AIDS: A RETROSPECTIVA 2012

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Durante o ano de 2.012, a equipe da Gerência Estadual de DST/AIDS realizou 93 palestras informativas na comunidade em geral e em escolas, abordando principalmente a AIDS e a SÍFILIS. Com relação à AIDS, a equipe mostrou as formas de transmissão do HIV e medidas de prevenção, a diferença entre ter o HIV e ter AIDS, bem como a importância de realizar o teste de diagnóstico de forma precoce, que contribuirá para uma melhor qualidade de vida. Quanto ao tema sífilis, foi destacada a situação grave da Sífilis Congênita, com suas manifestações clínicas que podem levar às graves sequelas para os bebês, bem como a importância da realização do pré-natal envolvendo não apenas as gestantes, como também os seus parceiros sexuais. Foram realizadas 27 palestras em empresas, durante as SIPAT – Semana Interna de Prevenção aos Acidentes de Trabalho, onde o tema DST/AIDS é obrigatório. Levar a prevenção para o ambiente de trabalho é uma estratégia importante para atingir, principalmente a população masculina que, culturalmente, procura com pouca intensidade, as unidades básicas de saúde. Houve ainda a participação em 15 seminários ligados ao Programa Saúde e Prevenção nas Escolas e aos profissionais de saúde em geral. Foram realizadas 10 mobilizações da Campanha “Fique Sabendo” de incentivo à realização do diagnóstico precoce do HIV. Neste sentido, um dos mais importantes eventos do ano de 2.012 foi o lançamento da Unidade Móvel “Fique Sabendo” em parceria com a Empresa de Ônibus Viação Tropical. Trata-se de uma unidade composta por salas de aconselhamento e realização do teste rápido para diagnóstico da SÍFILIS e do HIV. A partir de agora, os testes de AIDS e sífilis serão levados, de forma itinerante, para os locais de difícil acesso e para eventos estratégicos, como no Pré-Caju 2013. A equipe da Vigilância Epidemiológica realizou 19 capacitações e 15 seminários para os profissionais de saúde, cujo tema de maior relevância foi a implantação e implementação do Teste rápido para o diagnóstico da sífilis e do HIV nas Unidades Básicas de Saúde, como uma estratégia importante do Programa Rede Cegonha, do Ministério da Saúde em parceria com estados e municípios.  Foram realizadas 28 campanhas informativas, principalmente nas festas populares do interior do estado, com a presença do camisildo – único veículo em forma de camisinha do mundo, procurando divulgação o uso do preservativo nas relações ocasionais ou não, e também incentivando as pessoas a realizarem os exames para diagnóstico da sífilis e do HIV. Foi apoiada a realização das Paradas LGBT, que são eventos de grande importância para incentivo à prevenção e combate à homofobia junto a uma importante população considerada vulnerável que a de homens que fazem sexo com homens. Outras populações específicas também foram beneficiadas com ações de prevenção como as profissionais do sexo, caminhoneiros e população confinada nos presídios da capital e interior do estado. Importantes parcerias foram ampliadas junto aos municípios, às Organizações da Sociedade Civil, estudantes de Medicina da UFS e ao SESI. Várias experiências bem sucedidas de Sergipe foram apresentadas no importante Congresso de Prevenção às DST/AIDS realizado em São Paulo. A Gerência do Programa Estadual de DST/AIDS realizou capacitações em outros estados como em Alagoas (Arapiraca), Amazonas (Manaus) e no Ceará (Fortaleza).

NOTÍCIAS QUE FORAM DESTAQUES NA MÍDIA NACIONAL
Cresce notificação de sífilis em bebês no país

A imprensa destacou informações sobre aumento de 53% em dois anos do registro de sífilis em bebês. O registro de casos de bebês que nasceram com sífilis subiu 53% no intervalo de dois anos, passando de 6,1 mil casos em 2009 para 9,4 mil em 2011. Em comparação, nos cinco anos anteriores, a alta desses casos não chegou a 9%. Para o Ministério da Saúde, a aceleração é positiva porque reflete o esforço de identificação precoce da doença e de redução da taxa de casos que não eram notificados – estimada no passado em cerca de 60%.

