Ah, esta modernidade sergipana!

0

Grande debate nacional.

 

Há um grande debate nacional. O Brasil voltou a crescer. Parece que o gigante ousou se erguer no seu ressonar eterno de povo indiferente. E como os índices de crescimento se fizeram vivos, eis que surgiu a necessidade de ampliar o consumo, alavancar a produção, fazer-se competitivo no contexto dos povos, todos em disputa pela sobrevivência.

 

O mundo nunca teve tanta gente! São bilhões que acordam todos os dias em fome nunca vista! Uma fome geral e global; de tudo! E a Terra, este nosso planeta azul e fantástico, como paraíso anil tem os seus limites, sua limitação em termos de resposta a todos os desejos e sonhos, sem falar do comum, por necessário, gerar conforto, sobrevivência e manutenção.

 

Porque o homem de hoje por situação, circunstância e ocasião, não pode ser o mesmo em carências e vontades do que seu pai, seu avô, seu ascendente perdido, nem mais vivente no sonho ou na imaginação. E a energia consumida per capta no presente, mesmo com os casos de miséria absolutas inseridos na média estatística, tem que se fazer crescente para que haja libertação e fruição de pleno fastígio, deste homem indomável, que ousa seguir em frente.

 

Mas, se a humanidade deseja seguir adiante, vencendo dificuldades, dominando todos os saberes para dirimir a ignorância e o erro, muitos por preguiça, obscurantismo e mau-caratismo se contrapõem a tudo que insira novidade, como pior rima da modernidade.

 

Há alguns, que em nova religião equivocada, ousam dizer que a tecnologia nunca é boa quando o novo suplanta o velho, forçando-o a pensar e se adaptar.

 

 

Os jornais perdendo leitores.

 

Veja-se, por exemplo, esta nova discussão: os jornais impressos estão perdendo leitores e assinantes. Diminuiu o número de leitores, ou os jornais se tornaram obsoletos, parciais e deformadores, diante da necessidade de rapidez na informação, com transparência de opinião em confrontação com mais variada versão?

 

E esta liberdade de divergir e de opinar se encontra nos grandes tablóides, nos jornalões pesados em muitas folhas vazias de pouco cérebro e criação?

E os jornais, mesmo sabendo que o seu futuro servirá apenas para embrulhar vísceras e mariscos nos mercados, por que atacam o livre transitar no blog e no twiter, derradeira barreira da liberdade manifestada sem peias e desejada às mancheias?

 

 

Ah, esta humanidade que avança e se deixa atrasar!

 

Mas a parte tudo isso que se estiola, há os que teimam em permanecer no passado ou na tecnologia ultrapassada, se gabando da sua grandeza, num analfabetismo inculto, corroído por mofado, por não possuírem a destreza de navegar na internet, por exemplo. Não se vêm náufragos, por acaso, com socorro de boia fácil, bem junto à mão?

 

Para estes, o errado nunca será aquele de sua ceara, seus iguais no atraso e na deformação. Para si, o erro advém do novo que teima a todo instante recriar a criação, investindo no desconhecido e na imaginação, e ousa obrar por infortúnio uma ciência, já longeva, por décadas de renovação, como já a própria cibernética e as redes e sistemas de automação.

 

 

E quem é o culpado?

 

O culpado foi alguém criar uma álgebra binária e com ela tornar possível conciliar o sonho com a matemática; usar a aritmética sem firmar apologética de conflitos entre a biologia e a engenharia.

 

O culpado vem de longe, quando Pitágoras ousara dizer que no princípio de tudo estava o número, num tempo em que tudo se explicava, só com mistura de terra, água, fogo e ar.

 

O culpado fora ainda Euclides, que na Grécia antiga idealizou postulados incríveis e perfeitos, que em esmero eterno subsistem, subvertendo tudo o que fenece e apodrece na criação humana.

