com Sulamita, minha secretária bilíngüe e boazuda, só para ter que ficar andando do semi-árido ao agreste a comer buchadas e a apertar mão de líder comunitário de interior. Sou um intelectual urbano, maus amigos, não mereço este suplício!

Assim inclusive, terei mais tempo para preparar uma boa estratégia para a minha campanha à prefeito de Aracaju. A barbosópolis sim é que é a minha grande paixão. Desde que fui morar aí com a minha rapariga Leonor, jamais esqueci aquele poético cheiro de esgoto in natura que emana do lodaçal da antiga Praia Formosa. É uma beleza! E a bucólica Atalaia então, com seus lindos terrenos baldios e sensacionais ruas de piçarra? É outra maravilha!

Aliás, não se já lhes contei, mas tal e qual o meu conterrâneo Pedro, também aportei à esta terra maravilhosa por mero acaso. Eu estava num cruzeiro da Stella Barros, a caminho da Índia, quando o navio teve problemas técnicos e ficou à deriva vindo dar com os costados nas águas da Bahia. Foi, aliás, o começo da ruína daquela detestável empresa.

Em Salvador, travei logo contato com um simpático grupo de jovens nativas, que me convidou para uma tal de suruba. Era eu, então, um neófito no português castiço e assim como o Cabral deve ter feito com os índios da sua época, aceitei o convite, pensando tratar-se de um cozido, um guisado, um surubim na brasa, enfim, um prato típico qualquer da boa terra.

Para não constranger outros companheiros de viagem me abstenho de entrar em maiores detalhes.
Mas, enfim, foi ali que conheci a rapariga Leonor, uma bela sergipana que após passar em revista todo o pelotão, me mostrou tudo o que uma descendente direta do Cacique Aperipê pode fazer com seus pequenos lábios. A paixão foi imediata e fomos embora para Aracaju, onde vivemos juntos por quase vinte anos.  

Oh Aracaju! Terra de cajueiros e papagaios, berço de Grampão e João Muamba, permita-me
saudar-lhe com parnasianas palavras, com carlobritana eloqüência.  Tua beleza, ó Aracaju, embriaga o mais abstêmio dos homens, imagine o que não fazes, querida polis, com um Gilton Lobo ou um Djenalzinho.

Pois aguarde-me, ó lido torrão de Adilson Maguila, se Deus quiser e a Torre ajudar, serei vosso próximo alcaide. Tenho dito.
 
Até semana que vem.

Um abraço do

Apolônio Lisboa

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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