Recém-nascidos de mães com HIV terão novo medicamento para prevenir a transmissão do vírus

Os recém-nascidos filhos de mães vivendo com HIV e AIDS que não receberam antirretrovirais durante a gestação terão mais um recurso para reduzir o risco da transmissão do HIV de mãe para filho (transmissão vertical), com a introdução de um novo medicamento (nevirapina) no esquema de profilaxia. O novo medicamento faz parte de uma série de intervenções implantadas pelo ministério para reduzir a transmissão vertical no País. Nos últimos 12 anos, conseguimos uma queda de 49,1% no número absoluto de casos de AIDS em crianças menores de 5 anos de idade.

Morre, em Sorocaba (SP), aos 24 anos, primeira criança do mundo a tomar coquetel contra AIDS.

Foi destaque, em vários jornais do Brasil, a morte de Luciane Aparecida Conceição, conhecida por ser a primeira criança do mundo a tomar coquetel contra a AIDS. Luciane, que morava em Sorocaba (SP), havia abandonado o tratamento contra a doença há cinco anos e faleceu, aos 24 anos de idade. Morre, em Sorocaba (SP), aos 24 anos, primeira criança do mundo a tomar coquetel contra AIDS Luciane era exemplo de tratamento precoce contra a doença. Segundo familiares, ela tinha parado de tomar remédios contra a doença há cinco anos e estava bastante debilitada, tendo sido internada mais de 10 vezes só neste ano. Infelizmente, devido à crise depressiva, ela não aceitava mais tomar o remédio, e não dizia o motivo. Simplesmente não queria mais se tratar. A jovem contraiu o vírus HIV ao nascer. Luciane deu à luz uma menina em 2008. Apesar da mãe e da avó serem soropositivas, a criança nasceu sem a doença.

CÉLULAS QUE MATAM HIV PODEM IMPEDIR A AIDS

Um grupo de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu mais um passo na busca por uma cura ao vírus da AIDS. O estudo traçou a possibilidade de se criar uma vacina com células humanas que atacam naturalmente outras infectadas com vírus.  A ideia por trás do estudo partiu do uso do linfócito T CD8, que reconhece e elimina organismos estranhos no corpo, como os vírus. A cada 300 pessoas com AIDS no mundo, ao menos uma possuía capacidade rara de forçar a célula T CD8 a eliminar um grupo específico de células com o vírus.

'Cruzada' tenta vetar exigência de teste de HIV em concursos

A exigência do teste de HIV em concursos públicos de corporações policiais vem sendo contestada em diversos Estados do país. Em dois, a medida já foi derrubada. O requisito é criticado pelo Ministério Público, pelo Ministério da Saúde e por ONGs, que afirmam que a exigência é discriminatória. As corporações negam. O caso mais recente é do Pará, onde a Polícia Militar abriu um edital em que o exame de HIV é eliminatório. Em nota, o Ministério da Saúde diz que a exigência do teste fere os direitos humanos. Em 2010, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou portaria estabelecendo que "não será permitida, de forma direta ou indireta, nos exames médicos por ocasião da admissão, mudança de função, avaliação periódica, retorno, demissão ou outros ligados à relação de emprego, a testagem do trabalhador quanto ao HIV." Além da medida, há no Brasil duas leis proibindo a aplicação dos testes em ambiente de trabalho.

Justiça obriga banco a readmitir funcionário com HIV

Um bancário portador do vírus HIV ganhou ação contra o banco Santander na Justiça do Trabalho e deve ter o emprego de volta. De acordo com a assessoria do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a 1ª Turma considerou que houve discriminação do banco na dispensa sem justa causa do funcionário. Com a decisão, o bancário deve retornar ao posto de caixa executivo no Santander, que fica sujeito à multa de R$ 1 mil por dia, em caso de não cumprimento. O TST considerou o reconhecimento da presunção de ato discriminatório quando o empregado soropositivo teve dispensa imotivada.