 

O culpado foi Boole, inventando estruturas algébricas que “capturavam a essência” das operações lógicas E, OU e NÃO, bem como das operações da teoria de conjuntos, de soma, de produto e complemento. E conseguir aplicar tudo isso a dois elementos apenas, LUZ e ESCURIDÃO, para com a óptica e a luminosa propagação, desvirtuar o novo e gerar inspiração, no transporte e na comunicação.

 

Culpados já eram os que ousavam com a energia flogística, coisa de feiticeiros e alquimistas, botar o vapor d’água para empurrar correias e pistãos. E os que, em profusão de maior extensão e mistério, botaram para correr o elétron, um mero despautério de espanto e medo, antes só recluso no raio e no trovão.

 

Culpados foram também os nossos trisavôs que fizeram e domaram a geração da eletricidade e do magnetismo, inventos do século XIX, mais antigos que a nossa lei áurea e a abolição da escravatura negreira. Inventos que liberaram o homem do uso da força bruta, e com ela a desnecessidade da servidão como força motriz.

 

E muita gente, hoje ainda, gostaria de fruir tudo isso, sem perder o mando e um comando de escravidão; eterna maldade onde rasteja a desumanidade.

 

 

No cerne benfeitor estava a bomba.

 

Inumanidade inserida na perfeita raiz, desta ânsia geratriz, que longe de descobrir nos raios-X um uso bom e feliz, viu-lhe o mau e com ele uma bomba de destruição infeliz.

 

E por uma feliz conseqüência desta desinfeliz procedência, foi esta bomba atômica que, por primeiro, despertou a energia do átomo, sem a qual restaria dormitante, nas terras raras e nas ralas isotopias.

 

Porque foi tal bomba terrível que fez tornar possível, utilizar meios e métodos da garimpagem aurífera, como decantação, separação, centrifugação, tudo que é útil como peneiração e separação, para enriquecer a rasa isotopia, concentrando-a em combustível físsil, tão disperso na ganga, em excedente anisotropia.

 

 

Há os que avançam, os que se atrasam e os que enganam.

 

O culpado, dirão alguns atrasados e ultrapassados, e aí incluo os simplistas e os ingênuos. O culpado foi o Urânio surgir assim; um bom por inútil, o U-238; e o outro, o U-235, por ser ruim e fútil.

 

Já os que não pensam assim, continuam a dominar a energia nuclear e se enriquecer com sua tecnologia. O grande problema é estar este Urânio espalhado na mão de tantos povos e nações. Melhor seria para estes que o físsível estivesse apenas sob o seu controle suasório.

 

E assim neste contexto amplo de preservação da natureza, os que falam em sua proteção são os que em mor prática mais se exemplificam em ausência de parcimônia e em abusos de crueldade, norteando atos e desatos com os fins sempre justificando os meios.

 

Primeira discussão: Belmonte na berlinda.

 

Mas, a despeito de tudo isso e nos inserindo neste cadinho de contradições e más intenções, estamos discutindo duas coisas no noticiário. Isto sim, o nosso problema.

 

A primeira discussão se refere à usina de Belmonte, lá no Pará.

 

Se antes a energia hídrica era tida como ideal e mais limpa, quanto aos danos à natureza, agora, só porque somos um sucesso neste campo, temos que abdicar de tais investimentos na Amazônia porque seres avatares, querendo-a sua exclusiva colônia, largaram seus confortos para nos dizer que por ali todos devemos permanecer primevos e primatas, entendendo que o bom e belo é o selvagem e a sua cultura pré-histórica e magmática, com o bicho de porco atacando-lhe o casco.

 

Em nova pregação obscurantista, entidades alienígenas se opõem ao progresso e ao desenvolvimento estimulando a fome e a miséria, e a barragem é barrada e preterida.

 

Mas a barragem será construída; encarecida é verdade! Afinal os setores que se interpõem, longe de patriotismo sensato ou preservacionismo caricato, obstáculos são inseridos para que facilidades sejam negociadas. É coisa da lei, seara de advogados e seus fartos honorários. E haja advogados! E haja muitos honorários! No final, a obra sempre sai encarecida. Infelizmente somos reféns deste posicionamento alienante que nos impede de progredir.

