Admitir a realidade, por que não?

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Para todos nós, brasileiros, é bastante visível a diferença do Brasil de antes e depois do Real.

 

Antes do Real, chegamos até a uma inflação mensal de cem por cento. Época em que para o empresário era mais tranqüilo o mercado financeiro do que investir em seu negócio; em que para aquele bem remunerado, o custo da inflação seria financiado pela rentabilidade do mercado financeiro. Os mais pobres, porém, pagavam um alto custo pela inflação, porque, além dos aumentos dos preços sempre chegarem antes dos aumentos dos salários, não tinham acesso aos mecanismos de proteção monetária.

 

Com a implantação do Real, que para o PT, em 1994, era mais um blefe como foram os outros planos que o antecederam e com uma rígida política macro-econômica, o Brasil conseguiu reduzir a inflação e estabilizar a sua economia.

 

Nestes anos, todavia, o Brasil conviveu com diversas crises externas, como a crise do México, da Rússia, dos países asiáticos e da Argentina. Em todos esses momentos, para manter a inflação sob controle e a economia estabilizada, o governo foi obrigado a aplicar uma austeridade maior no controle de suas contas e uma política macro-econômica austera, o que impedia ao país ter um desenvolvimento continuado e sustentável.

 

Internamente, também, a falta de planejamento, aliada à atipicidade da natureza, gerou a crise de energia elétrica em 2001, quando todas as condições eram favoráveis ao início de crescimento de nossa economia. Em 2002, vencida a crise energética, vivemos o problema da falta de credibilidade do PT, partido que venceria as eleições para presidente da república.

 

A crise somente deixou de ser maior porque o mercado recebeu a garantia da manutenção dos compromissos assumidos e, também, em função da indicação pelo Presidente Lula, de Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e de Henrique Meirelles para Presidente do Banco Central, o que para o mercado significou a manutenção da política macro-econômica.

 

Em 2003, para vencer a crise, o Governo do PT agiu diferentemente do Governo de FHC nas crises com as quais o país anteriormente conviveu?

 

Não. A política macro-econômica adotada pelo Governo Lula foi a mesma utilizada pelo Governo de FHC.

 

Hoje estamos festejando os sinais de reativação de nossa economia, e eles, sem dúvida, são frutos da atitude do Governo atual, que optou pela troca dos discursos de oposição por um comportamento lúcido diante da realidade do mundo em que vivemos.

 

Por que, então, não admitir esta realidade? Quer queiram ou não os petistas, o Governo de hoje, nas questões macros, é uma continuação do Governo de ontem. O que mostra incoerência quando querem nos fazer crer que ontem foi tudo erro e que somente o hoje é que responde pelos resultados que o país está obtendo.

 

Ainda, agora o ex-Ministro da Educação, no Governo de Fernando Henrique, Paulo Renato de Souza, voltou a criticar o fornecimento de dados defasados de analfabetismo para a pesquisa que mede o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). No ano passado, o Governo informou os dados atualizados de 2001. O correto agora seria atualizar esses dados com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) a PNAD de 2002, mas os dados enviados foram o do Censo de 2000. Com isto, quiseram jogar para baixo os dados do governo anterior e no ano que vem, certamente, vão dizer que o censo está defasado e atualizarão os dados para provocar um salto maior.

 

Edmir Pelli é aposentado da Eletrosul e articulista desde 2000
edmir@infonet.com.br

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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