Transmissão proposital de HIV foi classificada como lesão corporal grave pela Justiça de Brasília

A transmissão consciente do HIV configura lesão corporal grave, delito previsto no artigo 129, parágrafo 2º, do Código Penal. O entendimento é da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e foi adotado no julgamento de habeas corpus contra decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). Entre abril de 2005 e outubro de 2006, um homem soropositivo manteve relacionamento amoroso com sua parceira. Inicialmente, ele usa preservativo, mas depois passou a fazer relações sem proteção. Constatou-se mais tarde que a mulher adquiriu o vírus. O homem alegou que havia informado à parceira sobre sua condição de portador do HIV, mas ela negou. O TJDF entendeu que, ao praticar sexo sem camisinha, o réu assumiu o risco de infectar sua parceria. O tribunal também considerou que mesmo que a "vítima" estivesse ciente da condição do seu parceiro, a ilicitude da conduta não poderia ser excluída. O réu foi condenado a dois anos de reclusão com base no artigo 129 do Código Penal.

Notificação de Pessoas HIV positivas

Médicos e laboratórios que fizerem exames de detecção do vírus HIV serão obrigados a repassar os dados do paciente, em caso de resultado positivo, ao Ministério da Saúde. Atualmente, a AIDS está incluída na lista de 40 doenças com notificação obrigatória no ministério, mas o vírus HIV não estava. A portaria que atualiza a lista de notificações compulsórias deverá ser publicada em janeiro de 2013 pela Secretaria de Vigilância em Saúde. No caso do HIV, o objetivo é conhecer precocemente o status sorológico do paciente e, se for o caso, iniciar o tratamento mais rapidamente. Embora o Brasil tenha hoje 217 mil pessoas em tratamento antirretroviral, segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é que outras 150 mil não saibam que têm o vírus da AIDS. Essa medida traz dois benefícios: um individual e um coletivo. A pessoa que toma remédio mais cedo não vai desenvolver a AIDS. O outro ponto positivo é que quando o paciente começa a tomar o medicamento, a carga viral é diminuída até que fique indetectável.

Novos Tratamentos diminuem a transmissão do HIV

Desenvolver uma vacina eficaz é uma promessa distante. Mas as tecnologias para tratar a doença e diminuir o risco de transmissão do vírus estão surtindo efeito. Hoje se sabe que pessoas que tomam medicação regularmente e mantêm carga viral indetectável têm expectativa de vida longa e de qualidade e chance reduzida de transmitir o HIV. Esse é um dos motivos que levam muitos especialistas a defender medicação precoce e maciça aos portadores do vírus. Menos vírus circulando pode diminuir o número de infecções.

MILHARES DE PESSOAS JÁ UTILIZARAM PEP SEXUAL, POPULARMENTE CONHECIDA COMO “COQUETEL DO DIA SEGUINTE”.

A mídia nacional destacou os números do balanço de profilaxias pós-exposição sexual já realizadas no Brasil. Num período de 6 meses, mais de 3.000 pessoas tomaram medicamentos antirretrovirais para prevenir à transmissão do HIV no Brasil. A profilaxia pós-exposição (PEP) deve ser iniciada em até 72 horas após a relação sexual de risco. A terapia passou a ser oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para casos excepcionais em que ocorre falha ou rompimento da camisinha, por exemplo. Também são público-alvo pessoas com maior vulnerabilidade ao HIV, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas – cuja estimativa de infecção é dez vezes maior do que na população em geral.