 

 

Segunda discussão: Sergipe, o cavalo azarão na corrida nuclear.

 

Mas, se Belmonte é uma discussão nacional com reflexos avatares, a segunda notícia se faz mais tola e menos suscetível de esgares. Eis que nos novos ares, Sergipe se assanha pujante e fagueiro, se candidatando a grande gerador de energia nuclear.

 

Se entre o São Francisco e o Real não há uma mina de urânio ou qualquer radiação de pouca vida que se conheça por sinal, viramos não só conhecedores de ampla tecnologia de prospecção e enriquecimento de combustível físsil, como já nos candidatamos a abrigar no nosso quintal, uma grande usina nuclear.

 

Como comum a tantos conservacionistas, e Sergipe não poderia ser igual, contra tal usina levantam-se os que se ouriçam contra qualquer modernidade.

Sem ver seu fracasso no mundo, por absoluto atraso e ignorância, estes

Ficaria bem no terreno da árvore de Natal, na nossa coroa do meio? Quem o achar, que a erija mais próximo da própria testa!
inconvertíveis recalcitrantes acham que a fissão nuclear nunca vingará por causa de seus pruridos e gostos. Esquecem que a humanidade carece de energias crescentes e ninguém quer retornar ao passado e à sua inanição.

 

Esquecem ainda que pela tecnologia atual, nada surgiu de melhor e mais prático que a energia nuclear de fissão. E tais usinas estão se reproduzindo em latitudes e longitudes, independentes de atitude de regressistas e suas alienantes campanhas, apelando para a ignorância do vulgo.

 

Pelo menos é assim e ainda, porque a fusão nuclear, tida como segura e de intensidade bem maior, faz parte dos estudos conduzidos por poucas nações que ousam empregar tal esforço. Esforço e estudo que os que não estudam sempre se lhes excedem em obstáculo de preconceitos, rejeitando-lhes a tecnologia nascente, ou dela se apoderando como conquista ampla de todo gênero humano.

 

Porque, lamentavelmente, o gênero humano é constituído dos que aram e plantam, dos oponentes a tudo, e dos que se apoderam do butim.

 

 

Sergipe das araras e das terras raras.

 

Mas, como estalo de verdadeiro motim e em taramelas de arara, Sergipe, sem possuir terras raras, resolveu ser produtor e exportador de energia em geração nuclear.

 

Temos água, bastante água, tanto nos rios salinizados, quanto na costa oceânica, falam-nos os nossos técnicos radioativos.

 

Das águas salinizadas, do Poxim, do Japaratuba, do Ganhamoroba ou do Cotinguiba surgiu pouca briga com tanto soba, em falação de ocasião.

 

Ninguém quis dizer, por deletério, que um simples acréscimo de temperatura, com as águas servidas no intercâmbio de calor, que bem dosado e utilizado, não poderá afetar a nossa produção de caranguejos e camarões.

 

Falaram bem mais nos acidentes à Chernobyl, mais remotos que passíveis, e da nossa tola justificativa constitucional: a Constituição Sergipana o nega por cláusula pétrea.

 

 

Dá-lhes, Getúlio Vargas!

 

Desconhecem quão sábio fora Getúlio Vargas, para quem a ocasião gera o ato, sem trauma ou violentação: “As constituições são como as mulheres, só se tornam férteis quando violadas”.

 

E é sempre fácil refazer, reescevinhar e realinhavar as nossas Constituições, sempre imperfeitas, promíscuas e pouco longevas. Que o digam os nossos parlamentos de ontem, de hoje e de sempre, para serem bem mirados e referidos!

 

 

E a nossa necessidade energética?

 

Mas, com tanto espirro de coriza, não houve argumentação precisa sobre a nossa necessidade energética.

 

Estamos tão carentes de energia que Xingó restou pequena para o nosso consumo e desenvolvimento?

