AIDS na escola

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Ao ingressarem na escola, espaço que formaliza o conhecimento, promove e facilita a aprendizagem sobre o mundo e sobre si, os garotos e garotas vivenciam novas formas de se relacionar, de se conhecer e de estabelecer vínculos afetivos.

Sabemos que a adolescência é uma faixa etária de grande vulnerabilidade pelas características próprias da idade; pela inexperiência que os jovens adolescentes têm de lidar com seus próprios sentimentos e com o sentimento do/a parceiro/a; por, nem sempre, possuírem as habilidades necessárias para a tomada de decisões e serem responsáveis por elas ao se envolverem em relacionamentos afetivos e sexuais.

Dados do Ministério da Saúde mostram o aumento dos casos de AIDS entre jovens de 15 a 24 anos. No início do ano letivo, é importante alertar os professores, diretores das escolas, alunos e os seus respectivos pais, com relação à necessidade da implantação e/ou implementação de programas continuados de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis, com ênfase na Sífilis, Hepatite B e Infecção pelo HIV.

Apesar dos 30 anos da epidemia de AIDS no mundo, ainda existem algumas escolas principalmente particulares, cujos diretores são radicalmente contra a orientação sobre sexo mais seguro e rejeitam a ideia da disponibilização dos preservativos nas escolas, alegando que vai haver “incentivo ao sexo”. Já existem trabalhos científicos mostrando que as escolas que abordam temas relacionados à sexualidade e DST/HIV/AIDS de forma continuada, estão conseguindo reduzir a ocorrência de gravidez na adolescência e retardar o início da atividade sexual.

É importante que as escolas abordem os temas nas reuniões de pais, mostrando a provável vulnerabilidade dos seus filhos. Muitos pais desconhecem a vida sexual dos garotos e garotas e acham que não estão expostos às situações de risco sexual.

A orientação dos alunos deve ser feita, não necessariamente pelo professor de ciências ou de biologia, pois nem sempre tem uma boa postura e atitude frente à sexualidade. O trabalho deve ser feito pelo professor ou professora que tenha interesse pelo tema, abertura, receptividade e conhecimento da forma como os garotos e garotas vivem no grupo.

A escola deve estimular o protagonismo dos jovens, nas feiras de ciências, dinâmicas de grupo, peças teatrais, músicas e nos diversos eventos da comunidade escolar. A discussão sobre os fatores que tornam os jovens vulneráveis como o abuso às drogas e ao álcool e a influência dos valores culturais que impedem a adoção de práticas sexuais mais seguras, é fundamental. As informações repassadas devem ser claras e honestas, abordando aspectos sociais e psicológicos da sexualidade na adolescência e dando a oportunidade para que adquiram habilidades para lidar com sua sexualidade e que saibam tomar decisões responsáveis a respeito do relacionamento sexual.

Como lição aprendida no enfrentamento à epidemia da AIDS, é importante lembrar que a estratégia educativa usando o terror não funciona e apenas afasta os jovens da discussão dos problemas.

A escola, pela sua própria natureza, proporciona a oportunidade única de oferecer informações que poderão ter um impacto na vida de adolescentes, dando-lhes ferramentas para reduzir a própria situação de vulnerabilidade frente às DST/AIDS.

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