PACIENTES COM HIV TÊM MAIOR RISCO DE MORRER POR ATAQUE CARDÍACO

Um estudo publicado na revista Journal of the American College of Cardiology, mostrou que os pacientes que vivem com HIV são 4,5 vezes mais propensos a morrer por um ataque cardíaco que as pessoas que não têm o vírus. A pesquisa, realizada por professores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, apontou que a morte súbita por ataques cardíacos foi a segunda causa de morte mais comum entre os soropositivos, depois da AIDS.

Tratamento precoce para HIV deve ser adotado no Brasil

As novas diretrizes para o tratamento de pessoas com HIV, a serem publicadas pelo Ministério da Saúde, devem seguir o caminho da terapia precoce. Segundo o infectologista Ronaldo Hallal, coordenador de cuidado e qualidade de vida no Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais, 217 mil pessoas com HIV estão tomando Antirretrovirais por meio da rede pública. Acrescentando os soropositivos com contagem de células de defesa entre 350 e 500 por mm3 de sangue, que fariam a terapia precoce, seriam mais 20 mil. O custo das drogas é de R$ 800 milhões por ano. Pesquisas foram realizadas para avaliar o início precoce da terapia contra o HIV. Pesquisas recentes também mostraram que os antivirais reduzem em 90% o risco de transmissão do vírus da AIDS.

Estudo apresenta pílula "4 em 1" contra a AIDS

No tratamento da AIDS muitas pessoas passaram um longo tempo tomando até 40 comprimidos três vezes ao dia. Está sendo lançado um novo comprimido que combina quatro drogas anti-HIV em um único tratamento diário seguro e eficaz, de acordo com um estudo publicado pela revista científica Lancet.  Espera-se que a "pílula quatro em um" torne mais fácil para os pacientes manter a medicação e melhorar os efeitos de seu tratamento. Esta possível chance de tratamento é a primeira a incluir um tipo de droga anti-HIV conhecido como inibidor da integrase, que interrompe a replicação do vírus.

Pacientes com HIV e que fumam, apresentam redução da sobrevida em vários anos.

Pacientes com HIV que recebem tratamento com antirretroviral podem perder mais anos de vida fumando do que por causa da doença. O resultado da pesquisa mostra a importância de abandonar o tabagismo após a descoberta da doença. A diminuição de expectativa de vida chega a mais de 10 anos.  O estudo concluiu que mais de 60% das mortes de pacientes com HIV são associadas ao tabagismo e que o índice de mortalidade de infectados com HIV fumantes é três vezes maior do que os fumantes sem HIV. A expectativa de vida estimada diferiu significativamente: uma pessoa com 35 anos que fumava tinha a expectativa de vida até 62,6 anos, enquanto para outro paciente que não fumava a previsão foi de 78,4 anos.

Programa Estadual de DST/AIDS de Sergipe transforma veículo velho em unidade móvel para oferta de testes rápidos

O Site do Departamento Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde divulgou importante matéria sobre o Estado de Sergipe.
Um veículo velho sem condições de circular, cujo destino seria leilão público, transformou-se em uma unidade móvel do Fique Sabendo – ação estratégica de oferta de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais. A iniciativa foi do Programa Estadual de DST/AIDS de Sergipe, que aderiu à mobilização nacional de testagem, deflagrada pelo Ministério da Saúde de 22 de novembro a 1° de dezembro (Dia Mundial de Luta contra a AIDS). “A ideia do Dr. Almir Santana (gerente do programa de Sergipe) de encontrar apoio de um empresário local para reformar e adaptar o veículo mostra o compromisso que vai para além do exercício do cargo. É o compromisso com a causa”, elogiou o diretor adjunto do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais, que esteve em Aracaju, para conhecer a unidade móvel.
Para Eduardo Barbosa, o veículo incentiva a população a fazer o teste rápido. “O teste para detecção da AIDS tem que ir até as pessoas. Se depender delas irem até uma unidade de saúde fazer os exames, elas não vão. Outras que vão não voltam para buscar o resultado devido à demora e à apreensão”, explicou.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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