 

Possuímos tanto potencial energético que nos anime a possibilidade de o pequeno Serigy virar um grande centro exportador de energia elétrica?

 

Justamente agora em que estão pretendendo espoliar os impostos recolhidos pelos Estados exportadores, em nome de um paritarismo estapafúrdio, rateando os royalties produtivos, com os demais Estados da Federação?

 

 

Ah, estes espertos!

 

Ah, mas uma usina desta gerar-nos-á milhares de empregos, diretos e indiretos!

 

Ah! Nada melhor como justificativa: milhares e milhares de empregos! Aliás, todos os nossos investimentos sempre geram milhares, ou milhões de empregos, sem falar na automação que os restringe e anule. Pelo menos é assim a esperta propaganda!

 

Restrições à parte, e nulidade de outra parte, por acaso possuímos infra-estrutura notável em recursos humanos e tecnológicos para gerar tão ribombante energia físsil?

 

Sergipe cresceu tanto assim em tecnologia de ponta, com o nosso professorado continuamente paralisando o processo instigador educacional?

 

 

Confiamos nos nossos governantes?

 

E afinal, por mais incrível! Ninguém falou do transporte e armazenagem deste material perigoso e letal. Alguém já cedeu o seu quintal para guardar o material exaurido a ser mantido e armazenado para sempre?

 

Temos, por acaso do descaso, confiança nos nossos homens públicos, zelando por materiais, tornando-os isentos de perigos? Possuímos áreas desérticas e inabitáveis ideais para tais usos?

 

 

Besteiras e baboseiras.

 

Ah! Quanta besteira! Sergipe como o Irã virará, logo, logo, tema do Conselho de Segurança da ONU, sobretudo porque bem cedo nos chegará a bomba sergipana, como arroto ou flatulência desta sergipanidade mal informada.

 

 

Tentando contrapor um pouco de seriedade.

 

Assim, sem temer o uso da energia nuclear, entendo que Sergipe melhor faria se cultuasse sua inteligência na formação da juventude, capacitando-a para os amplos desafios do conhecimento.

 

Somos um Estado abençoado pela natureza. Nossa área é exígua e nossos problemas de fácil solução. Até o nosso povo é bem melhor que o entorno da nação. Quem quiser que o contradiga!

 

Nossas estradas e linhas de comunicação são curtas; cem quilômetros para o sul, outros cem para o norte, e pouco mais para o oeste.

 

Temos uma boa incidência de chuvas, um solo perfeito para ousar irrigação, por gravidade inclusive. Uma insolação mantida e uma ventilação repetida, ideais para a pesquisa e produção destas energias românticas do sol e do vento, sem qualquer ônus de desalento.

 

Faltam-nos menos discurso e mais ação criativa! Melhor seria a pesquisa alternativa destas energias renováveis. Bastar-nos-ia um único cata vento, experimental solitário, nas nossas escolas, para ser visto e repetido.

 

O mesmo se poderia ter em termos de refletores e acumuladores solares, porque não nos faltam seus raios generosos. 

 

Infelizmente nada disso interessa. Há uma preferência por discursos vazios e estreitos. Igual às novas pontes, nascidas tão espremidas quanto acanhadas, a invejar Pedra Branca setentona e obsoleta, um convite já na prancheta de sua duplicação.

 

Quanto à Central Nuclear sergipana, se não for piada sem riso, que ela não nos venha como contraponto de pouco ciso de mais um discurso tacanho.

 

Infelizmente nosso Sergipe é assolado por tais idéias. Já quiseram erigir por aqui uma refinaria petrolífera, uma siderurgia sem grão de ferro ou carvão, e até uma fabrica gringa de camarão ficou no nosso folclore em meio a gargalhadas.

 

Por enquanto só falta alguém querer convencer o nosso caranguejo a preferir andar pra frente que derivar pro lado e recuar de banda.

 

Ah, esta modernidade sergipana!

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
Comentários