Alagoas, um estado de calamidade

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Notícias tristes e preocupantes têm chegado de Alagoas. A violência recrudesceu e, três meses depois de dispensar a presença da Força Nacional de Segurança Pública, o governador Teotônio Vilela Filho foi ao ministro da Justiça Tarso Genro pedir a volta dos policiais federais. Mais grave ainda é que, em uma semana, os alagoanos precisaram recorrer três vezes à ajuda federal para acudi-los em situações ligadas à segurança pública. Já haviam pedido o reforço de policias federais para a conclusão de 300 inquéritos pendentes das últimas eleições e para investigar cinco mortes em presídios de Maceió.

 

O dado mais alarmante sobre a violência em Alagoas se refere exatamente à bela Maceió, hoje considerada, proporcionalmente, a mais violenta das capitais, à frente de Recife, Rio de Janeiro e outras. Na capital alagoana, para cada grupo de 100 mil moradores, 104 foram assassinados no ano passado. Em Recife, antes considerada a capital proporcionalmente mais violenta, foram 90,9 homicídios por 100 mil habitantes. No Rio, com sua crônica guerrilha urbana, a taxa de homicídios é de 37,7 por cada 100 mil. Os dados são do Mapa da Violência, do Ministério da Justiça.

Maceió, que responde por 30% da população alagoana, registrou metade dos homicídios ocorridos no Estado. Mas a violência se alastrou por todo o litoral, atingindo as paradisíacas praias da Costa dos Corais, ao norte, melhor apelo que Alagoas possui para atrair o turista, elemento importante na formação da economia do Estado. Veículos particulares e de operadoras de turismo são abordados nas rodovias, principalmente à noite. Em janeiro, 14 assaltos foram registrados nas rodovias do litoral norte. Hoje, quem procura praias paradisíacas pode ter o dissabor de acabar nas mãos de bandidos.

 

A violência certamente está ligada ao empobrecimento de Alagoas, certamente relacionado com a distribuição de renda, que consegue ser pior do que em Sergipe, por exemplo. A monocultura da cana, que tradicionalmente ocupou vastas áreas das terras mais produtivas daquele Estado, contribuiu com o enriquecimento de uns poucos e o empobrecimento de muitos. Em Sergipe, essa divisão é menos desigual, o que ajuda a entender porque a renda per capita e o índice de desenvolvimento humano (IDH) daqui são relativamente bons. Os políticos corruptos e interesseiros de lá também deram sua contribuição ao empobrecimento alagoano. É certo que hoje existe muito mais do que o rio São Francisco separando Sergipe de Alagoas. Uma pena.

 

Empresário preso

 

Por falar em Alagoas, uma notícia quente: o empresário alagoano José Dagoberto Teotônio Silva, do setor da construção civil, foi preso neste sábado, em Maceió, sob a acusação de ajudar Floro Calheiros após a fuga do Hospital São Lucas, acontecida às vésperas do Natal. O empresário recepcionou Floro na própria casa, onde ele se hospedou por dois dias antes de ganhar o mundo. A prisão aconteceu graças às investigações do setor de inteligência da Polícia Civil de Sergipe. A informação foi recebida em primeira mão pela repórter Kátia Santana.

 

Giuseppe era do grupo “A Missão”?

 

Uma fonte qualificada informa que o soldado-pistoleiro Giuseppe Amaral Carvalho não pertenceu ao grupo pára estatal “A Missão”. O Giuseppe “missioneiro” teria sido um sobrinho já falecido do bandido que acaba de ser contemplado com a liberdade do Presídio Militar, aquele prédio velho inapropriado onde funcionou o hospital de deficientes mentais Adauto Botelho.

De fato, se o Giuseppe também conhecido como “Gil dos Tijolos”, por causa da sua atuação pistoleira no Recife, desertou da Polícia Militar de Sergipe em 1986, ele teria ficado de fora do selecionado de policiais vingadores integrantes do grupo de extermínio que atuou no início dos anos 90, mais precisamente nos anos 91 e 92.

 

O grupo foi engendrado na PM com a missão de caçar e matar ladrões de gado no sertão sergipano. Mas, claro, como tudo à margem da lei, acabou degringolado para atos cada vez mais cruéis e arbitrários, e a sede de sangue os levou ao assassinato de inocentes, inclusive adolescentes “acusados” de serem filhos de bandidos, e a ameaçar jornalistas.

Agora, a coincidência é que o Giuseppe foragido, depois de pós-graduado na faculdade do crime, tenha sido reintegrado à PM 20 anos depois, em 2006, quando o comandante da corporação era o coronel Anselmo, que foi apontado nos anos 90 como o chefe do grupo “A Missão”. Mas é claro que é mera coincidência.

 

Correio

 

“Sua coluna de domingo estava nos trinques: realmente, a política brasileira é de uma falta de imaginação de doer! O problema foi muito bem colocado, porque você expressou, com talento, a indignação de homens que se preocupam com a comunidade e se vêem conduzidos por esse bando que não quer largar nem o osso”. Paulo Fernando T. Moraes, escrito

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